sexta-feira, 19 de junho de 2026
Teatro

Dramaturgo Hélio Froes retorna ao palco com monólogo que traz ficção e fabulação de memórias

Ator e dramaturgo Hélio Fróes retorna aos palcos com estreia do monólogo ‘Cobre do meu pai’

Letícia Leitepor Letícia Leite em 13 de outubro de 2024
Dramaturgo Hélio Froes retorna ao palco com monólogo que traz ficção e fabulação de memórias
O trabalho mobiliza lembranças e histórias que cercam a figura do pai de Hélio Fróes e aborda temas como memória, patriarcado e masculinidades. Foto: Layza Vasconcelos

Após 12 anos longe dos palcos, o ator e dramaturgo Hélio Fróes retorna com o monólogo ‘Cobre do meu pai’, um monólogo que envolve uma jornada pessoal e profunda que mergulha em suas memórias. A estreia do espetáculo acontece nos dias 16, 17 e 18 de outubro, às 20h, no Teatro Sesc Centro. 

No palco, há apenas um tapete de couro redondo, um tacho de cobre, o artista e suas recordações ficcionais sobre o seu pai e a sua relação com ele. A apresentação é uma obra delicada, minimalista e profunda que aborda temas como identidade e memória, patriarcado e masculinidades. A narrativa se origina de uma história real que se transforma em uma ficção e na recriação das memórias de Hélio sobre seu pai. 

“São questões pessoais, mas que também têm uma dimensão universal, na medida em que o trabalho aborda temas que o público também poderá se identificar”, compartilha o dramaturgo. 

No centro dessa trama, encontra-se a relação infantil entre Hélio e seu pai, um homem que, na visão de uma criança, era um verdadeiro herói. Contudo, à medida que a narrativa avança, revela-se um passado repleto de sombras e comportamentos que desafiam essa imagem paterna. 

Ao longo destes doze anos distante dos palcos, Hélio Fróes enfrentou dificuldades em sua vida pessoal e novas oportunidades em sua carreira. Seu pai faleceu em decorrência de um câncer e, um ano depois, ele também lidou com a mesma enfermidade. 

Sutilezas em cena

No palco, o único elemento cênico é um grande tacho de cobre de cem litros posicionado sobre um tapete circular de couro. “Esta peça tem um grande peso no texto. A intenção em adotar essa perspectiva minimalista é amplificar a narrativa da peça e envolver o público. São dois elementos circulares que ecoam o tema central da narrativa. A simplicidade e a simetria desses elementos reforçam a ideia de que o passado está sempre presente”, explica Fróes. Ele observa que o cobre, material do tacho, possui um significado duplo no título da obra: tanto como substantivo quanto como verbo.

O tacho de cobre se torna um símbolo significativo na narrativa, representando a herança familiar e os segredos escondidos. Sua venda se transforma em um rito de passagem para o protagonista, forçando-o a confrontar seu passado e a sair de sua zona de conforto. A combinação de humor e poesia é uma escolha fascinante. “Isso permite que a peça equilibre o peso do drama com momentos leves e reflexivos. O humor pode ser usado para aliviar a tensão e criar conexões emocionais com o público, enquanto a poesia adiciona profundidade e beleza à narrativa”, antecipa Fróes.

Este projeto foi contemplado pelo Edital de Arte e Criação em Goiás da Lei Federal Paulo Gustavo.

SERVIÇO

‘Cobre do meu pai’, com Hélio Fróes

Quando: 16, 17 e 18 de outubro

Onde: R. 15, Nº 178-298, St. Central – Goiânia

Horário: 20h

Entrada gratuita 

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