quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Justiça

STF adia decisão sobre responsabilização de redes por conteúdos

Julgamento deve ser retomado a partir de fevereiro de 2025

Maria Eduarda Leãopor em
STF ADIA DECISÃO
| Foto: freepik

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou para o ano que vem a decisão final sobre a responsabilização das redes sociais pelos conteúdos ilegais postados pelos usuários.STF adia decisão sobre responsabilização de redes por conteúdosSTF adia decisão sobre responsabilização de redes por conteúdos

O julgamento foi retomado nesta quarta-feira (18), com o voto do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, mas foi suspenso logo em seguida após pedido de vista do ministro André Mendonça.

Devido ao período de recesso no STF, que começa em 20 de dezembro, o julgamento deve ser retomado a partir de fevereiro de 2025.

Barroso votou pela responsabilização parcial das plataformas. Para o ministro, as redes devem retirar postagens com conteúdo envolvendo pornografia infantil, suicídio, tráfico de pessoas, terrorismo e ataques à democracia.  Pela proposta, a medida deve ser tomada após as empresas serem notificadas pelos envolvidos.

Contudo, no entendimento de Barroso, a remoção de postagens com ofensas e crimes contra a honra dos cidadãos só pode ocorrer após decisão judicial, ou seja, como ocorre atualmente.  O ministro também não aderiu à proposta dos votos anteriores para que as redes sociais realizem o monitoramento prévio das mensagens consideradas ilegais.

“Eu entendo que crimes contra a honra dependem de ordem judicial para remoção, não crio responsabilidade objetiva, substituo a ideia de monitoramento ativo pelo dever de cuidado e não incluo qualquer obrigação adicional para marketplaces”, afirmou Barroso.

O presidente também defendeu a regulação das redes sociais para coibir a desinformação.

Leia também: Por que praticar atividades físicas pode transformar sua rotina de estudos

Fique por dentro das notícias no Canal do Jornal O Hoje no Whatsapp

“Há desinformação de alguém dizer que querosene faz bem para covid ou a tentativa de criação de um ambiente de golpe de Estado pelo convencimento da população de que houve uma fraude inexistente no processo eleitoral. Não é uma pessoa ter a opinião que quiser sobre a urna eletrônica. A pessoa tem todo o direito de dizer que prefere o voto de papel, mas não tem o direito de dizer eu tenho a prova da fraude, se não houver prova de fraude, sobretudo, procurar viralizar isso para desacreditar as instituições”, completou.

Nas sessões anteriores, os ministros Dias Toffoli e Luiz Fux também votaram a favor da responsabilização das plataformas. De acordo com os ministros, as plataformas devem retirar, após notificação extrajudicial, conteúdos considerados ilegais, como mensagens com ataques à democracia, incitação à violência, racismo, entre outras.

O Supremo julga a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), norma que estabeleceu os direitos e deveres para o uso da internet no Brasil.

De acordo com o Artigo 19, “com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura”, as plataformas só podem ser responsabilizadas pelas postagens de seus usuários se, após ordem judicial, não tomarem providências para retirar o conteúdo.

Nas primeiras sessões do julgamento, realizadas no mês passado, representantes das redes sociais defenderam a manutenção da responsabilidade somente após o descumprimento de decisão judicial, como ocorre atualmente. As redes socais sustentaram que já realizam a retirada de conteúdos ilegais de forma extrajudicial e que o eventual monitoramento prévio configuraria censura.

Entenda

O plenário do STF julga dois processos que discutem a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet.

Na ação relatada pelo ministro Dias Toffoli, o tribunal julga a validade da regra que exige ordem judicial prévia para responsabilização dos provedores por atos ilícitos. O caso trata de um recurso do Facebook para derrubar decisão judicial que condenou a plataforma por danos morais pela criação de perfil falso de um usuário.

No processo relatado pelo ministro Luiz Fux, o STF discute se uma empresa que hospeda um site na internet deve fiscalizar conteúdos ofensivos e retirá-los do ar sem intervenção judicial. O recurso foi protocolado pelo Google. Com informações de Agência Brasil.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Marconi

ENTORNO DF

Marconi percorre Entorno e apresenta propostas para saúde e transporte

Candidato ao Governo de Goiás cumpriu agenda em cinco cidades e destacou projetos para saúde, tran...
Fábio Souza e Major Araújo

Eleições 2026

Justiça Eleitoral proíbe candidatos do PL de usar imagem de Bolsonaro em campanha

Decisão da 134ª Zona Eleitoral de Goiânia determina retirada de foto do ex-presidente de santinho...
ANTT suspende testes de radar que calcula velocidade entre dois pontos

TRÂNSITO

ANTT suspende testes de radar que calcula velocidade entre dois pontos

Tecnologia não registra apenas a passagem do carro pelo equipamento; sistema calcula quanto tempo o...
Goianos negociam 673 mil dívidas em quatro meses; número cresce 36%

CONTAS EM DIA?

Goianos negociam 673 mil dívidas em quatro meses; número cresce 36%

Levantamento da Serasa mostra avanço dos acordos entre maio e agosto; somente em uma ação realiza...
Pela primeira vez em Goiânia, exposição reúne 60 fotografias de Vik Muniz na Vila Cultural Cora Coralina

ARTE E CULTURA

Pela primeira vez em Goiânia, exposição reúne 60 fotografias de Vik Muniz na Vila Cultural Cora Coralina

Exposição percorre três décadas da produção do artista e reúne trabalhos feitos com açúcar,...
STF

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Desconfiança no STF chega a 48% e atinge recorde, aponta Datafolha

Índice supera o registrado para Presidência, Congresso e partidos em levantamento realizado em mei...
Alta do gás motiva greve de revendedores em Goiás

Gás de Cozinha

Alta do gás motiva greve de revendedores em Goiás

Sindicato questiona reajuste de até R$ 8 imposto por distribuidoras e afirma que paralisação pode...
Atlético-MG x Santos: escalações, horário e onde assistir

Sulamericana

Atlético-MG x Santos: escalações, horário e onde assistir

Galo precisa vencer por três gols para avançar no tempo normal, enquanto o Peixe pode perder por a...