quarta-feira, 7 de outubro de 2026
União de forças

Marconi garante que PSDB terá fusão ainda este ano

Apesar de circular como possibilidade, PSD não é o único partido no radar dos tucanos

Redação O Hojepor em
Marconi Perillo Foto Reprodução
Marconi Perillo Foto Reprodução

Bruno Goulart e Francisco Costa

Membro da executiva nacional do PSDB, Jardel Sebba disse ao Jornal O Hoje que o ex-governador e presidente do partido, Marconi Perillo, garantiu que haverá fusão ainda este ano. Questionado se seria com o PSD – que tem surgido na mídia como maior possibilidade -, o ex-prefeito de Catalão afirma que é uma das possíveis legendas, mas não a única. 

Ele revela que Marconi e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, já conversaram. Contudo, o MDB do deputado Baleia Rossi também estaria interessado em ter um diálogo. Sobre este segundo, Jardel lembra que, em Goiás, a relação com o PSDB é de rivalidade. 

Ao Estadão, Marconi disse que “há uma divisão em termos de vontade política porque uma corrente quer que o PSDB continue e outros defendem a incorporação ou fusão a um partido maior”. E ainda: “Vamos nos debruçar sobre esse tema em fevereiro, a partir da reabertura dos trabalhos do Congresso.” 

À imprensa local  ele confirmou que vários partidos têm procurado o PSDB. Também disse que pode manter como está ou fazer uma federação com até quatro partidos, ou uma incorporação. 

Situação

Conforme Jardel, o PSDB tem se fragilizado nos últimos anos. Ele cita a passagem do empresário João Doria, que foi prefeito de São Paulo e também governador daquele Estado. “A entrada dele foi ruim para o partido, deixou fragilizado. Mas agora é tentar reerguer.”

Essa situação do partido é o que motiva a fusão. “Será feito esse ano, pensando em 2026. Pensando em governador e também na presidência.” Conforme o ex-prefeito de Catalão, o candidato de Marconi para o Planalto é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). 

Contudo, com a união com outro partido, o nome deverá ser discutido. O PSD, por exemplo, já tem o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), como pré-candidato. 

Vale citar que, na última corrida municipal, o PSDB não conseguiu emplacar nenhum vereador em São Paulo e nem em Belo Horizonte, os dois maiores colégios eleitorais do País. O partido tem apenas dois governadores: Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul), sendo que a segunda negocia filiação ao PSD. Deputados federais, 12. 

Hoje o Cidadania é federado ao PSDB. Não é certo, contudo, que a legenda participe da fusão.

PSD

O Jornal O HOJE também conversou com o ex-deputado federal Vilmar Rocha, que é membro da Executiva Nacional do PSD e diretor da Fundação Espaço Democrático do partido. Segundo ele, o início das conversas sobre a fusão se deram em São Paulo. 

“É público e notório que o PSDB procura um caminho, uma reestruturação. Mas não é o que está acontecendo com o PSD. O PSD conversa e pode até avançar, mas no momento não tem nada”, garante Vilmar. 

Presidente estadual do PSD, o senador Vanderlan Cardoso deve se reunir com o Gilberto Kassab na próxima segunda-feira (3). A fusão, incorporação ou federação com outros partidos deve estar na pauta. Em Goiás, a legenda elegeu três prefeitos, mas perdeu um para o Podemos. Nenhum vereador foi eleito em Goiânia.

MDB entra no jogo para incorporar o PSDB a si

Não é segredo que o PSDB vem perdendo força a cada eleição. Para ilustrar, em 2000, o partido liderado pelo ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, contava com 900 prefeitos; hoje, esse número caiu para apenas 274. Com o risco de ser engolido pela cláusula de barreira, o partido busca uma fusão com uma legenda mais robusta. Além do PSD, o MDB entra no jogo, já articulando a incorporação do PSDB, que, segundo o presidente municipal do MDB, Andrey Azeredo, tornou-se uma sigla “nanica”. A estratégia de fusão tem o apoio de figuras de destaque no partido, como o ex-presidente Michel Temer, o governador do Pará, Hélder Barbalho, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o presidente do MDB, Baleia Rossi.

O interesse é tamanho que a alta cúpula do MDB têm mantido contato constante com lideranças tucanas. O goiano Marconi Perillo, o deputado federal mineiro Aécio Neves, e os governadores Eduardo Leite (RS), Raquel Lyra (PE) e Eduardo Riedel (MS) já foram procurados pelos líderes da sigla. O objetivo da fusão entre MDB e PSDB é claro – criar um bloco político robusto, capaz de competir com o PSD, que hoje é o partido com maior número de prefeitos – 885 cadeiras no Executivo Municipal e a maior bancada no Senado, com 15 senadores.

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Para Baleia Rossi, a história do PSDB, que surgiu como uma dissidência do MDB, é um ponto a favor da possível fusão. “Estamos vendo a possibilidade de incorporação. O importante é que não é um movimento isolado de um presidente, mas um diálogo amplo de várias lideranças do partido. Eu tive conversas com Aécio, com o líder Adolfo Viana, com Beto Richa e com Riedel. O presidente Michel Temer conversou com Marconi. Eu também”, destacou.

Barreiras regionais

No entanto, as negociações também enfrentam desafios em nível regional, especialmente em Goiás, onde MDB e PSDB são adversários históricos. No estado, o MDB é aliado do União Brasil no governo de Ronaldo Caiado, que tem como vice o emedebista, Daniel Vilela. Ao O Hoje, o presidente municipal do MDB em Goiânia, Andrey de Azeredo, disse não haver qualquer movimento de fusão sendo discutido no contexto local. “O MDB é parceiro do União Brasil em Goiás. A nível nacional, já vi especulações sobre fusões com partidos menores, mas, no caso do PSDB, considero que é um partido nanico atualmente. É o diretório nacional quem deve decidir”, afirmou.

Por outro lado, o vereador de Goiânia Luan Alves (MDB) ressaltou à reportagem que vê a fusão como uma oportunidade para fortalecer o partido. “Esse movimento pode ser muito importante para o cenário em Goiânia. O PSDB tem dois parlamentares na Câmara Municipal, e a fusão somaria à bancada e ao projeto do governador Daniel para 2026”, avaliou.

Apesar do avanço nas conversas entre MDB e PSDB, o PSD permanece como um elemento central no jogo político. Ao O Hoje, fontes próximas ao senador Vanderlan Cardoso (PSD) afirmaram que uma fusão entre PSD e PSDB é apenas especulação neste momento, mas que deve tomar forma já nos próximos meses.

Cláusula de barreira

A cláusula de barreira é outro elemento que motiva a fusão. O PSDB tem enfrentado um declínio acentuado nos últimos anos, o que pode ameaçar sua sobrevivência como partido. A incorporação ao MDB ou PSD seria uma forma de garantir sua continuidade e relevância no cenário político nacional.

A cláusula de barreira define critérios que os partidos devem cumprir para ter acesso aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Para isso, é necessário alcançar ao menos dois dos seguintes requisitos: eleger pelo menos 11 deputados federais em, no mínimo, nove unidades da Federação; ou obter, nas eleições para a Câmara dos Deputados, pelo menos 2% dos votos válidos, distribuídos em ao menos nove estados, com no mínimo 1% dos votos válidos em cada um deles.

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