sábado, 29 de agosto de 2026
Política e Segurança Pública

Pressionado por governadores, Lula cede em PEC da segurança

Nova proposta inclui dispositivo que reforça a autonomia dos estados e municípios na gestão das forças de segurança  

Raunner Vinicius Soarespor em
Pressionado por governadores, Lula cede em PEC da segurança
Lula assinando decreto. Foto: Divulgação

Após sofrer pressão dos governadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública, nesta quarta-feira (15). O ministro da justiça, Ricardo Lewandowski, apresenta nova proposta, com mudanças que incluem um dispositivo que reforça a autonomia dos estados e municípios na gestão das forças de segurança. De acordo com a nota oficial, o texto revisado, com sugestões de governadores e de membros do próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi enviado à Casa Civil da Presidência da República.  

A proposta conta com três pilares: a ampliação do papel da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Federal (PF); a incorporação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição; e a constitucionalização dos fundos nacionais de Segurança Pública e Penitenciário, com a retirada da possibilidade de contingenciamento.  

A nota aponta que “foi levada em consideração parte substancial das preocupações manifestadas pelos governadores durante as discussões, especialmente aquelas relacionadas à suposta perda de autonomia dos estados”.  Dessa maneira, a nova PEC ganhou um parágrafo único no Artigo 21, que deixa explícito que as novas atribuições concedidas à União em relação à segurança pública: 1) “não excluem as competências comum e concorrente dos demais entes federados”, 2) “nem restringem a subordinação das polícias militares, civis e penais e a dos corpos de bombeiros militares aos Governadores dos Estados e do Distrito Federal”.     

O governo federal reforça que “não haverá qualquer ingerência nos comandos das polícias estaduais, tampouco modificação na atual competência dos estados e municípios na gestão da segurança pública”. Além disso, para fortalecer a ideia, “foi suprimido do Inciso XXVII, do Artigo 21, a expressão ‘observância obrigatória’”. Outro ponto acolhido foi a sugestão dos governadores para que representantes da sociedade civil também fossem incluídos no Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social.  

Atendendo às sugestões sobre a dificuldade de alocação de recursos, o ministro decidiu por manter os repasses separados, considerando que o projeto inicial do governo Lula era agrupar os fundos Penitenciário e da Segurança Pública. Por outro lado, uma sugestão que não pôde ser incorporada foi a do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), que defendia a concessão de poderes aos estados para legislar sobre questões penitenciárias e penais. O ministro da justiça entendeu que a questão é inconstitucional, impossibilitando a inclusão.  

Leia mais: Ao sancionar Propag, Lula proíbe acúmulo de benefícios

Desse modo, a PEC sugere que a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, a qual compreenderá o Sistema Penitenciário, seja estabelecida, “ouvido o Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, integrado por representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e da sociedade civil, na forma da lei”. Apesar de o Conselho Nacional dos Secretários de Segurança Pública (Consesp) ter proposto “representação paritária” no colegiado, o entendimento do Ministério da Justiça e Segurança Pública é que esse debate deve ser feito por meio de lei ordinária.    

E também: “A nova redação da PEC da Segurança Pública estabelece órgãos de correção com a incumbência de apurar a responsabilidade funcional dos profissionais de segurança pública e defesa social que serão dotados de autonomia. O anteprojeto também prevê a instituição de ouvidorias públicas igualmente autônomas, nos três níveis da Federação, para receber representações, elogios e sugestões sobre as atividades desses profissionais”, esclarece a nota. 

O projeto também tem o objetivo de padronizar protocolos, dados e estatísticas. Atualmente, cada unidade federativa tem seu próprio sistema de antecedentes criminais e formatos distintos de boletins de ocorrência e de mandados de prisão, o que resulta em 27 versões diferentes de informações cruciais. A unificação desses dados é um passo essencial para o funcionamento do Susp. 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
decreto PEC Política Segurança segurança pública

Veja também

Candidatos ao Governo de Goiás focam em trajetória no 1º programa eleitoral de TV

Eleições 2026

Candidatos ao Governo de Goiás focam em trajetória no 1º programa eleitoral de TV

Primeira inserção nas TVs e rádios serviu como um perfil dos postulantes ao Palácio das Esmerald...
Mendanha diz que “inexperiência” de Gracinha contribuiu para crise na base

Fogo Amigo

Mendanha diz que “inexperiência” de Gracinha contribuiu para crise na base em Goiás

Tensão entre senatoriáveis na chapa do governador Daniel Viela (MDB) escalou nos últimos dias ap�...
Jovair Arantes

Momento Político

Jovair Arantes aposta em Marconi no 2º turno e vê força de Henrique na disputa por vaga na Câmara

Ao Momento Político, ex-deputado federal também defendeu candidatura do filho e avaliou que redes ...
Quantidade de adolescentes aptos a votar em Goiás é menor que em 2024

Eleições 2026

Quantidade de adolescentes aptos a votar em Goiás é menor que em 2024

Eleitorado de 16 e 17 anos teve uma redução de 9,31%
Aécio Neves lança candidatura ao Senado por MG

eleições 2026

Aécio Neves lança candidatura ao Senado por MG

Após anunciar que ficaria fora da disputa deste ano, tucano diz ter sido procurado por "centenas de...
Daniel Vorcaro

Banco Master

Vorcaro nega à PF ter usado servidores do BC para obter informações privilegiadas

Em depoimento à Polícia Federal, ex-banqueiro afirma que não houve corrupção envolvendo funcion...
Celina Leão

POLÍTICA

“Vamos fazer as nomeações”, diz Celina ao anunciar 2.681 professores no DF

Governadora afirma que medida substituirá contratos temporários e ocorrerá sem aumento de despesa...
“Vamos colocar os professores na escola”, diz Paula Belmonte no DF

POLÍTICA

“Vamos colocar os professores na escola”, diz Paula Belmonte no DF

Candidata se reúne com aprovados da Educação, visita feiras e faz caminhadas em diferentes pontos...