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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Uso de celulares

Proibição do uso de celular nas escolas começa a ser aplicada em Goiânia

Recentemente, uma lei federal, sancionada em 13 de janeiro deste ano, proibiu o uso de aparelhos telefônicos no ambiente escolar a partir de 2025

Postado em 27 de janeiro de 2025 por Micael Silva
O uso desses aparelhos na sala de aula tem causado dificuldades no ensino e no desenvolvimento dos alunos Foto: Arquivo | O Hoje
O uso desses aparelhos na sala de aula tem causado dificuldades no ensino e no desenvolvimento dos alunos Foto: Arquivo | O Hoje

Com os avanços da tecnologia, o uso de aparelhos celulares tornou-se muito comum em vários ambientes, e na escola não é diferente. No entanto, o uso desses aparelhos na sala de aula tem causado dificuldades no ensino e no desenvolvimento dos alunos. Recentemente, uma lei federal, sancionada em 13 de janeiro deste ano, proibiu o uso de aparelhos telefônicos no ambiente escolar. A medida já começou a ser implementada em escolas de todo o país.

E, em Goiás, as escolas já estão cumprindo a lei federal. Em uma escola particular de Goiânia, localizada no Setor Marista, o diretor-geral de uma instituição privada , Felipe Kiolo, diretor geral da instituição, revelou que no ano passado foi realizado um projeto piloto com duas turmas, no qual a retirada do celular durante todo o período escolar foi testada. “Os resultados do segundo semestre foram animadores, com um ganho de 20% no rendimento escolar dos alunos que não usaram o celular durante as aulas, em comparação com o primeiro semestre, quando o dispositivo ainda estava liberado”, disse Kiolo. Para ele, esse dado serviu de base para o planejamento deste ano.

Em 2025, a escola deu continuidade à medida, buscando informar os alunos sobre os benefícios da mudança. A equipe pedagógica foi engajada para explicar a importância da nova legislação, especialmente com base em exemplos de outros países que já aplicaram regras semelhantes. Após um período de esclarecimentos e discussões, a segunda etapa foi a operacionalização da medida. A escola criou espaços seguros onde os alunos podem deixar seus celulares durante o período escolar, além de promover atividades alternativas para o tempo livre, como esportes, clubes de literatura e jogos de tabuleiro.

Os professores também foram preparados para lidar com a nova realidade. Durante a semana pedagógica, discutiram como manter as metodologias de ensino eficazes sem depender da tecnologia, apesar da inevitável contradição entre ensinar sobre inteligência artificial e ao mesmo tempo limitar o uso de dispositivos móveis. “Tivemos algumas inseguranças no começo, pois o celular sempre foi uma ferramenta importante de comunicação entre a escola e a coordenação. No entanto, aos poucos os professores foram se adaptando, e os resultados têm sido positivos”, comentou Kiolo.

A adaptação foi acompanhada de perto pela psicóloga da escola, que orientou a direção e a coordenação, conversando com alunos que apresentaram resistência e buscando formas de integrar os estudantes ao novo modelo. “O desafio inicial foi lidar com a resistência dos alunos, mas, após o diálogo, o impacto foi muito menor do que esperávamos”, afirmou o diretor.

Quanto ao papel dos pais, Kiolo acredita que essa mudança oferece um argumento valioso para que os responsáveis apoiem a restrição do uso dos celulares. “Antes, os pais tinham dificuldade em controlar o uso de celulares em casa, mas agora, com a implementação da lei, eles podem se apoiar nessa decisão. A sociedade, como um todo, está reconhecendo o problema do uso excessivo de dispositivos eletrônicos”, destacou.

O diretor também mencionou que o resultado não pode ser medido apenas pelo desempenho acadêmico, mas também pela qualidade das interações sociais. “Ver os alunos brincando e conversando durante o intervalo, de forma mais conectada, é um reflexo positivo dessa mudança. Claro, haverá conflitos, como sempre houve na escola, mas eles são reais e podem ser resolvidos no mundo real, não no virtual”, explicou.

Isabela Ferreira, aluna de 14 anos, conta sua experiência ao aceitar a medida que restringe o uso de celulares na sala de aula, uma mudança que inicialmente causou desconforto. “Eu confesso que no início fiquei um pouquinho chateada, porque tenho uma certa dependência do celular. A gente consegue fazer muitas coisas com ele, inclusive usar a tecnologia a nosso favor, então fiquei um pouco apreensiva com essa nova regra”, revelou.

No entanto, ela comenta  sobre os impactos dessa mudança, Isabela percebeu que a medida trouxe benefícios para sua interação social e aprendizagem. “Eu achei que no começo seria difícil, mas percebi que é muito tranquilo. Isso me ajudou a socializar mais com os colegas e até a aprender novos hobbies, como, por exemplo, desenhar. Sem o celular, conseguimos nos conectar mais com as pessoas ao redor”, destacou.

Isabela finalizou sua fala reforçando que, apesar da resistência inicial, a medida tem sido benéfica. Para ela, a retirada do celular trouxe a oportunidade de se concentrar mais nos estudos e de aproveitar melhor os momentos de convivência com os colegas.

Proibição contribui para melhorar o ensino aprendizagem 

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o objetivo da lei não é proibir o uso de celulares, mas proteger crianças e adolescentes, promovendo um ambiente escolar mais saudável e equilibrado.

A medida visa equilibrar o uso de tecnologias digitais na educação básica, permitindo os benefícios educacionais dos dispositivos móveis, mas também os desafios relacionados à distração, saúde mental e segurança dos estudantes.

De acordo com a diretora, de outra instituição renomada de Goiânia localizada no setor Oeste atualizaram o regimento escolar para garantir que o ambiente pedagógico seja preservado. “Atualizamos nosso regimento interno, reforçando a diretriz sobre o uso de celulares na sala de aula e comunicamos oficialmente a todos — alunos e famílias — sobre a aplicação da lei”, explicou Tatiana. Ela ressaltou que a medida busca garantir o foco no aprendizado e um ambiente mais produtivo.

Para garantir o entendimento e adesão à nova regra, a escola promoveu encontros com os pais para explicar a importância da legislação. “Realizamos rodas de conversa com alunos, abordando o uso responsável da tecnologia e os resultados positivos de reduzir o tempo de tela no ambiente escolar”, detalhou. Essas iniciativas têm o objetivo de fortalecer o papel de cada um na construção de um ambiente escolar mais focado e produtivo.

 

A reportagem entrou em contato com a Seduc (Secretaria de Estado da Educação de Goiás) para saber como a lei está sendo implantada nas escolas públicas de Goiás, mas não obtivemos retorno até o fechamento desta reportagem para entender a proibição dos aparelhos eletrônicos na rede pública de ensino. O espaço permanece aberto

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