domingo, 8 de novembro de 2026
Saúde

Mesmo com aumento de 65% nos transplantes, duas mil pessoas aguardam na fila de órgãos

O Estado de Goiás alcançou um recorde histórico de doadores de órgãos em 2024, com 3.414 procedimentos

Renata Ferrazpor em
Transplantes
Foto: Divulgação/SES-GO

Receber a notícia de que foi contemplado com um órgão para transplantes é um momento de renascimento. Para muitas pessoas, é a esperança de continuar vivendo, superando desafios de saúde que pareciam impossíveis. É o caso de Zilda, uma dona de casa que transformou sua vida após passar por um transplante de rim. Em 2001, Zilda começou a sentir falta de ar e inchaços. 

Inicialmente ela pensou que fosse um problema cardíaco, mas após exames detalhados, foi encaminhada a um nefrologista, que diagnosticou insuficiência renal crônica. “Em 14 dias, já precisei iniciar a hemodiálise. Foi muito difícil porque minha pressão oscilava muito, e eu não conseguia eliminar líquidos naturalmente”, relembra.

Ela passou um ano e nove meses em hemodiálise até realizar o transplante, que foi possível graças à sua sobrinha, Lúcia, doadora viva. Em 2003, realizou o procedimento na Santa Casa e, desde então, vive uma vida com qualidade e sem intercorrências. “Graças a Deus, nunca tive rejeição. Faço acompanhamento de dois em dois meses e levo uma vida normal”, conta.

Zilda destaca que a causa de sua insuficiência renal foi a nefrite, uma doença silenciosa agravada pelo uso inadequado de medicamentos. “Eu me automedicava por dores nas costas e acabei comprometendo meus rins”, alerta, ressaltando a importância do cuidado médico.

A história de João Paulo, que é jornalista, também teve sua vida marcada pelos transplantes. Aos 15 anos, foi diagnosticado com glomerulonefrite, que evoluiu para insuficiência renal. Sua mãe foi a doadora compatível, e o transplante ocorreu, proporcionando 21 anos de estabilidade.

“Transplante é um tratamento, não uma cura definitiva”, explica João Paulo. Após 21 anos de estabilidade com o rim doado por sua mãe, ele enfrentou a perda da funcionalidade do enxerto no final de 2023, marcando o início de uma nova batalha. “Foi um momento difícil, mas também uma oportunidade de aprender e crescer”, reflete. 

Desde então, ele voltou à hemodiálise, adaptando sua rotina ao tratamento enquanto realiza os exames necessários para um novo transplante. Agora, com sua irmã compatível como doadora, João Paulo mantém a esperança. “É um desafio, mas cada etapa é um passo para recomeçar e viver com mais gratidão pela segunda chance que está por vir.” A oportunidade de ser transplantado passa por diversos fatores, mas dizer que houve um crescimento no número de doadores isso quer dizer que cada vez mais pessoas e familiares estão se atentando para salvar outras vidas.

Assim é o caso do estado de Goiás, que nos últimos cinco anos apresentou um notável crescimento no número de transplantes de órgãos, com 3.414 procedimentos realizados nesse período. Em 2024, o Estado atingiu um marco histórico com 114 doadores efetivos, permitindo a realização de 891 transplantes. Esse avanço é atribuído a campanhas de conscientização, aprimoramento de práticas médicas e treinamentos nas unidades de saúde para a correta notificação de casos de morte encefálica, um passo essencial para viabilizar o processo de doação.

Katiuscia Freitas, gerente da Central Estadual de Transplantes, destaca a importância do consentimento familiar. “Trabalhamos para que as pessoas manifestem aos familiares o desejo de doar, promovendo diálogos conscientes sobre o tema”, explica. Apesar do aumento de 18% nas notificações de morte encefálica, o desafio de sensibilizar as famílias permanece.

O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) consolidou-se como o principal centro transplantador de Goiás, sendo responsável por 98% dos procedimentos. Em 2024, o HGG ampliou sua atuação, iniciando transplantes de pâncreas e medula óssea autóloga, com destaque para o aumento de 102% nos transplantes de medula em comparação a 2023.

Goiás realiza transplantes de rins, fígado, pâncreas, córneas, medula óssea e tecido músculo-esquelético. Atualmente, cerca de 2 mil pessoas aguardam na fila por um órgão. “Nossa meta para 2025 é aumentar o número de doadores e beneficiar ainda mais pessoas com a chance de recomeçar suas vidas”, afirma Katiuscia Freitas.

Sistema Único de Saúde realiza 96% dos transplantes

A nível nacional, os transplantes de órgãos têm avançado consideravelmente, embora ainda haja desafios a serem superados. No primeiro semestre de 2024, o Brasil bateu um recorde com 14.352 transplantes realizados, superando o mesmo período de 2023. Esse crescimento é reflexo de campanhas de conscientização mais eficazes e de avanços nas tecnologias médicas, proporcionando uma nova chance de vida para milhares de pessoas.

Em 2023, o transplante de rim foi o segundo órgão mais transplantado no país, com mais de 10 mil procedimentos, mas ainda abaixo da demanda crescente. No entanto, a fila de espera por órgãos continua a ser um obstáculo significativo, com mais de 53 mil pacientes aguardando, sendo 32.862 adultos e 335 pediátricos na lista de espera por um transplante de rim até o final de 2023.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por cerca de 96% dos transplantes realizados no país, desempenhando um papel fundamental no financiamento e na implementação do processo, garantindo acesso a esse tratamento vital para uma parcela significativa da população. 

No entanto, as disparidades regionais continuam sendo um desafio. Enquanto grandes centros urbanos como São Paulo e Brasília apresentam números expressivos de transplantes, em algumas regiões do Norte e Nordeste a falta de infraestrutura e de doadores é mais notável, o que gera desigualdade no acesso ao tratamento.

O futuro dos transplantes no Brasil depende da ampliação da rede de doadores, o que exige um esforço contínuo de educação e conscientização. A criação de programas de incentivo à doação de órgãos e o apoio às famílias em momentos delicados são essenciais para aumentar o número de doadores. 

O uso crescente de tecnologias, como a preservação de órgãos, e melhorias na compatibilidade entre doadores e receptores também são áreas promissoras, que podem aumentar o sucesso dos transplantes e reduzir as filas de espera, permitindo que mais pessoas tenham uma segunda chance de viver.

Leia mais: Polícia Civil apreende propriedades de alto valor de suspeitos por tráfico de drogas

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Enem 2026

Exame do Ensino Médio

Enem 2026: veja o que levar e quais são as regras da prova

Exame começa neste domingo (8); participantes devem apresentar documento oficial com foto e levar c...
defesa civil

PREVENÇÃO

Defesa Civil orienta brasileiros a preparar kit para 72 horas; entenda o motivo

Orientação para manter água, alimentos e medicamentos em casa gerou dúvidas nas redes sociais; �...
Mega-Sena

Loterias

Mega-Sena acumula e prêmio chega a R$ 60 milhões

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3.082, sorteado nesta sexta-feira (6). Ao todo, 8...
lutador

Tentativa de feminicídio

Lutador preso por agredir três vizinhas no Rio diz não se lembrar dos ataques

Em depoimento, homem afirmou que faz uso de anabolizantes. Uma das vítimas, de 81 anos, continua in...
Bets

Bets

Justiça suspende liberação de três casas de apostas após recurso do governo

Decisão do TRF3 restabelece efeitos da medida provisória que proibiu as operações das empresas C...
Cartórios adotam regras para identificar violência patrimonial contra mulheres

Segurança da mulher

Cartórios adotam regras para identificar violência patrimonial contra mulheres

Em Goiás, recomendação da Corregedoria-Geral da Justiça orienta cartórios a identificar sinais ...
Prefeitura de Goiânia destina R$ 19,7 milhões à agricultura familiar para merenda escolar

MERENDA ESCOLAR

Prefeitura de Goiânia destina R$ 19,7 milhões à agricultura familiar para merenda escolar

Cooperativa de frango, polpa de frutas e leite UHT estão entre os produtos que a rede municipal de ...
Goiânia terá calor de 34°C e previsão de chuva neste sábado (07)

PREVISÃO DO TEMPO

Goiânia terá calor de 34°C e previsão de chuva neste sábado (07)

Dia começa com muitas nuvens, mas previsão indica chuva isolada à tarde e pancadas acompanhadas d...