Ensino superior ainda é privilégio para poucos no Brasil
Dados do IBGE mostram crescimento no acesso à graduação, mas desigualdades persistem
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O número de brasileiros com ensino superior completo cresceu nos últimos anos, atingindo 18,4% da população com 25 anos ou mais, segundo o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE. Embora o avanço seja significativo em relação a 2000, quando apenas 6,8% tinham diploma universitário, o país ainda enfrenta desafios para garantir acesso igualitário à educação. Dados apontam que brancos seguem sendo maioria entre os graduados, enquanto pretos e pardos ainda têm maior dificuldade para ingressar e concluir a faculdade.
A pesquisa também revelou que o número de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto caiu de 63,2% em 2000 para 35,2% em 2022. No entanto, a escolaridade média da população ainda reflete desigualdades históricas. Enquanto os brasileiros acumulam, em média, 9,5 anos de estudo, a população indígena tem apenas 7,5 anos, e pretos e pardos registram uma média de 8,9 anos. Já os brancos alcançam 10,3 anos de estudo, e os amarelos, 12 anos.
A disparidade também é evidente ao analisar a distribuição por cor e raça dos graduados. Entre os brancos, 25,8% completaram o ensino superior, enquanto apenas 11,7% dos pretos e 12,3% dos pardos conseguiram o mesmo feito. Apesar disso, o crescimento da escolarização entre a população negra foi maior do que entre os brancos nas últimas décadas. “A gente sabe que tem uma população mais envelhecida para a qual o acesso à educação foi mais difícil na sua juventude”, explica Bruno Perez, pesquisador do IBGE.
Entre as carreiras mais populares no Brasil, cursos nas áreas de negócios, administração e direito concentram a maior quantidade de formados. Entretanto, profissões como medicina, odontologia e economia ainda são majoritariamente ocupadas por brancos, que representam cerca de 75% dos graduados nessas áreas. Por outro lado, cursos como serviço social e formação de professores apresentam um equilíbrio maior entre brancos e negros.
O Censo 2022 também destacou um aumento da participação feminina em algumas profissões. Em medicina, 60,2% dos médicos com até 29 anos são mulheres, enquanto no direito esse percentual chega a 62,1% entre os jovens formados. Esses avanços demonstram que, embora o acesso ao ensino superior tenha crescido, desafios persistem, exigindo políticas públicas mais eficazes para reduzir desigualdades sociais e raciais na educação brasileira.