Goiás registra queda nos casos de tuberculose
Estado mantém uma das menores taxas de incidência da doença no país, ocupando a terceira menor posição entre os estados brasileiros

O Ministério da Saúde divulgou os dados mais recentes sobre o tratamento preventivo da tuberculose no país. De 2018 a 2023, mais de 165 mil pessoas iniciaram uma terapia preventiva, com 2023 registrando o maior número de casos: 42.539, o que representa 25,7% do total no período.
Entre os estados, São Paulo liderou os registros (30,8%), seguido pelo Rio de Janeiro (11,4%) e Rio Grande do Sul (8,4%). As variações regionais podem estar ligadas a fatores socioeconômicos e à estrutura de vigilância em saúde de cada localidade.
Os números da tuberculose no estado apontam uma redução nos casos da doença em 2024 em comparação ao ano anterior. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), foram registrados 1.077 casos no último ano, contra 1.182 em 2023. Em 2025, até o momento, já são 132 notificações.
Apesar do aumento gradual no número de registros nos anos anteriores, em Goiás mantém uma das menores taxas de incidência da doença no país, ocupando a terceira menor posição entre os estados brasileiros.
Outro dado positivo é a redução do número de mortes causadas pela tuberculose no estado. Em 2021, 90 pessoas perderam a vida pela doença, número que subiu para 116 em 2022. Nos anos seguintes, houve uma leve queda, com 103 óbitos em 2023 e 106 em 2024. Em 2025, até o momento, nenhuma morte foi registrada.
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Para esclarecer dúvidas sobre sintomas, diagnóstico e tratamento, a pneumologista Fernanda Miranda, do Hospital Israelita Albert Einstein de Goiânia, explica os principais aspectos da enfermidade.
“A tuberculose pulmonar apresenta sintomas como tosse persistente por mais de três semanas, expectoração, que pode conter sangue, febre baixa, especialmente à noite, suores noturnos, perda de peso inexplicável, cansaço excessivo e dores no peito ao respirar ou tossir”, afirma.
Segundo a médica, a tuberculose pode ser confundida com outras doenças respiratórias, mas há diferenças importantes. “A COVID-19, além de tosse e febre, pode causar perda de olfato e paladar, além de dificuldade respiratória intensa e rápida. Já a Influenza apresenta febre alta, dor no corpo e cansaço, mas sua evolução é mais rápida e os sintomas costumam durar menos tempo do que na tuberculose”, explica.
Sobre o diagnóstico, a especialista detalha os principais exames utilizados. “O teste tuberculínico (PPD) avalia a resposta imunológica à bactéria, mas não confirma a doença ativa. Já a radiografia de tórax ajuda a identificar lesões pulmonares sugestivas de tuberculose. O exame de escarro, chamado de baciloscopia, detecta a presença do Mycobacterium tuberculosis nas secreções respiratórias, enquanto a cultura para micobactérias confirma a infecção e analisa a resistência aos medicamentos. Além disso, os testes moleculares, como o GeneXpert, identificam o DNA da bactéria e possíveis resistências, permitindo um diagnóstico mais rápido”, destaca.
O tratamento padrão dura cerca de seis meses e envolve o uso de antibióticos específicos, como Rifampicina e Isoniazida. “Em casos de tuberculose resistente, a terapia pode ser prolongada e mais intensa”, pontua Fernanda.
Ela ainda alerta para os riscos de interromper o tratamento antes do tempo recomendado. “Isso pode levar à resistência medicamentosa, tornando a doença mais difícil de tratar. Além disso, a infecção pode retornar de forma mais severa e o paciente continua transmitindo a bactéria para outras pessoas”, adverte.
A vacina BCG é um importante recurso na prevenção da tuberculose, mas possui limitações. “É eficaz principalmente na prevenção de formas graves de tuberculose, como a tuberculose meníngea e a tuberculose disseminada em crianças. Ela não previne a tuberculose pulmonar em adultos, mas ajuda a reduzir a gravidade e as complicações da doença. A vacina é administrada principalmente em bebês, logo após o nascimento, em muitos países, incluindo o Brasil”, esclarece a pneumologista
Nos últimos anos, a incidência da tuberculose tem variado. “A pandemia de COVID-19 dificultou o diagnóstico precoce e o tratamento da tuberculose, e fatores socioeconômicos, como pobreza, dificuldades de acesso ao sistema de saúde e moradias precárias, aumentam a vulnerabilidade à doença. Além disso, o crescimento da resistência a medicamentos tem tornado o tratamento mais desafiador”, afirma a especialista. Por outro lado, Fernanda ressalta que “melhorias no diagnóstico, campanhas de conscientização e ampliação do acesso a medicamentos têm ajudado a reduzir a prevalência da doença em algumas regiões”.
Para a médica, o controle da disseminação da doença depende de diversos fatores. “A eficiência do sistema de saúde é fundamental para garantir diagnóstico rápido e tratamento adequado. Às condições de vida também influenciam, pois superlotação, má alimentação e uso de substâncias como álcool e tabaco aumentam os riscos. Além disso, o aumento da mobilidade populacional pode influenciar a propagação da doença”, observa.
Por fim, Miranda reforça a importância da conscientização e do tratamento adequado. “A detecção precoce e o tratamento correto são essenciais para o controle da tuberculose. A conscientização da população e o fortalecimento das políticas de saúde pública desempenham um papel crucial na redução do impacto da doença”, conclui.
Dia D de combate à tuberculose
Nesta segunda-feira, 24 de março, a SES promove o Dia “D” de combate à tuberculose, reforçando a importância da prevenção e do tratamento da doença. A ação coincide com o Dia Mundial de Combate à Tuberculose e contará com o lançamento da campanha “Tuberculose: Tem Prevenção, Tem Tratamento e Tem Cura”.
A programação ocorre nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Noroeste, às 8h30, e Itaipu, às 14h, em Goiânia. As atividades incluem conscientização e atendimento à população, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.
Durante o mês de março, a SES intensifica as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da tuberculose, promovendo campanhas de conscientização, busca ativa de casos e oferta de tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para reforçar a capacitação dos profissionais de saúde, a SES e o Conselho Regional de Medicina de Goiás realizou um curso de atualização sobre tuberculose no dia 21 de março. O evento abordou desafios e avanços no diagnóstico e manejo da doença.
Outra iniciativa relevante é o Projeto Acolher – HDT nas Escolas, que foi realizado no Colégio Militar Major Oscar Alvelos, no Setor Parque Atheneu, em Goiânia, no dia 20. A parceria com o Hospital de Doenças Tropicais (HDT) visa levar informação e prevenção aos estudantes. (