Perda de memória: sinal de alerta para a saúde cognitiva
O tratamento da ansiedade pode ajudar a restaurar a memória

Pode ser difícil para uma pessoa perceber se lapsos repentinos de memória ou outras mudanças cognitivas. Embora seja comum esquecer coisas de vez em quando com o passar dos anos, se a perda de memória começar a se tornar mais perceptível, é importante procurar um médico para realizar exames e testes cognitivos.
Diversas causas podem levar à perda de memória, sendo a ansiedade uma das mais frequentes. Além disso, ela pode estar associada a condições como depressão, distúrbios do sono, uso de medicamentos, hipotireoidismo, infecções ou doenças neurológicas, como a doença de Alzheimer.
Felizmente, muitas das causas da perda de memória podem ser prevenidas ou revertidas por meio de hábitos saudáveis, como meditação, técnicas de relaxamento e exercícios para a memória. O primeiro passo é buscar um médico para discutir os sintomas, revisar a saúde geral e analisar o histórico familiar de demência. Esse tipo de conversa pode ser feito durante uma consulta de rotina.
Não se deve confiar em testes cognitivos online, já que muitos são imprecisos e não fornecem uma avaliação confiável. Antes da consulta, é recomendável anotar as preocupações específicas sobre a cognição, para que o médico possa avaliá-las. Além disso, levar um amigo ou familiar para a consulta pode ser útil, pois o apoio deles pode ajudar a reduzir a ansiedade e oferecer observações valiosas.
O teste de triagem cognitiva, realizado no consultório, geralmente dura de cinco a 15 minutos. Ele pode incluir atividades como repetir uma lista de palavras, recordar informações pessoais, nomear objetos de uma imagem, responder a perguntas sobre eventos recentes e desenhar um relógio para avaliar a orientação espacial. Embora esses testes possam indicar potenciais problemas, eles geralmente não são suficientes para um diagnóstico formal do comprometimento cognitivo leve.
O médico também pode sugerir exames de imagem, como ressonância magnética (RM), para verificar possíveis alterações no cérebro, como perda de volume ou mudanças no fluxo sanguíneo, ou uma tomografia por emissão de pósitrons (PET), para detectar a presença de placas amiloides, um sinal característico da doença de Alzheimer.

Em alguns casos, o médico pode recomendar uma avaliação neuropsicológica com um especialista, como um neurologista ou neuropsicólogo. Essa avaliação, que pode durar várias horas, investiga em detalhes as questões cognitivas, como quando surgiram e quais circunstâncias as envolvem. Por exemplo, a pessoa pode ter dificuldades para encontrar as palavras certas ao falar, perder objetos com frequência ou não conseguir lembrar de uma conversa recente.
Causas da perda de memória
A principal causa de perda de memória, especialmente entre os jovens, é a ansiedade. Situações de estresse ativam muitas áreas do cérebro e neurônios, o que pode gerar confusão e dificultar até mesmo tarefas simples, como lembrar de algo. Por esse motivo, lapsos de memória são comuns em momentos de tensão, como durante apresentações, provas ou após eventos estressantes.
O tratamento da ansiedade pode ajudar a restaurar a memória. Atividades relaxantes, como meditação, yoga, exercícios físicos e sessões de psicoterapia, são eficazes. Nos casos mais graves, onde a ansiedade é frequente e intensa, pode ser necessário o uso de ansiolíticos, que devem ser prescritos por um psiquiatra.
Além da ansiedade, a depressão e outras doenças psiquiátricas, como a síndrome do pânico, ansiedade generalizada e transtorno bipolar, também podem causar déficits de atenção e alterar o funcionamento dos neurotransmissores cerebrais, impactando a memória e, em alguns casos, podendo ser confundidas com a doença de Alzheimer. O tratamento com antidepressivos, sob orientação médica, é essencial para melhorar os sintomas, e a psicoterapia também pode ser benéfica.
O hipotireoidismo é uma causa importante de perda de memória, pois, quando não tratado, reduz o metabolismo e afeta o funcionamento cerebral. Além da perda de memória, pode causar sono excessivo, pele seca, unhas e cabelos quebradiços, dificuldades de concentração e cansaço intenso. O tratamento é feito com Levotiroxina, com a dosagem ajustada conforme a gravidade da doença.
A deficiência de vitamina B12, comum em veganos sem acompanhamento nutricional, desnutridos, alcoólatras ou pessoas que passaram por cirurgias bariátricas, também afeta a memória e o raciocínio. A reposição é realizada por meio de alimentação adequada, suplementos ou injeções, especialmente em casos de má absorção.
Certos medicamentos, como sedativos (Diazepam e Clonazepam), anticonvulsivantes, neurolépticos e medicamentos para labirintite, podem causar confusão mental e prejudicar a memória. É importante informar ao médico sobre todos os remédios em uso para que ele possa ajustar ou suspender os medicamentos que afetem a memória.
Distúrbios no sono também podem impactar a memória. A falta de sono adequado, de 6 a 8 horas por noite, dificulta a atenção e o raciocínio. Melhorias podem ser alcançadas com hábitos regulares de sono, como evitar cafeína após as 17h e limitar o uso de celulares e TV na cama. Em casos graves, medicamentos ansiolíticos podem ser prescritos sob orientação médica.
A doença de Alzheimer, uma condição degenerativa do cérebro, afeta principalmente os idosos, prejudicando a memória e, conforme a doença avança, a capacidade de raciocínio, compreensão e controle do comportamento. Outras demências, como a demência vascular, a demência associada ao Parkinson e a demência por corpúsculo de Lewy, também podem causar alterações de memória, especialmente em idosos, e precisam ser diagnosticadas por um médico.
Após o diagnóstico de Alzheimer ou outras demências, o neurologista ou geriatra pode prescrever medicamentos anticolinesterásicos, como Donepezila, além de recomendar terapias ocupacionais e fisioterapia para ajudar o paciente a manter suas funções o maior tempo possível.
Essas situações podem ser evitadas por meio de práticas que estimulam e equilibram o funcionamento do cérebro, como adotar uma alimentação saudável, rica em antioxidantes, reduzir o estresse, praticar atividades físicas e se engajar em leituras e exercícios de concentração.