quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Economia

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5,2%

Estimativa para o PIB é de 2,21% este ano

Maria Eduarda Leãopor em
Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5,2%
| Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,24% para 5,20% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (30), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), em Brasília, com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação permaneceu em 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,83%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em maio, a inflação oficial fechou em 0,26%, pressionada principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial. O resultado mostra desaceleração após o IPCA ter marcado 0,43% em abril. O índice – divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – acumula taxas de 2,75% no ano e de 5,32% em 12 meses.

Leia também: TJ suspende embargo do Aterro Sanitário público a pedido da Prefeitura de Aparecida

Fique por dentro das notícias no Canal do Jornal O Hoje no Whatsapp

Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar do recuo recente da inflação, as incertezas em relação à economia fizeram o colegiado elevar os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, neste mês, sendo o sétimo aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.

Em ata, o Copom informou que deverá manter os juros no mesmo patamar nas próximas reuniões, enquanto observa os efeitos do ciclo de alta da Selic sobre a economia. No entanto, não descartou mais aumentos, caso a inflação suba.

A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro, que não esperava um novo aumento e, nesse cenário, a estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é de que a taxa básica caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente, para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio
A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano se manteve em 2,21% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB – a soma dos bens e serviços produzidos no país) subiu de 1,85% para 1,87%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos.

Puxada pela agropecuária, no primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 1,4%, de acordo com o IBGE.

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,70 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,79. Com informações de Agência Brasil.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Mercado de motos deve chegar a 2,35 milhões de unidades em 2026

NEGÓCIOS

Mercado de motos deve chegar a 2,35 milhões de unidades em 2026

Produção de motos no Brasil cresce 9,9% até setembro e atinge maior nível desde 2008
Economia brasileira volta a crescer e registra alta de 0,5% em agosto, aponta FGV

Crescimento

Economia brasileira volta a crescer e registra alta de 0,5% em agosto, aponta FGV

Após dois meses de retração, Monitor do PIB sinaliza recuperação. No acumulado de 12 meses, exp...
Aviação brasileira bate recorde com quase 100 milhões de passageiros até setembro

em alta

Aviação brasileira bate recorde com quase 100 milhões de passageiros até setembro

A aviação brasileira movimentou 99,5 milhões de passageiros entre janeiro e setembro de 2026, cre...
iPhone dobrável chega às lojas nesta sexta (23) com preço de até R$ 30.999 no Brasil

SONHO DE CONSUMO?

iPhone dobrável chega às lojas nesta sexta (23) com preço de até R$ 30.999 no Brasil

Primeiro modelo dobrável da Apple, iPhone Duo já está em pré-venda; aparelho tem tela de 7,6 pol...
Receita Federal prorroga o prazo de entrega do Imposto de Renda; confira nova data

É HORA DE REVISAR INFORMAÇÕES

Receita notifica quase meio milhão de contribuintes por pendências no Imposto de Renda

Cartas alertam sobre erros que podem ser corrigidos pela internet; contribuintes não precisam ir a ...
Justiça encerra recuperação judicial da Americanas após crise de R$ 20 bilhões

EMPRESA EM CRISE

Justiça encerra recuperação judicial da Americanas após crise de R$ 20 bilhões

Decisão considera cumpridas as obrigações do plano de recuperação; credores ainda podem cobrar ...
Ibovespa recua em dia de cautela eleitoral e queda das ações da Petrobras

ECONOMIA

Ibovespa recua em dia de cautela eleitoral e queda das ações da Petrobras

Índice brasileiro fecha aos 205 mil pontos, enquanto bolsas de Nova York têm resultados distintos ...
Goiás concentra 70,6% das vinícolas do Centro-Oeste

NEGÓCIOS

Goiás concentra 70,6% das vinícolas do Centro-Oeste

Estado foi o único da região a registrar crescimento no número de estabelecimentos em 2025