sexta-feira, 3 de julho de 2026
Saúde

Estudo aponta que pedalar regularmente pode reduzir risco de demência

A demência é uma das principais causas de incapacidade e dependência na terceira idade

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 11 de agosto de 2025
Estudo aponta que pedalar regularmente pode reduzir risco de demência
Estudo aponta que pedalar regularmente pode reduzir risco de demência. | Foto: Reprodução/Canva

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, e da Universidade de Sydney, na Austrália, identificaram uma possível relação entre o hábito de pedalar e a redução do risco de desenvolver demência. O estudo, divulgado na revista científica JAMA Network Open, sugere que a prática regular do ciclismo pode trazer benefícios para a saúde cerebral e ajudar a prevenir processos neurodegenerativos.

A investigação acompanhou cerca de 500 mil britânicos, com idade média de 56 anos, utilizando registros de saúde pública. Os participantes foram divididos conforme o meio de transporte mais utilizado no dia a dia: não ativos (carro e transporte público), caminhada, caminhada combinada com transporte não ativo e ciclismo, sozinho ou associado a outras formas de locomoção, excluindo-se trajetos de ida e volta ao trabalho.

Em comparação com quem utilizava apenas meios de transporte não ativos, os ciclistas apresentaram 19% menos risco de desenvolver qualquer tipo de demência, 22% menos risco de Alzheimer, 40% menos risco de demência precoce (antes dos 65 anos) e 17% menos risco de demência tardia.

De acordo com os autores, os resultados indicam que incentivar o transporte ativo, em especial o ciclismo, pode trazer impactos significativos para a saúde pública, promovendo uma forma acessível e sustentável de preservação da cognição em adultos de meia-idade e idosos.

As análises de neuroimagem revelaram que os praticantes de ciclismo, inclusive os que o combinavam a outros meios de transporte, apresentaram maior volume de matéria cinzenta em dez regiões do cérebro e maior volume do hipocampo, área crucial para a memória. Entre as possíveis explicações para esse efeito estão o esforço físico, a orientação espacial necessária para o deslocamento, a atenção constante e o contato com ambientes externos.

Os pesquisadores também observaram que os benefícios foram menores em pessoas portadoras da variante genética APOE4, associada a um risco mais elevado de Alzheimer. Apesar de considerar fatores como idade e escolaridade, o estudo ressalta que se trata de uma associação, e não de uma comprovação de causa e efeito.

A demência, condição complexa que afeta milhões de pessoas, é uma das principais causas de incapacidade e dependência na terceira idade. Estima-se que o número de casos no mundo aumente de 55 milhões, em 2019, para 139 milhões até 2050.

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