O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

sábado, 10 de janeiro de 2026
Teste de fogo

Hugo Motta enfrenta teste político com processo contra deputados que travaram Câmara

Presidente da Câmara dos Deputados avalia punições a 14 parlamentares que ocuparam o plenário e paralisaram os trabalhos; oposição teme cassações e líder do PL assume responsabilidade para poupar aliados

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 11 de agosto de 2025
Hugo Motta enfrenta teste político com processo contra deputados que travaram a Câmara
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Bruno Goulart

O corregedor da Câmara dos Deputados, Diego Coronel (PSD-BA), pretende apresentar até a próxima quarta-feira (13) os pareceres sobre processos disciplinares contra 14 parlamentares acusados de bloquear o plenário e impedir os trabalhos da Casa. O episódio ocorreu em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e durou mais de 30 horas.

As denúncias envolvem deputados de três partidos: PL, PP e Novo. Entre eles estão os líderes Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Zucco (PL-RS) e Marcel Van Hattem (Novo-RS), além de nomes como Carlos Jordy (PL-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF) e Julia Zanatta (PL-SC). Segundo Coronel, a análise técnica poderá incluir outros parlamentares.

O caso será avaliado pela Corregedoria antes de seguir para o Conselho de Ética. Pelo regimento, o parecer poderá recomendar desde advertências verbais até a suspensão do mandato por até 180 dias. Desde 2023, a Câmara conta com um rito sumário, que permite suspender um deputado antes da conclusão do processo, mediante confirmação posterior pelo Conselho.

Leia mais: Damares Alves pede punição a influenciador acusado de sexualizar menores

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende que a Casa seja “pedagógica” nas punições. O parlamentar foi impedido de se sentar na cadeira da presidência durante o ato e classificou a ação como “grave”. Para aliados, a decisão sobre as sanções será um teste de liderança no início de seu mandato.

Mea culpa

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, afirma ter organizado a manifestação e diz que, se houver punição, ela deve recair sobre ele e os líderes, não sobre todos os envolvidos. “Eles estavam sendo liderados por mim. Eu organizei tudo. Se Hugo for punir alguém, que seja eu”, declarou.

Já o PT apresentou pedido de suspensão do mandato de cinco parlamentares: Julia Zanatta (PL-SC), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Marcos Pollon (PL-MS). A oposição, por sua vez, pressiona pela votação de propostas que motivaram o protesto, como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado. Sóstenes diz haver “acordo informal” entre líderes para analisar os temas.

O episódio gerou reações no Executivo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que deputados e senadores que impediram o funcionamento do Congresso cometeram “traição à pátria”. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou a ocupação como “inadmissível” e ressaltou que o Parlamento “é o pulmão da democracia”.

A Corregedoria deve abrir prazo de 48 horas, após o recebimento formal das denúncias, para analisar se recomenda o rito sumário ou o encaminhamento regular ao Conselho de Ética. Caso a suspensão imediata seja aplicada, o deputado ainda poderá ser julgado formalmente, com possibilidade de cassação.

Hugo Motta já utilizou esse mecanismo em dois casos recentes — contra Gilvan da Federal (PL-ES) e André Janones (Avante-MG) — e ambos foram confirmados pelo Conselho. Agora, a situação exige cautela: a aplicação de punições severas pode gerar tensão com a oposição, enquanto a ausência de medidas duras pode enfraquecer sua autoridade.

Diego Coronel também pretende se reunir com os demais membros da Mesa Diretora para discutir as ações disciplinares. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Veja também