terça-feira, 16 de junho de 2026
curva da demográfica

Mais mulheres, menos homens

PNAD Contínua 2024 mostra o menor índice histórico de homens por mulheres no Brasil

Luana Avelarpor Luana Avelar em 25 de agosto de 2025
Mais mulheres, menos homens
Foto: FreePik

O Brasil entrou em um novo patamar demográfico: segundo a PNAD Contínua 2024, divulgada pelo IBGE, há apenas 92 homens para cada 100 mulheres. Trata-se do menor índice já registrado e de um processo de feminilização que se intensifica ano após ano.

Embora meninos ainda nasçam em número superior, a vantagem se dissolve com o tempo. As estatísticas revelam que homens morrem mais cedo e em maior volume, vítimas de violência, acidentes de trânsito e doenças cardiovasculares, além da resistência em buscar atendimento médico. “A diferença se acentua com a idade”, explicou o pesquisador William Kratochwill, em entrevista ao Terra.

O retrato é ainda mais contundente entre os idosos. Acima dos 60 anos, a discrepância explode: no Rio de Janeiro, a razão é de 70 homens para cada 100 mulheres; em São Paulo, 77. A média nacional é de 80. O país envelhece com uma maioria feminina cada vez mais ampla.

Não se trata de um movimento recente. Em 2012, eram 99 homens para cada 100 mulheres. A queda foi gradual até 2018 e se acentuou nos últimos anos, culminando no dado atual. A estatística, porém, vai além da contagem: antecipa impactos sociais e políticos de grande escala.

A maior longevidade feminina, somada ao rápido envelhecimento populacional, remodela dinâmicas familiares e econômicas. Mulheres idosas acumulam jornadas de cuidado, enfrentam risco de solidão e sofrem desigualdades de renda e aposentadoria. O quadro impõe ao Estado a urgência de políticas públicas robustas ao gênero.

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