sexta-feira, 31 de julho de 2026
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Manda Vê com Elas recebe Bárbara Porto

À frente da Bah Porto, empresária conta como deixou o Direito, reformulou a identidade das peças e estruturou o crescimento da empresa

Luana Avelarpor Luana Avelar em 30 de julho de 2026 às 21:00
Manda Vê
Foto_ Gabriel Louza_ O Hoje

Antes de comandar uma marca de jóias autorais, Bárbara Porto vendia peças entre as aulas da faculdade de Direito e no escritório de advocacia onde trabalhou por seis meses. A origem da Bah Porto foi reconstituída pela empresária no episódio do Manda Vê com Elas exibido na última quarta-feira (29), sob apresentação de Marília Sylwitch e Ludmila Pain.

O negócio começou quando Bárbara tinha entre 16 e 17 anos. Em uma loja de insumos de Goiânia, comprou metal, cola e strass para montar um brinco. A primeira peça foi vendida a uma amiga da irmã por R$15. O valor retornou à compra de materiais, numa operação doméstica, ainda sem CNPJ, máquina de cartão ou estrutura de produção.

A graduação seguiu em paralelo. Bárbara concluiu o curso e foi aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, embora já soubesse que não pretendia permanecer na área. A passagem pelo escritório confirmou a mudança de direção: as peças levadas para as colegas ocupavam mais espaço em sua rotina do que a advocacia.

O primeiro endereço de trabalho veio por intermédio de uma amiga, que lhe cedeu parte de uma loja. Quando o espaço deixou de estar disponível, a produção voltou para a casa da mãe. O passo seguinte foi o aluguel de uma pequena sala, por R$600, onde fabricação, estoque, atendimento e expedição dividiam o mesmo ambiente. O mobiliário veio do antigo escritório do pai; a irmã pagou a pintura.

A mudança mais importante não ocorreu com a abertura de uma loja, mas com a decisão de abandonar o que ainda era vendido. Bárbara deixou de se reconhecer nos maxicolares, nas miçangas e no excesso de strass da primeira fase. Doou o estoque e passou a trabalhar com formas metálicas, solda e, mais tarde, fundição. Como não dominava desenho técnico, organizava as ideias em esboços e referências capazes de orientar quem executava as peças.

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A identidade atual da Bah Porto nasceu da recusa em repetir um produto que já não correspondia ao olhar da criadora. O mesmo movimento apareceu na imagem pessoal de Bárbara, que associou a transformação do guarda-roupa e do modo de se apresentar ao amadurecimento do desenho das joias. Para a empresária, os acessórios não servem apenas como ornamento: comunicam intenção, posição e desejo de não passar despercebida.

A abertura da loja no Jardim América, em Goiânia, representou outra inflexão. Para viabilizar o projeto, Bárbara escolheu investir no ponto comercial em vez de priorizar a festa de casamento. O então noivo lhe emprestou R$70 mil, com prazo de 24 meses para pagamento. A dívida foi quitada em seis. A história também expõe o cálculo por trás da expansão: o risco foi assumido quando o faturamento já permitia enxergar uma operação mais estável.

Hoje, a Bah Porto reúne 30 funcionários, além de profissionais terceirizados ligados à fabricação. Bárbara permanece no comando da direção criativa e acompanha campanhas, fotografias, desenho e acabamento, mas já não concentra todas as etapas. Gestores de diferentes áreas passaram a participar do desenvolvimento das peças. Dados de vendas, custos, margem e informações do relacionamento com clientes entraram no processo antes guiado sobretudo pela percepção da fundadora.

A empresa também passou por uma revisão de marca. O nome Bárbara Porto foi reduzido para Bah Porto numa tentativa de aproximar a identidade visual da força das joias e diminuir a dependência da imagem pessoal da criadora. A mudança, porém, ainda convive com o reconhecimento acumulado pelo nome anterior entre clientes e revendedoras.

A conversa não permaneceu restrita à expansão comercial. Grávida do segundo filho, Bárbara falou sobre ansiedade, maternidade e a dificuldade de admitir cansaço depois de anos sustentando uma postura pública expansiva. Também relatou o período de tentativas para engravidar e as perdas gestacionais enfrentadas antes da gravidez atual. O tema apareceu ligado à fronteira estreita entre a empresária e a mulher que dá rosto à própria marca.

Ao reunir o brinco vendido por R$15, a formação jurídica deixada de lado, o pequeno espaço de produção e a estrutura atual, o episódio desmonta a narrativa do crescimento instantâneo. Na história de Bárbara Porto, a empresa avançou por decisões sucessivas, algumas mantidas e outras revistas, acompanhadas pela disposição de mudar quando o produto, a imagem ou a gestão deixavam de responder ao estágio seguinte do negócio.

O episódio completo com Bárbara Porto está disponível no canal do podcast Manda Vê no YouTube.

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