terça-feira, 21 de julho de 2026
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Manda Vê: Bruno e Denner contam como Gusttavo Lima formou a dupla

No Manda Vê, cantores relembram o encontro que definiu a carreira, a estreia interrompida pela pandemia e os anos de estrada antes do palco

Luana Avelarpor Luana Avelar em 21 de julho de 2026 às 18:30
Bruno e Denner

Um arroz com frango preparado depois de uma partida de futebol, na fazenda de Gusttavo Lima, mudou o rumo de duas carreiras que seguiam separadas. Era dezembro de 2019. A maior parte dos convidados já havia ido embora quando Bruno e Denner permaneceram na casa. Entre conversa e violão, os dois cantaram uma composição que conheciam. Gusttavo ouviu a combinação das vozes e lançou a pergunta que, no dia seguinte, virou decisão: “Por que vocês não fazem uma dupla?”.

No podcast Manda Vê, apresentado por Juan Allaesse e Isadora Carvalho, os mineiros reconstituíram a cena. Antes daquela noite, os dois acumulavam quase duas décadas de música. Começaram a cantar e compor por volta dos 11 ou 12 anos, mantiveram projetos individuais, dividiram palcos e se encontraram em rodas de composição. Eram amigos do ofício, mas ainda não tinham a convivência diária exigida por uma dupla.

O ponto de aproximação ocorreu em Goiânia, em 2018. Bruno havia enviado uma composição a Gusttavo Lima e recebeu o convite para gravá-la ao lado do cantor. Também deveria passar alguns dias na capital goiana para escrever com Denner, que já frequentava casas de composição. Bruno desembarcou com R$100 no bolso e a expectativa de conseguir uma venda antes que o dinheiro terminasse.

Na terça-feira daquela semana, os dois participaram da criação de “Final do Fim”. A guia ficou pronta no mesmo dia e a exclusividade foi negociada por cerca de R$10 mil, divididos entre quatro compositores. Para Bruno, que havia chegado sem recursos para permanecer muito tempo na cidade, a venda mostrou que a composição poderia deixar de ser apenas uma aposta. Ele se mudou para Goiânia e passou a trabalhar com o grupo de Denner.

A mudança também encerrou um período difícil para Denner. Depois de anos como cantor solo, inclusive sob o nome de Dener Ferrari, ele havia reduzido as apresentações e concentrado esforços na composição. Em Londrina, enfrentou desgaste emocional e a sensação de que as músicas não encontravam saída. Em Goiânia, conseguiu a primeira gravação em cerca de um mês e decidiu permanecer na cidade.

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A formação da dupla ocorreu sem planejamento prévio. Nenhum deles procurava um parceiro. Gusttavo ouviu uma harmonia surgida de maneira despretensiosa e determinou que o nome fosse registrado na manhã seguinte. Em poucos dias, Bruno e Denner escolheram repertório, montaram equipe e iniciaram os ensaios. A primeira apresentação oficial estava marcada para 27 de março de 2020, em Campo Grande. A agenda previa entre 12 e 15 shows por mês.

A pandemia interrompeu o lançamento antes da estreia. A equipe já estava contratada, as despesas começaram a chegar e os palcos desapareceram. Quando as restrições foram parcialmente flexibilizadas, a dupla criou o projeto “De Bar em Bar” e passou a se apresentar em espaços menores, diante de plateias sentadas e de máscaras. O formato manteve o trabalho em circulação e deu aos cantores tempo para dividir frases, ajustar tonalidades e encaixar as vozes.

A convivência obrigou cada um a entender o tempo, a respiração e o modo de interpretação do outro. O entrosamento nasceu de ensaios, viagens e correções feitas durante o trabalho.

Os cantores também contestaram a ideia de que números nas redes sociais substituem a experiência dos palcos. Ambos passaram pela chamada escola do boteco, com apresentações longas, cachês pequenos e críticas feitas sem filtro. Para eles, esse circuito criou resistência emocional e capacidade de reação diante de imprevistos. Um sucesso instantâneo, argumentaram, ainda exige repertório, equipe e preparo para continuar depois do primeiro vídeo viral.

Essa leitura orienta o novo momento da dupla. Bruno e Denner disseram que não pretendem reproduzir automaticamente a sonoridade dominante do sertanejo nem correr atrás de uma música feita apenas para circular nas plataformas. O projeto em preparação é autoral e busca identidade nos arranjos, no violão e na combinação das vozes. O trabalho anterior, gravado em 2024, reuniu 18 músicas produzidas em cerca de um mês. Agora, a decisão é reduzir a pressa e ampliar o controle sobre cada escolha.

Ao longo do podcast, Bruno e Denner cantaram e recordaram a época em que atuavam separadamente. Também discutiram o peso físico e mental dos bastidores. A dupla que nasceu de uma pergunta feita durante um jantar segue apoiada em uma resposta menos imediata: construir público sem pular etapas. O episódio completo está disponível no canal do Manda Vê no YouTube.

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