No podcast Manda Vê, especialista faz alerta para fraudes com IA
Willard Ribeiro explica como golpes com imagem, vídeo e áudio driblam detectores e ameaçam bancos, seguradoras e pessoas físicas
A inteligência artificial deixou de ser só uma ferramenta de produtividade e passou a fazer parte do repertório de quem aplica fraudes digitais. Foi esse o alerta dado no podcast Manda Vê exibido na última segunda-feira (13), apresentado por Juan Allaesse e Isadora Carvalho. O convidado Willard Ribeiro mostrou que a mesma tecnologia usada para acelerar tarefas do dia a dia também derrubou a barreira técnica que antes limitava esse tipo de golpe: hoje, um comando de texto basta para produzir imagens, vídeos e áudios capazes de enganar bancos, seguradoras e pessoas comuns.
Engenheiro eletricista, mestre e doutorando em Engenharia de Produção e Sistemas, Willard atua como professor, pesquisador e especialista em inteligência artificial aplicada a operações de serviços. O trabalho reúne IA forense, confiabilidade de evidências digitais e combate a fraudes produzidas com inteligência artificial. Ele também lidera a comunidade IA Forense Brasil, formada por pesquisadores e profissionais vinculados ao ecossistema da AI Brasil.

A principal mudança apontada pelo especialista está na simplificação do acesso. Antes, o fraudador precisava compreender softwares, procedimentos e etapas técnicas para criar uma peça falsa ou manipular um arquivo. Com as ferramentas generativas, parte desse conhecimento foi substituída por instruções escritas. Um prompt bem construído pode orientar a produção de imagens, áudios, vídeos, textos e documentos com aparência convincente.
O risco aumenta quando esses comandos circulam prontos. Willard explicou que há grupos nos quais prompts voltados a práticas fraudulentas são compartilhados entre usuários. Nesse ambiente, quem não domina a tecnologia pode copiar uma instrução e reproduzir uma ação criada por outra pessoa. A fraude deixa de depender da habilidade individual de um operador e passa a ser replicada por meio de fórmulas já testadas.
A observação desloca o debate sobre segurança digital. O problema não está apenas na existência de ferramentas sofisticadas, mas na distribuição de comandos capazes de orientar seu uso. A inteligência artificial transforma a linguagem comum em ação técnica. Para o usuário legítimo, isso representa facilidade. Para o fraudador, significa acesso a recursos antes restritos a quem possuía formação ou experiência específica.
É nesse ponto que a IA forense ganha relevância. Willard definiu a área como o campo voltado à identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial. A análise não se restringe a fotografias alteradas. Vídeos, gravações de voz, textos e documentos também entram no escopo de investigação quando há dúvida sobre origem, autoria ou integridade.
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A amplitude do problema apareceu durante a conversa. Isadora Carvalho contou que usa inteligência artificial com frequência, inclusive para ajustar fotos que publica nas redes, como corrigir iluminação ou reconstruir cenas de restaurante. O relato expôs uma característica da tecnologia: o mesmo recurso empregado de maneira cotidiana pode produzir materiais difíceis de distinguir de um registro autêntico.
O texto escrito também integra esse campo. Durante o programa, os participantes lembraram as dúvidas enfrentadas por universidades diante de artigos e trabalhos acadêmicos produzidos por sistemas generativos. A pergunta sobre autoria ganhou complexidade porque as plataformas passaram a redigir respostas extensas, organizar argumentos e imitar padrões de escrita a partir de comandos simples.
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A confiabilidade das evidências digitais, área de pesquisa de Willard, torna-se decisiva nesse cenário. Antes de aceitar um arquivo como prova de um fato, é necessário investigar se ele foi criado ou alterado com auxílio de inteligência artificial. A aparência de autenticidade, sozinha, já não basta. Quanto mais realista o material, maior a necessidade de procedimentos capazes de examinar sua origem.
É dessa disputa que o episódio do Manda Vê tratou: de um lado, sistemas que tornam a criação de conteúdo mais rápida e acessível; de outro, especialistas que trabalham para reconhecer o momento em que essa facilidade se converte em fraude. A entrevista completa com Willard Ribeiro está disponível no canal do podcast Manda Vê, no YouTube.
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