quarta-feira, 8 de julho de 2026
SAÚDE MENTAL E ALIMENTAÇÃO

Saúde mental e alimentação guiam conversa no Manda Vê

Podcast recebeu Fernanda Larralde e Daniela Londe para discutir obesidade, compulsão alimentar, menopausa e os impactos emocionais da relação com a comida

Luana Avelarpor Luana Avelar em 8 de julho de 2026 às 22:00
alimentação
Foto: Gabriel Louza/ O HOJE

A relação entre comida, corpo e saúde mental conduziu a conversa do podcast Manda Vê na última segunda-feira (6). Apresentado por Juan Allaesse e Isadora Carvalho, o episódio recebeu a nutricionista Fernanda Larralde e a psiquiatra Daniela Londe para discutir obesidade, compulsão alimentar, menopausa, ansiedade e os limites de uma cultura que transforma doença em julgamento moral.

O encontro partiu de uma constatação comum aos consultórios das convidadas: emagrecer raramente é apenas questão de força de vontade. Daniela, formada pela PUC-GO, especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e doutora em Ciências da Saúde pela UFG, afirmou que obesidade e transtornos mentais mantêm relação de mão dupla. A obesidade aumenta em cerca de 50% o risco de quadros depressivos, enquanto certos tipos de depressão também elevam a chance de ganho de peso.

A médica citou a depressão atípica como exemplo de quadro em que fome em excesso, sono aumentado e falta intensa de energia podem empurrar o paciente para o ganho de peso. Nesses casos, dietas rígidas ou discursos sobre disciplina falham porque ignoram a base emocional e biológica do problema. Para Daniela, mais de 50% dos pacientes com obesidade apresentam quadro psiquiátrico, o que torna o acompanhamento integrado uma necessidade clínica.

Fernanda Larralde, nutricionista e criadora de conteúdo sobre saúde e alimentação, reforçou a importância de trocar a cobrança pelo acolhimento. Ela afirmou que muitos pacientes chegam depois de tentativas frustradas, planos restritivos e experiências marcadas por culpa. Na avaliação da nutricionista, o problema não está apenas no alimento, mas no que antecede a escolha alimentar.

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O episódio também abordou a ideia, comum nas redes sociais, de que certos alimentos podem curar ou causar depressão. Daniela fez uma ressalva: não há alimento específico capaz de provocar ou curar um quadro depressivo. O que existe, segundo ela, são padrões alimentares que podem favorecer a inflamação, desorganizar o humor ou auxiliar o tratamento. Dietas baseadas em alimentos in natura, frutas, vegetais e proteínas tendem a atuar de forma mais favorável do que ultraprocessados.

Fernanda explicou que a inflamação crônica de baixo grau não aparece como evento imediato, mas como resultado de hábitos repetidos diariamente. Excesso de açúcar, ultraprocessados, álcool, estimulantes e pouco sono formam um terreno que compromete metabolismo, imunidade e disposição.

As chamadas canetas emagrecedoras ocuparam parte central da entrevista. Daniela defendeu que os análogos de GLP-1 representam avanço para pacientes com indicação médica, sobretudo em casos graves, compulsão alimentar e obesidade de difícil tratamento. Ao mesmo tempo, alertou para o uso sem necessidade clínica, associado à busca pelo corpo perfeito e à pressão estética.

Fernanda destacou que o medicamento não substitui mudança de estilo de vida. Como pode reduzir o apetite e retardar o esvaziamento gástrico, o uso sem orientação pode levar a baixa ingestão de proteínas, fibras, vitaminas e minerais. A perda de massa muscular desacelera o metabolismo e pode comprometer resultados futuros.

A conversa também passou pelo climatério e pela menopausa, área em que Fernanda atua com maior frequência. A nutricionista explicou que a oscilação e a queda do estradiol podem favorecer acúmulo de gordura abdominal, alterações de humor e fome emocional. Ainda assim, afirmou que ganho de peso não deve ser tratado como destino inevitável. Com acompanhamento adequado, o emagrecimento pode aparecer como consequência da melhora global da saúde.

Ao tratar da compulsão alimentar, Daniela diferenciou o transtorno de episódios comuns de exagero à mesa. Compulsão, explicou, envolve perda de controle, grande ingestão em curto período, vergonha e sofrimento. A psiquiatra ressaltou que muitos episódios acontecem escondidos, o que reforça a necessidade de diagnóstico e tratamento. O episódio completo está disponível no canal do YouTube do Manda Vê.

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