sábado, 17 de outubro de 2026
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No Manda Vê com Elas, Anita Bufaiçal compartilha trajetória no agronegócio

Anita considera um privilégio ter crescido nesse ambiente e ressaltou a forte relação com o campo

Leticia Mariellepor em
Anita
No Manda Vê com Elas, Anita Bufaiçal compartilha trajetória no agronegócio. | Foto: Manda Vê

A empresária, pecuarista e médica-veterinária Anita Bufaiçal foi a convidada do podcast Manda Vê com Elas, apresentado por Marília Sylwitch e Ludmila Pain, exibido na quinta-feira (25). Durante a conversa, ela falou sobre sua trajetória no agronegócio, a conexão com o campo e a importância da colaboração entre as pessoas para o desenvolvimento do setor.

Nascida em uma família ligada ao agro, Anita contou que, durante a adolescência, chegou a tentar seguir outros caminhos, mas, com o passar do tempo, compreendeu que sua verdadeira essência estava no campo. “O agro é a minha raiz. É de onde toda a minha família veio e é onde eu me encontro”, afirmou.

Ela destacou ainda que considera um privilégio ter crescido nesse ambiente e ressaltou a forte relação entre quem vive no campo e a fé. Segundo Anita, o cotidiano no agronegócio ensina sobre resiliência e reforça a confiança em Deus diante dos desafios. “A vida não é fácil para ninguém, mas é muito difícil encontrar alguém no campo que não tenha fé. As pessoas veem as coisas acontecerem, Deus se prova o tempo todo, e isso cria uma conexão muito forte”, disse.

Durante o episódio, Anita também comentou sobre um projeto voltado para mulheres do agronegócio, que promove palestras e encontros. Entre os temas debatidos, ela destacou uma palestra sobre agrofloresta realizada durante um evento em 2025.

Ao compartilhar um dos ensinamentos apresentados no encontro, Anita explicou que o processo de reflorestamento começa com espécies rasteiras, passa por plantas de médio porte e, somente depois, permite o crescimento de árvores maiores, como o jatobá. Segundo ela, esse ciclo serve como uma metáfora para a vida.

“O reflorestamento começa com um simples pé de mandioca para que, no futuro, uma árvore como o jatobá possa nascer. Com a gente também é assim. Ninguém cresce sozinho. Precisamos uns dos outros, e cada pessoa tem um papel importante no mundo”, concluiu.

Ao abordar sua relação com a religião, Anita Bufaiçal revelou que passou por um período em que se afastou da fé, mas disse tê-la reencontrado com o nascimento da primeira filha. Segundo ela, a maternidade transformou sua forma de enxergar Deus e fortaleceu sua espiritualidade.

Anita
Anita Bufaiçal reconheceu que o preconceito ainda faz parte da realidade de muitas profissionais do setor, embora sua experiência pessoal tenha sido diferente. | Foto: Manda Vê

Durante a conversa, a empresária afirmou que vê Deus como um pai e relacionou essa percepção à própria experiência como mãe. “Deus é um pai. E eu, como mãe, sei o que um pai deseja para um filho: sempre o melhor. Mesmo quando coloco minha filha de castigo, fico triste, mas sei que é necessário. Deus é essa certeza de que posso me entregar. Por mais difícil que esteja o momento, lá na frente haverá algo melhor”, declarou.

Mulher no agro 

Ao ser questionada por Marília Sylwitch sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no agronegócio, Anita Bufaiçal reconheceu que o preconceito ainda faz parte da realidade de muitas profissionais do setor, embora sua experiência pessoal tenha sido diferente.

A empresária contou que sua mãe ficou viúva ainda jovem e assumiu a administração das fazendas da família, tornando-se líder do grupo há cerca de 30 anos. Segundo Anita, esse histórico fez com que ela crescesse em um ambiente onde a presença feminina na gestão já era respeitada.

“Minha mãe ficou viúva muito cedo e começou a comandar as fazendas. Nosso grupo sempre foi liderado por uma mulher. Quando cheguei, ela já estava nessa posição havia quase dez anos e era muito respeitada, tanto pelos funcionários quanto pelos representantes. Por isso, nessa fase, eu não sofri tanto preconceito”, afirmou.

Apesar da própria vivência, Anita disse que, ao passar a falar mais abertamente sobre o agronegócio, passou a ouvir relatos de outras mulheres que enfrentaram situações de discriminação. Segundo ela, os episódios de preconceito muitas vezes começam dentro da própria família e se estendem ao ambiente de trabalho.

Ao refletir sobre sua trajetória no agronegócio, Anita Bufaiçal afirmou que reconhece os privilégios que teve ao crescer em uma família liderada por uma mulher forte e determinada. Segundo ela, a mãe foi sua principal referência e teve papel fundamental em sua formação.

“Tenho total certeza de que vim de um lugar privilegiado. Minha mãe é essa fortaleza. Hoje eu recordo o quanto ela me protegeu. Ela comandava uma fazenda no Xingu, um lugar difícil e perigoso, e sempre foi muito corajosa”, relembrou.

Apesar do ambiente de apoio dentro da família, Anita contou que, no início da carreira, precisou conquistar a confiança de muitas pessoas e provar sua capacidade por ser mulher. “Quando a gente ainda não tem experiência, as pessoas desacreditam de você. Eu precisava mostrar e provar que era capaz”, afirmou.

Ela recordou um episódio marcante vivido durante uma visita à fazenda, quando acompanhava o trabalho no curral. Segundo Anita, um homem passou boa parte da atividade colocando seus conhecimentos à prova, mas, ao final, reconheceu sua competência. “Ele me testou o tempo todo. Quando terminamos, disse que precisava levar o filho para me conhecer, porque ele precisava ver como eu trabalhava. Aquilo fez o meu dia”, contou. 

Durante o episódio, Ludmila Pain perguntou a Anita Bufaiçal como é construir conhecimento em um setor que ainda tem predominância masculina. Em resposta, a empresária destacou que o aprendizado é contínuo e relembrou que o agronegócio não era seu plano inicial de carreira.

“A gente está sempre aprendendo e estudando. Como eu falei, esse não era o meu plano A. Meu irmão era muito bom no que fazia e, quando entrei nesse mundo, pensei que precisava ser um pouquinho do que ele era”, afirmou.

Anita explicou que a família atua na área de genética animal e melhoramento genético, um segmento que exige constante atualização, conhecimento técnico e investimento em tecnologia. Segundo ela, o irmão sempre teve grande aptidão para essa área e serviu como referência no início de sua trajetória. “Nós trabalhávamos com genética de animais e melhoramento genético, um campo que envolve muito estudo e tecnologia. Meu irmão tinha um dom para isso”, relatou. 

Para conhecer mais sobre a trajetória de Anita Bufaiçal, sua atuação no agronegócio e os demais negócios que lidera, além de acompanhar outros temas abordados durante a conversa, pode assistir ao episódio completo do podcast Manda Vê com Elas, disponível no canal oficial do programa no YouTube. 

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