Férias exigem atenção redobrada para evitar desaparecimento de crianças
Brasil registrou quase 24 mil casos envolvendo menores de 18 anos em 2025; identificação, ponto de encontro e supervisão constante estão entre as principais medidas preventivas
O período de férias para muitas pessoas é um momento de alívio e diversão, principalmente para crianças e adolescentes que aproveitam esse momento para viajar e passear com os pais. Com isso, há um aumento da circulação de famílias em parques, praias, shoppings, eventos e pontos turísticos, mas especialistas alertam para os cuidados nesses momentos.
A atenção com as crianças deve ser redobrada. Medidas simples de prevenção podem reduzir o risco de desaparecimento e facilitar a localização em situações de desencontro. Um levantamento do g1 mostrou que o Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em 2025.
No último ano foram registrados, em média, 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes por dia, número 8% superior ao observado em 2024, quando a média foi de 60 casos diários. Entre os menores de 18 anos desaparecidos no período, 14.658, cerca de 61%, eram do sexo feminino, enquanto 9.159, aproximadamente 38%, eram do sexo masculino. Em outros 102 registros, o sexo não foi informado.
A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, criada pela Lei nº 13.812, de 16 de março de 2019, define medidas de prevenção, localização e atendimento às famílias, além de estabelecer a integração entre os órgãos envolvidos nas buscas.
Cuidados podem evitar desaparecimentos
Entre as recomendações aos responsáveis estão manter as crianças sempre próximas, definir previamente um ponto de encontro e utilizar pulseiras ou etiquetas de identificação com um telefone para contato. Também é aconselhável fotografá-las no dia do passeio, o que pode facilitar o reconhecimento em caso de desaparecimento.
Os responsáveis devem ainda orientar a criança a procurar policiais, seguranças ou outros profissionais identificados caso se perca. Outra medida preventiva é providenciar um documento oficial de identificação e incentivá-la a carregá-lo.
Segundo o conselheiro tutelar da região Norte de Goiânia e presidente do Colegiado dos Conselheiros Tutelares de Goiânia (PRECON), Rondinelly-Ná Barbosa, os shopping centers são os locais onde mais ocorrem desaparecimentos de crianças. De acordo com o especialista, esses incidentes geralmente acontecem em breves momentos de descuido e a criança, atraída por alguma outra coisa, acaba se perdendo e gerando grande desespero.
Rondinelly-Ná também destaca o fluxo de jovens que viajam para visitar familiares em outros estados, como Maranhão, Tocantins e Pará. Durante viagens ou passeios, de acordo com o conselheiro, é preciso ter cuidado com as pessoas a quem se confia a guarda dos filhos. Para evitar riscos, como abusos, violências ou até mesmo raptos, os menores só devem ser deixados sob a supervisão de pessoas de extrema confiança, que possuam um forte vínculo afetivo com a criança e a família.
Ação rápida é fundamental nas buscas
Em caso de desaparecimento, Rondinelly-Ná destaca que os pais ou responsáveis devem procurar um posto policial ou delegacia de forma imediata para registrar o boletim de ocorrência de desaparecimento. O conselheiro ressalta que é a formalização desse boletim que faz com que todos os órgãos de segurança sejam rapidamente acionados para iniciar as buscas.
O presidente do PRECON também orienta a população sobre como agir ao se deparar com uma criança perdida. Nessa situação, o cidadão deve contatar imediatamente as autoridades competentes, ligando para a Polícia Militar (190) ou acionando o Conselho Tutelar. Essa medida é fundamental para garantir que a criança receba a proteção necessária naquele momento de vulnerabilidade e possa, assim, retornar ao convívio de sua família em segurança.
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