terça-feira, 21 de julho de 2026
ALERTA

Com alta de vírus respiratórios em Goiás, especialista alerta para a bronquiolite

Com alta na circulação de vírus respiratórios durante o inverno, especialista explica quem corre mais risco e como reduzir as chances de complicações

Thais Munizpor Thais Muniz em 21 de julho de 2026 às 17:20
bronquiolite
Especialista alerta para sinais de bronquiolite

O aumento da circulação de vírus respiratórios durante o inverno tem elevado os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Goiás e acendido um alerta para doenças que afetam principalmente crianças pequenas. Entre elas está a bronquiolite, causada na maioria das vezes pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que pode evoluir rapidamente e exigir internação hospitalar nos casos mais graves.

Segundo a médica intensivista pediátrica Thais Miyagui, do Hospital Mater Dei Goiânia, esse crescimento acompanha a sazonalidade dos vírus respiratórios, característica dos meses mais frios do ano.

“Esse aumento é esperado no período de sazonalidade dos vírus respiratórios. A maior permanência das pessoas em ambientes fechados favorece a transmissão do vírus sincicial respiratório, da influenza e de outros vírus respiratórios. Como consequência, observamos um aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave”, explica.

Além do VSR, outros vírus também podem causar bronquiolite, como rinovírus, metapneumovírus humano, adenovírus, parainfluenza, influenza e coronavírus. Em geral, o tratamento é voltado ao alívio dos sintomas, com hidratação, controle da febre, lavagem nasal, fisioterapia respiratória e, quando necessário, suplementação de oxigênio.

Bebês pequenos estão entre os mais vulneráveis

Os bebês com menos de seis meses apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença. Também fazem parte do grupo de maior vulnerabilidade crianças prematuras, com cardiopatias congênitas, doenças pulmonares crônicas, alterações neurológicas ou imunodeficiência. Entre os adultos, idosos e pessoas com doenças crônicas também podem apresentar complicações.

A especialista orienta que pais e responsáveis procurem atendimento médico imediatamente caso a criança apresente respiração acelerada ou com esforço, afundamento das costelas, lábios arroxeados, pausas respiratórias, sonolência excessiva ou dificuldade para mamar e se hidratar.

Nos adultos e idosos, os principais sinais de alerta incluem falta de ar, dor no peito, queda da saturação de oxigênio, febre persistente acompanhada de piora clínica e episódios de confusão mental, especialmente entre pacientes mais velhos.

Apesar da preocupação, Thais ressalta que a maioria das crianças se recupera sem necessidade de internação em terapia intensiva.

“A internação em UTI costuma ser necessária apenas quando há insuficiência respiratória importante, necessidade de suporte ventilatório avançado, hipoxemia persistente, apneias ou comprometimento significativo da alimentação e hidratação.”

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Medidas simples ajudam a prevenir casos graves

Além da higiene frequente das mãos, da ventilação dos ambientes e de evitar o contato de recém-nascidos com pessoas gripadas, a médica destaca que a prevenção contra o VSR avançou nos últimos anos.

“O nirsevimabe representa um importante avanço para proteger lactentes durante a primeira temporada de circulação do vírus, enquanto o palivizumabe permanece indicado para grupos específicos de maior risco. A vacinação materna contra o VSR, quando disponível, também contribui para proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida”, afirma.

A especialista também reforça a importância da vacinação contra a influenza, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, grupos que apresentam maior risco de hospitalização por complicações respiratórias.

Por fim, Thais Miyagui orienta que os sintomas não sejam ignorados quando houver dificuldade para respirar.

“Ao surgirem sinais de dificuldade respiratória, é importante procurar atendimento médico precocemente. O diagnóstico e o tratamento oportunos podem evitar a progressão para formas graves da doença.”

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