Rio Meia Ponte entra em nível crítico em Goiânia e exige plano emergencial da Saneago
Vazão fica abaixo de 5,5 mil litros por segundo, mas não há previsão de racionamento imediato
O Rio Meia Ponte entrou no Nível Crítico 1 de escassez hídrica após a queda da vazão no ponto de captação da Saneago, em Goiânia. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) oficializou o novo estágio por meio da Portaria nº 234/2026, publicada no Diário Oficial de Goiás nesta quarta-feira (23). Apesar da classificação, não há previsão de racionamento ou redução imediata do volume destinado ao abastecimento da população.
A mudança ocorreu após a Média Móvel de 7 Dias (MM7D) da vazão ficar abaixo de 5.500 litros por segundo (L/s), limite estabelecido para o Nível Crítico 1. O monitoramento é realizado pela Superintendência de Recursos Hídricos e Informações Ambientais (SRH/Semad) e pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).
No sábado (19), a vazão aferida foi de 5.376 L/s. Na terça-feira (22), a medição diária caiu para 3.847,3 L/s, menor volume diário registrado em 2026. Na quarta-feira (23), a vazão subiu para 4.283,7 L/s, enquanto a média móvel de sete dias ficou em 4.567,3 L/s.
O nível de criticidade é definido pela média móvel das vazões registradas ao longo de sete dias. Segundo as regras estabelecidas pela Portaria Semad nº 563/2025 e pela Instrução Normativa nº 24/2025, a vazão de referência é calculada a partir das leituras das 7h e das 17h, aplicadas à curva-chave oficial.
A Deliberação nº 021/2022 do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Meia Ponte estabelece seis níveis de criticidade. O Nível de Atenção é acionado quando a MM7D fica igual ou abaixo de 12 mil L/s e prevê campanhas de uso racional da água e divulgação da situação da bacia. O Nível de Alerta ocorre com MM7D igual ou abaixo de 9 mil L/s, com intensificação das campanhas, reuniões com usuários e fiscalização.
No Nível Crítico 1, atualmente em vigor, a captação pública da Saneago é mantida em 2 mil L/s, com vazão mínima de 2 mil L/s a jusante. A companhia também deve apresentar um Plano de Racionamento preventivo aos órgãos reguladores, como a Agência Goiana de Regulação (AGR) e a agência reguladora responsável, além do CBH Meia Ponte, para eventual necessidade operacional.
Caso a MM7D fique igual ou abaixo de 4 mil L/s, a bacia entra no Nível Crítico 2, que prevê redução de 25% na captação de usuários de águas superficiais e subterrâneas a montante, incluindo irrigação, agropecuária e indústria, com exceção do abastecimento público e da dessedentação animal. A captação pública permanece em 2 mil L/s.
No Nível Crítico 3, acionado com MM7D igual ou abaixo de 3 mil L/s, a redução da captação dos demais usuários a montante passa a ser de 50%. A captação pública é reduzida gradativamente até 1 mil L/s, com possibilidade de liberação de vazões em barramentos privados. Já o Nível Crítico 4 é acionado com MM7D igual ou abaixo de 2 mil L/s. Nessa situação, permanece a redução de 50% para irrigação e indústria, enquanto a captação pública fica em 1 mil L/s, com vazão a jusante podendo tender a zero.
A saída de qualquer nível crítico ocorre quando a média móvel de sete dias permanece acima do limite correspondente durante três dias consecutivos.
Embora a medição de 3.847,3 L/s tenha sido a menor do ano, o volume ficou próximo da média histórica registrada para 22 de setembro, de 3.808,9 L/s. Também permaneceu acima dos menores níveis históricos registrados em 2019 e 2021, quando o rio chegou a 1.903 L/s e 1.958 L/s, respectivamente. Os dados consolidados do dia 22 indicavam média móvel de 4.633,7 L/s e 15 dias consecutivos sem chuva na região.
Abastecimento
A Saneago informou que os sistemas de abastecimento dos 223 municípios operados pela companhia funcionam regularmente. Em Goiânia, o abastecimento é realizado por três estações de tratamento que utilizam os mananciais Ribeirão João Leite e Rio Meia Ponte.
O Ribeirão João Leite responde por 64% do abastecimento da Capital, por meio dos sistemas Mauro Borges e Jaime Câmara. A barragem estava com 83% da capacidade, equivalente a 129 bilhões de litros. A ETA Mauro Borges tem capacidade para tratar até 4 mil L/s, enquanto a ETA Jaime Câmara pode tratar até 2 mil L/s.
Os outros 36% do abastecimento de Goiânia são provenientes do Rio Meia Ponte, por meio da ETA Meia Ponte, com capacidade de tratamento de até 2 mil L/s.
Os sistemas são interligados pela Adutora de Integração, que pode reforçar o Sistema Meia Ponte com até 800 L/s provenientes do João Leite, e pela Conexão Cristina, equipamento com capacidade de operação de até 2.124 L/s. A estrutura permite transferir água reservada no João Leite para regiões atendidas pelo Meia Ponte.
A companhia também informou que reduziu as perdas na distribuição para 21,5%, índice inferior à meta de 25% estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento para 2033. Segundo a Saneago, Goiânia é a capital com menor índice de perdas do Brasil pelo quinto ano consecutivo.
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