sábado, 17 de outubro de 2026
abastecimento

Rio Meia Ponte entra em nível crítico em Goiânia e exige plano emergencial da Saneago

Vazão fica abaixo de 5,5 mil litros por segundo, mas não há previsão de racionamento imediato

Anna Salgadopor em
Rio Meia Ponte entra em nível crítico em Goiânia e exige plano emergencial da Saneago
Apesar da classificação, abastecimento segue regular e não há previsão de racionamento imediato Foto: Reprodução

O Rio Meia Ponte entrou no Nível Crítico 1 de escassez hídrica após a queda da vazão no ponto de captação da Saneago, em Goiânia. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) oficializou o novo estágio por meio da Portaria nº 234/2026, publicada no Diário Oficial de Goiás nesta quarta-feira (23). Apesar da classificação, não há previsão de racionamento ou redução imediata do volume destinado ao abastecimento da população.

A mudança ocorreu após a Média Móvel de 7 Dias (MM7D) da vazão ficar abaixo de 5.500 litros por segundo (L/s), limite estabelecido para o Nível Crítico 1. O monitoramento é realizado pela Superintendência de Recursos Hídricos e Informações Ambientais (SRH/Semad) e pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).

No sábado (19), a vazão aferida foi de 5.376 L/s. Na terça-feira (22), a medição diária caiu para 3.847,3 L/s, menor volume diário registrado em 2026. Na quarta-feira (23), a vazão subiu para 4.283,7 L/s, enquanto a média móvel de sete dias ficou em 4.567,3 L/s.

O nível de criticidade é definido pela média móvel das vazões registradas ao longo de sete dias. Segundo as regras estabelecidas pela Portaria Semad nº 563/2025 e pela Instrução Normativa nº 24/2025, a vazão de referência é calculada a partir das leituras das 7h e das 17h, aplicadas à curva-chave oficial.

A Deliberação nº 021/2022 do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Meia Ponte estabelece seis níveis de criticidade. O Nível de Atenção é acionado quando a MM7D fica igual ou abaixo de 12 mil L/s e prevê campanhas de uso racional da água e divulgação da situação da bacia. O Nível de Alerta ocorre com MM7D igual ou abaixo de 9 mil L/s, com intensificação das campanhas, reuniões com usuários e fiscalização.

No Nível Crítico 1, atualmente em vigor, a captação pública da Saneago é mantida em 2 mil L/s, com vazão mínima de 2 mil L/s a jusante. A companhia também deve apresentar um Plano de Racionamento preventivo aos órgãos reguladores, como a Agência Goiana de Regulação (AGR) e a agência reguladora responsável, além do CBH Meia Ponte, para eventual necessidade operacional.

Caso a MM7D fique igual ou abaixo de 4 mil L/s, a bacia entra no Nível Crítico 2, que prevê redução de 25% na captação de usuários de águas superficiais e subterrâneas a montante, incluindo irrigação, agropecuária e indústria, com exceção do abastecimento público e da dessedentação animal. A captação pública permanece em 2 mil L/s.

No Nível Crítico 3, acionado com MM7D igual ou abaixo de 3 mil L/s, a redução da captação dos demais usuários a montante passa a ser de 50%. A captação pública é reduzida gradativamente até 1 mil L/s, com possibilidade de liberação de vazões em barramentos privados. Já o Nível Crítico 4 é acionado com MM7D igual ou abaixo de 2 mil L/s. Nessa situação, permanece a redução de 50% para irrigação e indústria, enquanto a captação pública fica em 1 mil L/s, com vazão a jusante podendo tender a zero.

A saída de qualquer nível crítico ocorre quando a média móvel de sete dias permanece acima do limite correspondente durante três dias consecutivos.

Embora a medição de 3.847,3 L/s tenha sido a menor do ano, o volume ficou próximo da média histórica registrada para 22 de setembro, de 3.808,9 L/s. Também permaneceu acima dos menores níveis históricos registrados em 2019 e 2021, quando o rio chegou a 1.903 L/s e 1.958 L/s, respectivamente. Os dados consolidados do dia 22 indicavam média móvel de 4.633,7 L/s e 15 dias consecutivos sem chuva na região.

Abastecimento

A Saneago informou que os sistemas de abastecimento dos 223 municípios operados pela companhia funcionam regularmente. Em Goiânia, o abastecimento é realizado por três estações de tratamento que utilizam os mananciais Ribeirão João Leite e Rio Meia Ponte.

O Ribeirão João Leite responde por 64% do abastecimento da Capital, por meio dos sistemas Mauro Borges e Jaime Câmara. A barragem estava com 83% da capacidade, equivalente a 129 bilhões de litros. A ETA Mauro Borges tem capacidade para tratar até 4 mil L/s, enquanto a ETA Jaime Câmara pode tratar até 2 mil L/s.

Os outros 36% do abastecimento de Goiânia são provenientes do Rio Meia Ponte, por meio da ETA Meia Ponte, com capacidade de tratamento de até 2 mil L/s.

Os sistemas são interligados pela Adutora de Integração, que pode reforçar o Sistema Meia Ponte com até 800 L/s provenientes do João Leite, e pela Conexão Cristina, equipamento com capacidade de operação de até 2.124 L/s. A estrutura permite transferir água reservada no João Leite para regiões atendidas pelo Meia Ponte.

A companhia também informou que reduziu as perdas na distribuição para 21,5%, índice inferior à meta de 25% estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento para 2033. Segundo a Saneago, Goiânia é a capital com menor índice de perdas do Brasil pelo quinto ano consecutivo.

 

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