Drauzio Varella tentará cadeira na Academia Brasileira de Letras
Médico e escritor de 83 anos pretende concorrer à vaga 32, que pertenceu a Ariano Suassuna antes de Zuenir; candidatura só pode ser formalizada após Sessão da Saudade
Drauzio Varella, 83, pretende disputar a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), aberta com a morte do jornalista e escritor Zuenir Ventura, na segunda-feira (22). A candidatura deverá ser formalizada depois da chamada Sessão da Saudade, cerimônia em que os acadêmicos homenageiam o integrante falecido e, ao fim, declaram oficialmente aberta a sucessão.
A informação sobre a intenção de Drauzio foi publicada pelo colunista Ancelmo Gois, de O Globo. O rito da ABL prevê que somente depois da homenagem os interessados possam apresentar candidatura. A partir daí, abre-se prazo de 30 dias para o envio de uma carta de apresentação ao presidente da instituição.
Na Sessão da Saudade, os acadêmicos relembram a vida e a obra do integrante diante de familiares, enquanto o presidente da ABL apresenta o histórico da cadeira e de seus ocupantes. Só então a sucessão é declarada aberta.
A cadeira 32 era ocupada por Zuenir desde 2014. Antes dele, pertenceu ao escritor Ariano Suassuna. Como todas as demais vagas da Academia, é vitalícia. A escolha do novo integrante ocorre por votação secreta entre os acadêmicos, e o candidato eleito precisa alcançar metade dos votos mais um. Votos brancos e nulos também são admitidos. Em caso de empate, uma nova eleição é realizada.
A possível entrada de Drauzio amplia uma carreira construída entre medicina, comunicação e literatura. Paulista, ele se tornou conhecido nacionalmente ao traduzir temas de saúde para o grande público em rádio e televisão e, mais tarde, levou esse trabalho também para a internet, com site e canal no YouTube.
Nos livros, ganhou projeção sobretudo com Estação Carandiru, relato baseado na experiência de atendimento a detentos do antigo presídio paulistano. Publicada no fim dos anos 1990, a obra venceu o Prêmio Jabuti de não ficção em 2000 e foi adaptada para o cinema três anos depois, sob direção de Hector Babenco, com Rodrigo Santoro no elenco.
Drauzio publicou seis livros, segundo as informações divulgadas sobre a candidatura. A combinação entre produção literária e atuação pública em saúde o coloca agora diante de um processo que, na ABL, não se encerra com a votação. Mesmo depois de escolhido, o novo acadêmico só passa a integrar oficialmente a instituição após o discurso de posse.
Fundada em 1897, a Academia Brasileira de Letras mantém 40 cadeiras vitalícias e 20 sócios correspondentes estrangeiros. Desde os primeiros anos, a definição de quem poderia ocupar uma dessas vagas esteve em debate. Machado de Assis defendia que as cadeiras fossem reservadas a escritores, enquanto Joaquim Nabuco sustentava uma interpretação mais ampla, aberta a personalidades com relevância para a história do país. Foi essa visão mais abrangente que acabou prevalecendo.
Hoje, o estatuto permite a candidatura de brasileiros que tenham publicado obras de reconhecido mérito em qualquer gênero literário ou livros considerados de valor literário fora desses gêneros. Assim que a sucessão da cadeira 32 for aberta, Drauzio poderá formalizar a inscrição e iniciar a busca por apoio entre os demais integrantes.
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