quinta-feira, 22 de outubro de 2026
2026

Reforma tributária promete mudar regras do setor imobiliário em Goiás

Cobrança de impostos será antecipada no início das obras em 2026, o que pode aumentar a burocracia

Caroline Gonçalvespor em
Reforma tributária promete mudar regras do setor imobiliário em Goiás
Goiânia é hoje a terceira cidade do Brasil que mais construiu moradias populares e se prepara para as novas regras da reforma tributária Foto: Reprodução/ Istock

A reforma tributária está chegando e deve transformar diversos setores da economia brasileira, inclusive o mercado imobiliário. A partir de 2026, empresas da construção civil terão que seguir novas regras na hora de pagar impostos.

Atualmente, quando uma construtora vende um imóvel, ela paga um imposto simples e direto sobre o valor da venda. Com a nova legislação, isso vai mudar. O imposto passará a ser cobrado no início da obra, e a empresa só poderá recuperá-lo gradualmente, conforme apresentar notas fiscais e documentação ao longo da construção.

Segundo Felipe Melazzo, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) em Goiânia, a mudança exigirá mais planejamento e controle financeiro. “Vai mudar tudo. Antes era simples. Agora, vamos ter que controlar muito mais, fazer contas e guardar todos os documentos da obra para conseguir reaver o imposto depois.”

Por outro lado, há boas notícias. A reforma deve eliminar a chamada tributação “em cascata”, ou seja, a cobrança de impostos em várias etapas da produção, o que pode tornar os preços finais mais justos para o consumidor.


Apesar dos possíveis benefícios no longo prazo, o setor da construção civil enfrentará grandes desafios com o novo modelo tributário. As empresas precisarão de equipes bem preparadas para lidar com a nova burocracia e evitar prejuízos. “Quem estiver bem organizado vai se sair melhor. Para quem pensa em comprar um imóvel, talvez seja interessante antecipar a compra antes da mudança”, orienta Felipe.

Outro fator de atenção é o recente “tarifaço” anunciado pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos do agronegócio brasileiro. Em estados como Goiás, onde a economia é fortemente ligada ao agro, existe preocupação com impactos indiretos no mercado imobiliário.

 

“Se o agro perde força, a renda da população pode cair, e isso afeta diretamente o setor de imóveis. Por isso, estamos acompanhando tudo de perto”, completa Felipe.

Fernando Razuk, presidente do conselho da Ademi, alerta para o possível aumento da carga tributária no setor. Hoje, com o Regime Especial de Tributação (RET), as empresas pagam cerca de 4% sobre o valor das vendas. Com a reforma, essa alíquota pode subir para até 27%. “E o pior: só vamos descobrir quanto será possível recuperar em créditos fiscais no decorrer da obra. Vai ficar bem mais burocrático”, explica Razuk.

Estudos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que a carga tributária para o setor pode até dobrar. Segundo Razuk, isso tende a ser repassado ao comprador, provocando uma valorização dos imóveis nos próximos anos.

 

Quanto ao impacto do “tarifaço” americano, Razuk afirma que, por enquanto, os efeitos no setor da construção são limitados: “Utilizamos muitos insumos oriundos de commodities (matéria-prima) exportáveis. Pode ser que haja uma redução nos custos de alguns materiais. Mas, até agora, o impacto é pequeno.”

Mesmo assim, o setor segue em alerta. Qualquer retração no agronegócio pode comprometer a renda das famílias goianas e, por consequência, reduzir a demanda por imóveis. 

 

Em Goiânia, o setor da construção já começou a se preparar. A Ademi tem promovido palestras, cursos e treinamentos para que empresários e profissionais entendam as novas regras e evitem prejuízos. “A reforma é uma mudança grande, mas estamos nos preparando. Goiânia tem tudo para continuar crescendo com qualidade”, afirma Felipe.

Goiânia é destaque nacional

Enquanto a reforma ainda não entrou em vigor, Goiânia comemora resultados expressivos. A cidade é, atualmente, a terceira do País que mais construiu moradias populares, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Esse avanço se deve ao programa Minha Casa Minha Vida e a uma lei municipal que permite a construção desse tipo de moradia em toda a Capital, não apenas nas regiões periféricas.

Antes, muitas dessas habitações estavam sendo feitas em cidades vizinhas, como Trindade. Agora, com a nova legislação, é possível construir em qualquer bairro goiano, o que melhora a qualidade de vida e reduz os deslocamentos. “Nosso foco é criar uma cidade inteligente, onde a pessoa more e trabalhe perto. Isso dá mais qualidade de vida e menos trânsito para todos”, destaca Felipe.

Credson Batista, diretor de pesquisas e estatísticas da Ademi, reforça que o volume de vendas mantém Goiânia como a terceira Capital que mais comercializou apartamentos no primeiro semestre de 2025. Foram R$ 3,4 bilhões em vendas residenciais, um valor expressivo que consolida a cidade no topo do ranking nacional.

“Estamos pelo terceiro ano consecutivo atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, capitais muito maiores. Isso mostra a consistência do crescimento e a força do nosso setor”, conclui Credson.

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Ademi casas mercado imobiliário Minha Casa Minha Vida Prédio reforma tributária tarifaço

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