sexta-feira, 3 de julho de 2026
Congresso Nacional

STF dá 10 dias para Câmara explicar votação da PEC da Blindagem

Proposta foi aprovada em dois turnos e agora segue para análise do Senado

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 18 de setembro de 2025
STF dá 10 dias para Câmara explicar votação da PEC da Blindagem
Supremo exige informações sobre tramitação da PEC que limita investigações de parlamentares. Foto: Divulgação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou nesta quinta-feira (18/9) prazo de dez dias para que a Câmara dos Deputados apresente informações sobre a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem. A decisão atende a um mandado de segurança protocolado pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).

A proposta foi aprovada pelos deputados em dois turnos nesta semana. No primeiro, realizado na terça-feira (16/9), o placar foi de 353 votos favoráveis, 134 contrários e uma abstenção. Já no segundo, o resultado registrou 344 votos a favor e 133 contra. No dia seguinte, os parlamentares concluíram a análise dos destaques. Assim, o texto segue agora para o Senado.

A PEC estabelece que qualquer investigação ou prisão de deputados e senadores dependerá de autorização prévia do Congresso Nacional. Além disso, determina que presidentes nacionais de partidos com representação no Parlamento sejam julgados diretamente pelo STF.

O texto aprovado prevê prazo de até 90 dias para que cada Casa Legislativa delibere sobre pedidos da Justiça. A autorização exige maioria simples. Na Câmara, são necessários ao menos 257 votos dos 513 deputados. No Senado, o mínimo é de 41 entre os 81 senadores.

A proposta prevê exceção apenas em casos de crime inafiançável ou flagrante. Nessas situações, a investigação pode ter início imediato. Ainda assim, a Casa respectiva deve ser comunicada em até 24 horas. Os autos são remetidos para votação secreta, em que os parlamentares decidem se mantêm ou não a prisão.

A tramitação da PEC ocorre em meio a tensões entre o Congresso e o Supremo. O texto é apontado como resultado de articulações do Centrão, grupo que reúne partidos de centro e direita. A movimentação ganhou força após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Entretanto, a proposta já vinha sendo discutida nos bastidores há alguns anos.

Com a decisão do STF, caberá à Câmara esclarecer os procedimentos adotados na votação. A análise do Senado será o próximo passo para a PEC avançar no processo legislativo.

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