Falta de debate elege desconhecidos e quem sofre é a população
Lula e Flávio empatam no quesito falta do confronto de ideias presidenciais, o governador Daniel evita encarar os concorrentes e sequer se cogita reunir os candidatos ao Senado. Por isso, muitos são eleitos sem se saber o que vão aprontar no mandato e sempre aprontam muito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai aos debates no 1° turno, como em sua disputa anterior. O principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), só vai se ele for. Ou seja, são ausências confirmadas nas discussões de projetos, ideias, soluções e até denúncias. O mesmo está ocorrendo em Goiás: o governador Daniel Vilela (MDB) já matou o embate na TV Sucesso/Band e caminha para faltar aos demais. Quem perde com isso é o eleitor, pois os favoritos nas pesquisas se valem exatamente da confiança do cidadão e negam-lhe os argumentos que o convenceu. Os entrevistados nos levantamentos estão optando por alguém cujos propósitos, lícitos ou espúrios, são desconhecidos.
Pelo nível do 1° debate, Daniel nada tem a temer. Iguala-se a Marconi Perillo (PSDB) no quesito serviço, pois ambos nunca tiveram qualquer trabalho, só mexeram com política. Começaram cedo na arte de não fazer coisa alguma, foram premiados com o cargo máximo do Estado despencando sobre si de forma inesperada e estão de novo na disputa por mais um mandato. Os dois se formaram em Direito, mas nunca seguiram a carreira jurídica como nenhuma outra.
O atual governador não precisa tremer diante de Luis Cesar Bueno (PT). Apesar de este petista ter formação intelectual sólida, com longa carreira como gráfico, empreendedor e professor, empata com Daniel porque ambos apoiaram Lula e Dilma Rousseff (PT). Também estiveram juntos nas recentes campanhas para prefeito da Capital e de Aparecida. O inimigo do meu inimigo é meu amigo e o PT de Cesar apoiou o grupo de Ronaldo Caiado, integrado por Daniel, contra o PL. O partido do presidente Lula foi fundamental para eleger Sandro Mabel (União Brasil) em Goiânia e Leandro Vilela (MDB) na cidade vizinha. A maior parte do PT entrou no subgrupo de Daniel no 2° turno, porém uma parcela da estrela vermelha se empenhou mais pelos novos amigos que por Adriana Accorsi (PT) e Willian Panda (PSB) já no 1°.
Tampouco há motivos para tremeliques de Daniel ao encarar Wilder
Tampouco há motivos para tremeliques de Daniel ao encarar Wilder, mesmo tendo sido sempre concorrentes. Em 2018, enquanto Wilder percorria os municípios com Ronaldo Caiado, Daniel estava com Vanderlan Cardoso (então em seu enésimo partido, o PP) e Jorge Kajuru (PRP). Quando Daniel deixou de gravar vídeos batendo em Caiado e aderiu ao governo que tanto criticou e enfrentou, Wilder saiu do governo que ajudou a eleger.
Se alguém criticar Caiado, como no debate da Band, Daniel não seria obrigado a defendê-lo. Afinal, sequer participou do governo. O atual governador teve simplesmente nenhuma função executiva em 39 meses de vice. Caiado não lhe deu cargo algum. Nesse pormenor, Wilder o supera, pois foi secretário de Indústria, Comércio e Serviços. Daniel não teve chance como Wilder nem como o vice anterior de Caiado, Lincoln Tejota, que tocou diversos projetos do governo, inclusive a reunião de todos eles.
No confronto direto, Daniel também pode jogar no rosto de Luis Cesar, Wilder e Marconi que já os venceu nas urnas, ainda que via família. Maguito Vilela, seu pai, perdeu para Marconi em 2002, mas em 2020 ganhou de Wilder, que era vice de Vanderlan, e de Luis Cesar, que apoiava Adriana.
Daniel só tem a ganhar indo aos debates
Então, Daniel só tem a ganhar indo aos debates. No máximo, vai ser mais um falando o que não tem a mínima chance de cumprir. Está sem plano de governo, mesmo estando no governo, só que os demais rastejam atrás de posição mesmo estando na oposição. Daniel não tem coragem de dizer que a folha do Estado está inchada e corre o risco de ser paga com atraso. Os outros também temem dizer que precisam enxugar as repartições.
Há 30 programas sociais no Estado, fora os federais e os das prefeituras. Em Goiás, trabalhar se tornou apenas mais uma alternativa e apenas os malucos e os masoquistas ainda insistem em empreender. Daniel era o vice das mamatas e agora é o comandante que lucra com todas elas. Seus adversários jamais vão dizer a verdade, ou seja, que esse populismo é um atraso para o Estado e quem for eleito se compromete a deixar apenas deficientes físicos e mentais inscritos no CadÚnico recebendo sem trabalhar. É mais um quesito em que Daniel vai empatar com os inimigos.
Copia-se no âmbito regional a farsa que triunfa na federação. Daniel acha normal se esconder, assim como Lula e Flávio. Mais vergonhoso é o caso dos Parlamentos, ganha quem torra mais dinheiro, não é preciso sequer saber suas atribuições depois da posse. A baixaria se repete na mais nobre das tribunas, pois nem se cogita reunir os candidatos ao Senado em torno de um tema. O que essas pessoas fazem, mais ainda: o que deixam de fazer, durante o exercício do mandato, é reflexo da burrice e também da falta de comprometimento. Foram eleitos sem uma palavra do que fariam no Senado, na Câmara dos Deputados ou na Assembleia, consideram que não têm contas a prestar. Compraram dez vezes cada voto, foram traídos por 90% dos eleitores, ninguém pode cobrar deles o mínimo que seja.
Assim, são eleitos sem se saber o que vão aprontar
Assim, são eleitos sem se saber o que vão aprontar no mandato e sempre aprontam muito. Chegam ao fim da carreira em diversos cargos e o contribuinte, que banca a farra da democracia à brasileira, sequer sabe quem está se aproveitando de seu suor. Ao optarem por negar o debate, Lula, Flávio e Daniel estão como o vilão da novela “Vale Tudo” original, dando uma banana para tudo que veem lá de cima, o Brasil, e, em seu coração arrebentado, Goiás, mais arrebentado ainda. (Especial para O HOJE)
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