Reta final do DF tem nova disputa judicial entre Celina e Paula por propaganda eleitoral
Coligação da governadora acusa campanha de Paula Belmonte de ocupar espaços destinados a candidaturas proporcionais; tucana já foi alvo de decisão semelhante no início de setembro
A disputa pelo Governo do Distrito Federal ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral a poucos dias do primeiro turno. A coligação que apoia a candidatura à reeleição de Celina Leão (PP) apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Paula Belmonte (PSDB), alegando uso irregular de espaços destinados às candidaturas proporcionais na propaganda eleitoral gratuita.
A ação, protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), sustenta que a campanha de Paula teria ampliado sua exposição no horário eleitoral ao utilizar posições que, pelo mapa oficial de mídia, estavam reservadas a candidatos a deputado federal, deputado distrital e senador. O pedido inclui uma liminar para impedir novas veiculações consideradas irregulares até o encerramento da propaganda eleitoral, em 1º de outubro.
Segundo o documento, nos blocos monitorados da TV Globo entre 24 e 26 de setembro, a Federação PSDB/Cidadania tinha quatro posições destinadas à candidatura ao governo, mas foram identificadas 12 veiculações de peças de Paula Belmonte. A coligação de Celina afirma que oito inserções excedentes teriam ocupado espaços reservados a outros cargos.
A ação também aponta que foram identificadas quatro inserções da candidatura de Paula na Rádio CBN em 24 de setembro. Para a coligação, os episódios não configurariam um caso isolado, mas uma repetição de uma controvérsia já levada à Justiça Eleitoral durante a campanha.
Disputa já havia chegado ao TRE
A discussão sobre o uso do horário eleitoral não é nova entre as duas campanhas. No início de setembro, o TRE-DF já havia determinado, em decisão liminar, a suspensão de uma propaganda da Federação PSDB/Cidadania após representação apresentada pela coligação de Celina.
Na ocasião, a alegação era de que uma peça destinada à propaganda proporcional teria sido utilizada para promover diretamente Paula, candidata ao governo. O tribunal determinou a suspensão da veiculação e fixou multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
A defesa de Paula contestou a acusação. Segundo posicionamento divulgado pelo PSDB na época, a decisão era provisória e não havia irregularidade, porque a participação da candidata estaria dentro do limite permitido pela legislação para candidaturas majoritárias em propaganda proporcional. O partido também argumentou que a presença de Paula tinha como objetivo fortalecer as candidaturas proporcionais da federação.
Na nova ação, porém, a coligação de Celina afirma que a situação voltou a ocorrer justamente na reta final da propaganda eleitoral. O documento argumenta que a concentração das inserções nos últimos dias antes da votação aumenta a relevância do caso, já que o horário eleitoral gratuito termina em 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno.
Até a publicação desta reportagem, a nova ação apresentada pela coligação de Celina aparece como uma iniciativa judicial em andamento, e não como uma decisão definitiva que reconheça as acusações contra Paula.
Cenário mudou após saída de Arruda
A disputa judicial ocorre em um momento de forte mudança no cenário eleitoral do Distrito Federal. José Roberto Arruda (PSD) teve o registro de candidatura barrado definitivamente pelo Tribunal Superior Eleitoral em 24 de setembro e deixou de participar da campanha.
A saída do ex-governador provocou uma reorganização das alianças. Na segunda-feira (28), a direção regional do PSD anunciou apoio a Celina. A decisão, no entanto, não foi acompanhada de forma unânime dentro da legenda. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que, em reunião do partido realizada antes do anúncio, a maioria dos presentes teria defendido a neutralidade. O presidente regional do PSD, Paulo Octávio, afirmou que os filiados teriam liberdade para seguir ou não a orientação.
No mesmo dia, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia, integrante do PSD, declarou apoio a Paula Belmonte. Abadia justificou a escolha pela convergência com propostas sociais defendidas pela candidata tucana.
O movimento deixou o PSD dividido entre a orientação da direção regional e posicionamentos individuais de integrantes da legenda. Arruda também declarou publicamente que não apoiará Celina.
Pesquisas mostram nova configuração
As pesquisas divulgadas após a saída de Arruda também passaram a medir um cenário eleitoral diferente daquele observado durante a primeira parte da campanha.
Levantamento RealTime Big Data divulgado nesta terça-feira (29), com entrevistas realizadas entre 24 e 28 de setembro, mostra Celina com 47% das intenções de voto no cenário estimulado. Leandro Grass (PT) aparece com 26% e Paula Belmonte, com 10%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores por telefone e internet, tem margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE sob o número DF-04637/2026.
O Datafolha, divulgado em 24 de setembro, também mediu um cenário sem Arruda. Na pesquisa, Celina aparece com 42%, Grass com 23% e Paula com 7%. O levantamento ouviu 910 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
Os números, porém, devem ser lidos considerando as datas de realização dos levantamentos e a rápida mudança do cenário político após a decisão do TSE sobre Arruda. A pesquisa RealTime, por exemplo, teve entrevistas encerradas em 28 de setembro, justamente no período em que o PSD oficializou apoio a Celina e Maria Abadia anunciou apoio a Paula.
Debate coloca candidatas frente a frente
A nova disputa judicial ocorre também no dia em que Celina e Paula participam do debate da TV Globo, um dos últimos encontros entre os candidatos antes do primeiro turno.
Celina tem agenda em Planaltina e Arapoanga antes do debate. Paula, por sua vez, programou media training pela manhã, reunião com representantes do setor de turismo à tarde e chegada à emissora à noite.
Com a propaganda eleitoral gratuita chegando aos últimos dias e o cenário político reorganizado após a saída de Arruda, o debate ganha espaço como um dos últimos momentos de exposição conjunta dos candidatos antes da votação de 4 de outubro.
A nova ação apresentada pela coligação de Celina acrescenta mais um elemento à disputa entre as duas candidaturas: além do embate político e eleitoral, as campanhas passam a travar uma disputa jurídica sobre o espaço ocupado por Paula na propaganda gratuita. O TRE-DF ainda deverá analisar os pedidos formulados na nova ação.
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