Alckmin sinaliza retomada de negociação com os EUA
Vice-presidente diz estar otimista com relação a Washington e defende medidas adotadas pelo Brasil para proteger a indústria do aço
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sinalizou nesta terça-feira (29) que o Brasil deve retomar as negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros. As medidas foram adotadas pelo governo norte-americano após investigações baseadas na legislação comercial dos EUA. Durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, Alckmin afirmou estar “otimista” sobre o fortalecimento das relações entre os dois países.
Segundo o vice-presidente, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos não justificaria as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. “Eles têm superavit da balança comercial conosco. Quando um produto americano entra no Brasil, a taxa média de importação é 3,1%, e 70% do que nós importamos é ex-tarifário, é tarifa zero”, afirmou. Alckmin participou da abertura do evento por videoconferência, enquanto cumpre agenda em Brasília.
Setores mais afetados
O setor do aço está entre os mais afetados pelas medidas adotadas pelo governo de Donald Trump desde 2025. Atualmente, produtos brasileiros semiacabados destinados ao mercado norte-americano estão sujeitos a uma sobretaxa de 50% sobre o imposto de importação. Alckmin também defendeu as medidas adotadas pelo Brasil para proteger a indústria nacional, como o aumento de tarifas de importação de produtos siderúrgicos em ações classificadas como antidumping. De acordo com o vice-presidente, 39 produtos tiveram aumento do imposto e as medidas contribuíram para uma redução de 15% no volume de importações de aço entre janeiro e junho deste ano.
Ao mesmo tempo, a indústria siderúrgica enfrenta um cenário de excesso de produção e capacidade no mercado internacional. O presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau, André Johannpeter, afirmou que o excedente mundial ultrapassa 649 milhões de toneladas, sendo cerca de metade concentrada na China. O volume, segundo ele, equivale a aproximadamente 20 vezes a produção brasileira. Johannpeter também citou projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo as quais o excesso de capacidade pode chegar a 745 milhões de toneladas nos próximos dois anos. “Existe a oportunidade, existe uma indústria forte, mas nós precisamos de algumas correções, de algumas reformas para avançar”, afirmou.
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