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sábado, 13 de dezembro de 2025
Tarifaço

Lula afirma que ligará para Trump caso negociações não avancem

residente brasileiro afirma que insistirá em diálogo com Donald Trump e cobra avanço em negociações bilaterais

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 4 de novembro de 2025
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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (4) que voltará a ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso uma reunião entre os negociadores dos dois países não esteja marcada até o encerramento da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). O petista disse que mantém confiança em um acordo, mas cobrou agilidade nas conversas técnicas.

“Quando a COP30 terminar, se a reunião entre meus negociadores e os dele ainda não tiver sido agendada, ligarei para Trump novamente”, declarou. Segundo Lula, a conversa que teve com o republicano em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro, o deixou “convicto de que chegaremos a um entendimento” e que “era muito importante que nossos negociadores começassem a conversar em breve”.

 

A declaração foi dada em entrevista a agências de notícias internacionais, na capital paraense, onde Lula cumpre agenda desde sábado (1º). Ele também comentou que gostaria que o presidente norte-americano participasse da conferência climática, marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro. “Eu queria que o Trump viesse aqui. Eu queria que ele viesse para ver o que é floresta. Se ele comer uma maniçoba, nunca mais vai ter mau humor”, brincou.

Apesar do convite informal, o governo norte-americano sinalizou no início da semana que não enviará representantes para a COP30 e nem para a Cúpula dos Líderes, que antecede a conferência climática prevista para os dias 6 e 7 de novembro. Um funcionário da Casa Branca disse à agência AFP, segundo o G1, que “o presidente Donald Trump já deixou claras as posições de seu governo sobre a ação climática multilateral”.

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Presidente Lula e Donald Trump em encontro na Malásia (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O encontro entre Lula e Trump, realizado no mês passado na Malásia, durou 50 minutos e marcou uma tentativa de reaproximação diplomática após a crise gerada pelas tarifas de até 50% impostas a produtos brasileiros. De acordo com o presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estão prontos para iniciar uma nova rodada de negociações, inclusive com deslocamento a Washington, se necessário.

Lula volta a falar sobre tensão na Venezuela

Durante as entrevistas em Belém, Lula também comentou as tensões no Caribe e a escalada militar promovida pelos EUA na região, em meio a operações contra grupos classificados por Trump como narcoterroristas. O petista criticou qualquer possibilidade de incursão terrestre norte-americana na Venezuela e defendeu a busca por diálogo.

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“Não quero que a gente chegue a uma invasão terrestre da Venezuela por forças militares dos EUA”, afirmou. Em seguida, relatou o conteúdo da conversa com o presidente americano: “Eu disse ao presidente Trump que problema político a gente não resolve com armas. A gente resolve com diálogos.”

Lula destacou que os EUA poderiam colaborar com os países latino-americanos em estratégias de combate ao tráfico de drogas, em vez de “atirar contra esses países”.

O comentário vem em meio à mobilização de uma operação militar no caribe e pacífico contra supostos narcoterroristas e à declarações de Trump, que acusa Nicolás Maduro de comandar um cartel de drogas. Maduro, por sua vez, sustenta que o verdadeiro objetivo de Washington é “impor uma mudança de regime.

O líder brasileiro afirmou ainda que pretende abordar o tema durante a próxima cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para os dias 9 e 10 de novembro, em Santa Marta, na Colômbia. O encontro deve reunir chefes de Estado do sul da América para discutir segurança, integração e as consequências geopolíticas da ofensiva norte-americana.

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