terça-feira, 21 de abril de 2026
RAMAGEM

Lula cita ‘reciprocidade’ após delegado da PF ser expulso dos EUA

Presidente sobe o tom após decisão norte-americana de “expulsar” delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 21 de abril de 2026
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Na época da prisão de Ramagem, Lula defendeu o retorno do ex-parlamentar “para cumprir a sua pena” (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A decisão do governo dos Estados Unidos de determinar a saída de um delegado brasileiro do país, na segunda-feira (20), abriu uma frente de tensão diplomática e levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a levantar a possibilidade de “reciprocidade”. A medida norte-americana ocorre após o caso envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem.

Ao comentar o episódio nesta terça-feira (21), Lula afirmou que ainda não tem todas as informações, mas criticou a postura das autoridades norte-americanas. “Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse o presidente, em conversa com a imprensa em Hannover, na Alemanha.

Ele também mencionou interferência indevida. “Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil”.

 

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A ordem para que o delegado da Polícia Federal (PF) deixe os Estados Unidos foi divulgada sem citação nominal direta, mas com a alegação de que um agente estrangeiro teria tentado contornar procedimentos formais de extradição. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, informou o governo norte-americano.

Autoridades brasileiras adotam tom alinhado ao de Lula

Segundo a TV Globo, se trata de Marcelo Ivo de Carvalho. O brasileiro atuava desde agosto de 2023 como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami, em cooperação com a agência de imigração e alfândega dos EUA. Na função, trabalhava diretamente em ações conjuntas e investigações transnacionais.

Ainda na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o Brasil aguarda esclarecimentos. “Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas”, afirmou. Ele ressaltou que a atuação do delegado era conhecida pelas autoridades locais e que “todos sabiam” de sua função.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, quando questionado por jornalistas sobre o assunto em Brasília, adotou um tom cauteloso, mas alinhado ao de Lula. “O Brasil sempre tem a lógica da reciprocidade, mas acho que a gente deve aguardar. Vamos aguardar”, declarou.

Prisão de Alexandre Ramagem pelo ICE

O episódio está ligado à detenção de Alexandre Ramagem, ocorrida em 13 de abril, em Orlando. O ex-deputado foi preso por questões migratórias e liberado dois dias depois. Após deixar o centro de detenção, publicou um vídeo agradecendo ao governo norte-americano. “Eu venho agradecer ao governo norte americano, da mais alta cúpula da administração Trump”, disse.

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Foto: Divulgação

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Ramagem deixou o Brasil em 2025. Ele é apontado como integrante do núcleo central da articulação que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. O pedido de extradição foi formalizado pelo governo brasileiro no fim de 2025.

Em declaração antes da soltura de Ramagem, Lula defendeu o retorno do ex-parlamentar ao país. “O Ramagem eu acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso numa multa. Ele foi preso e estava condenado a 16 anos nesse país. Ele foi um golpista, ele está condenado. Ele tem que voltar para o Brasil para cumprir a sua pena”, afirmou em entrevista para os portais Brasil 247, Revista Fórum e DCM.

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