Goiás tem troca de 16 deputados na janela partidária e reconfigura forças na Alego
A janela partidária de 2026 provocou uma reconfiguração significativa na Assembleia Legislativa de Goiás, com a troca de partido de pelo menos 16 deputados estaduais e mudanças diretas na correlação de forças para as eleições
A poucos meses do início do calendário eleitoral, a movimentação partidária redesenhou o mapa político em Goiás. Ao todo, 16 deputados estaduais aproveitaram a janela para mudar de sigla sem risco de perder o mandato, em busca de melhores condições de disputa — seja para reeleição ou para voos maiores.
Com as mudanças, o MDB passou a ter a maior bancada da Assembleia, com sete parlamentares, seguido pelo União Brasil, com seis. A reorganização também reduziu o número de partidos com representação na Casa, que caiu de 15 para 13.
Nos bastidores, a movimentação foi marcada por idas e vindas e forte interferência de lideranças políticas. O presidente da Assembleia, Bruno Peixoto, chegou a deixar o União Brasil para integrar o PRD, mas voltou à sigla após articulação liderada pelo governador Ronaldo Caiado, pelo vice Daniel Vilela e pela direção nacional do partido. A mudança impactou diretamente a formação de chapas e desarticulou a federação entre SD e PRD.
Leia mais:
Caiado aponta Kassab como “vice ideal” e movimenta bastidores do PSD
‘Taxação do Pix é ideia do Bolsonaro’, afirma Haddad
Outros parlamentares também protagonizaram movimentos de “ida e volta”, evidenciando a instabilidade na montagem das chapas. É o caso de Charles Bento, que chegou a migrar para o União Brasil, mas retornou ao MDB no mesmo dia, alegando alinhamento político. Já Cristiano Galindo desistiu de mudança após negociar filiação em outra sigla.
A disputa por espaço nas chapas tem sido marcada por critérios cada vez mais estratégicos. Segundo o historiador e analista político Tiago Zancope, a lógica tradicional de distribuição geográfica perdeu protagonismo para um cálculo mais objetivo de desempenho eleitoral.
“Hoje, o principal fator é estabelecer um teto e um piso de votos dentro da chapa. Os partidos fazem uma estimativa do potencial de cada candidato e tentam equilibrar nomes para não haver distorções”, explica.
De acordo com Zancope, essa conta leva em consideração fatores como presença nas redes sociais, capilaridade eleitoral e estrutura política. “Há partidos que preferem chapas sem candidatos com mandato, para evitar concentração de votos. Outros, como MDB e União Brasil, apostam justamente no contrário: nomes com mandato e estrutura para garantir robustez eleitoral”, afirma.
O analista também aponta que cada legenda adotou estratégias distintas. Enquanto partidos ligados ao governo tendem a concentrar nomes mais competitivos, outras siglas buscam equilíbrio interno para aumentar as chances de eleger ao menos um ou dois representantes.
Outro ponto destacado é o impacto dessas escolhas na competitividade. “Os dirigentes partidários estão tentando montar chapas com um limite de votos relativamente próximo entre os candidatos. Isso reduz o risco de ‘puxadores’ isolados e aumenta a previsibilidade do resultado, embora nunca seja uma ciência exata”, pontua.
A movimentação intensa evidencia um cenário de disputa mais calculado e menos ideológico, em que a sobrevivência eleitoral passa, sobretudo, pela matemática dos votos e pela engenharia das chapas.