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domingo, 11 de janeiro de 2026
SAÚDE DO HOMEM

Brasil observa alta nos casos de câncer de próstata em novo alerta do Novembro Azul

Campanha reforça importância da detecção precoce e destaca avanços tecnológicos no diagnóstico e tratamento

Bia Salespor Bia Sales em 13 de novembro de 2025
câncer

O Novembro Azul volta a colocar a saúde masculina no centro das discussões nacionais e retoma um dos temas mais recorrentes nas estatísticas do país: o câncer de próstata. Projeções do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam aproximadamente 71,7 mil novos casos anuais entre 2023 e 2025, número que mantém a doença como a neoplasia mais comum entre homens, excluindo tumores de pele não melanoma.

Em 2021, dados oficiais registraram 16.300 mortes por câncer de próstata no Brasil. O cenário reforça a atenção para diagnósticos realizados em fases iniciais, quando as chances de cura aumentam de forma expressiva e o tratamento tende a ser menos agressivo.

Rastreamento e avaliação do câncer de próstata

O urologista e andrologista Douglas Rodrigues, do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que o câncer de próstata surge a partir da multiplicação anormal das células da glândula localizada abaixo da bexiga e responsável por parte da composição do líquido seminal. Ele destaca a relevância do tema no cenário nacional e internacional: “É o segundo câncer com o maior número de mortes no Brasil e no mundo. Um em cada sete homens vai padecer da doença. A cada oito minutos, um novo caso é diagnosticado no Brasil. A cada 40 minutos, um homem morre da doença. É um dos cânceres mais curáveis quando achado cedo.”

Segundo o especialista, a ausência de sintomas iniciais faz do rastreamento anual um eixo central das recomendações médicas. Ele diferencia rastreamento de diagnóstico: enquanto o primeiro é voltado para homens sem sintomas — com o PSA e o toque retal como métodos de triagem mais utilizados —, o diagnóstico envolve ressonância magnética multiparamétrica e biópsia guiada por fusão de imagem quando há suspeita.

Sociedades médicas internacionais, como a American Urological Association, e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), orientam discutir a avaliação a partir dos 50 anos, ou aos 45 em casos com fatores de risco. Em contextos de histórico familiar significativo, esse acompanhamento pode começar aos 40 anos. O INCA também destaca que idade avançada, obesidade, sedentarismo, tabagismo e dieta rica em gorduras animais influenciam a incidência.

Sinais como jato urinário fraco, aumento da frequência urinária noturna, sangue na urina ou no sêmen, dor óssea persistente e perda de peso sem causa aparente devem motivar uma investigação. Rodrigues comenta ainda mitos que dificultam o acesso ao consultório, entre eles a crença de que o toque retal é sempre doloroso ou dispensável quando o PSA está normal. “Os dois exames se complementam; um não substitui o outro”, afirma.

O Hospital dispõe de PSA, toque retal, ultrassonografia transretal, ressonância magnética multiparamétrica e biópsia por fusão de imagem. De acordo com o urologista, quando identificado cedo, “as taxas de cura ultrapassam 90%”.

Avanços tecnológicos e cirurgias menos invasivas

Em paralelo ao debate nacional, especialistas também observam transformações significativas na forma de diagnosticar e tratar o câncer de próstata. Entre eles está o urologista Rodrigo Braz, pioneiro em cirurgia robótica em Brasília, que destaca como novas tecnologias têm ampliado a precisão dos procedimentos e auxiliado na detecção precoce.

“Hoje o exame de toque retal deixou de ser obrigatório em todos os casos, conforme meta-análise publicada na revista europeia de urologia oncológica em 2024. Com exames laboratoriais mais sensíveis e métodos de imagem avançados, avaliamos os riscos de forma mais precisa e, em muitos pacientes, sem necessidade do toque retal”, explica. Ele ressalta que a decisão é individualizada e depende da avaliação clínica.

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Novembro Azul: avanços na urologia ampliam a prevenção e ajudam a reduzir o tabu

Sobre barreiras culturais, o médico observa que a desinformação ainda afasta parte dos homens do consultório. “O urologista deve ser visto como o clínico geral do homem, responsável por avaliar a saúde integral, incluindo hormônios, circulação e função reprodutiva”, afirma.

Rodrigo Braz também chama atenção para o uso de testosterona sem acompanhamento médico: “A automedicação pode comprometer a fertilidade e causar danos irreversíveis à espermatogênese, além da supressão da produção natural de testosterona.”

Com mais de 15 anos de atuação, o especialista possui formação em cirurgia robótica e certificação internacional pela Intuitive Surgical. Ele comenta que, nos últimos anos, o método trouxe avanços em precisão cirúrgica, redução de sangramento e tempos de recuperação mais curtos, principalmente em procedimentos relacionados ao câncer de próstata.

 

 

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