quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Patamar recorde

Brasil teve melhores indicadores de pobreza em renda e pobreza em 2024, aponta Ipea

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o Brasil registrou em 2024 os melhores indicadores de renda, desigualdade e pobreza desde o início das pesquisas domiciliares do IBGE, em 1995. A princípio, o levantamento mostra que a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70% ao longo de três décadas. Além […]

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Brasil teve melhores indicadores de pobreza em renda e pobreza em 2024, aponta Ipea
Estudo do Ipea mostra avanço histórico em renda e queda da desigualdade no Brasil. Foto: Divulgação

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o Brasil registrou em 2024 os melhores indicadores de renda, desigualdade e pobreza desde o início das pesquisas domiciliares do IBGE, em 1995. A princípio, o levantamento mostra que a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70% ao longo de três décadas. Além disso, o coeficiente de Gini apresentou queda próxima de 18%. Ou seja, houve redução na concentração de renda. Ao mesmo tempo, a extrema pobreza recuou de aproximadamente 25% para menos de 5% da população.

Segundo o estudo, o avanço mais recente ocorreu principalmente entre 2021 e 2024. Nesse intervalo, o país reverteu os efeitos do ciclo de crise iniciado em 2014, marcado por recessão, recuperação lenta e impactos da pandemia de covid-19. Em 2021, a renda por pessoa atingiu o menor nível da década. Em seguida, a renda média real cresceu mais de 25% em três anos. Dessa forma, os indicadores passaram a registrar resultados superiores aos observados em períodos anteriores.

Retomada após ciclo de crise econômica no Brasil

Os pesquisadores indicam que a melhora social mais recente teve duas bases principais. De um lado, o aquecimento do mercado de trabalho. De outro, a ampliação das transferências de renda. Cada um desses fatores respondeu por quase metade da redução na desigualdade. Programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, Auxílio Brasil e Auxílio Emergencial tiveram impacto relevante, especialmente após 2020. No entanto, os dados mostram que esse efeito perdeu intensidade no biênio 2023–2024.

Brasil
Indicadores sociais do Brasil atingem patamar recorde em 2024, segundo Ipea> Foto: Divulgação

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Mercado de trabalho e políticas sociais impulsionam indicadores

Em termos históricos, o estudo também destaca que o crescimento social não ocorreu de forma linear. Entre 2003 e 2014, houve expansão consistente dos indicadores. Posteriormente, entre 2014 e 2021, o país enfrentou retração econômica e instabilidade. Por conseguinte, apenas a partir de 2021 os números voltaram a apresentar recuperação mais expressiva. Sendo assim, os autores associam a retomada à combinação entre geração de empregos e políticas de transferência.

Renda domiciliar cresce 70% em três décadas e extrema pobreza cai abaixo de 5%. Foto: Divulgação

Desafios persistem apesar dos avanços

Apesar dos avanços, parte da população ainda permanece em situação de vulnerabilidade. Em 2024, cerca de 4,8% dos brasileiros viviam em extrema pobreza, com renda inferior a US$ 3 por dia. Além disso, aproximadamente 26,8% estavam abaixo da linha de pobreza, com rendimentos de até US$ 8,30 diários. Portanto, os pesquisadores alertam que a tendência de desaceleração das transferências pode tornar o desempenho do mercado de trabalho ainda mais determinante nos próximos anos.

Por fim, o levantamento reforça que os resultados alcançados em 2024 refletem uma combinação de crescimento econômico e melhora distributiva. No entanto, a manutenção desses indicadores dependerá da continuidade da geração de emprego e renda, bem como da eficácia das políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.

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