terça-feira, 11 de agosto de 2026
STF

STF redefine impeachment e acende crise com o Congresso

Liminar de Gilmar Mendes dá exclusividade à PGR, altera quórum no Senado e provoca reação imediata da direita no Parlamento

Paula Costapor Paula Costa em
STF
A decisão de Gilmar Mendes limita pedidos de impeachment de ministros apenas à PGR e eleva o quórum no Senado, acirrando a disputa por poder em Brasília. Crédito: Andressa Anholete/STF

Nesta quarta-feira (3), o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu trechos da Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950) e determinou que somente a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá apresentar pedidos de afastamento de ministros da Corte. Essa medida retirou do Senado e de qualquer cidadão essa prerrogativa.

A decisão liminar também elevou para 2/3 o quórum necessário para que a Casa avalie uma denúncia contra magistrados do STF e proibiu que processos de impedimento sejam abertos com base apenas no conteúdo das decisões judiciais. A determinação ocorre em meio à tensão entre o Planalto e o Senado pela indicação ao Supremo e será levada ao plenário virtual de 12 a 19 de dezembro.

Mendes sustentou que permitir que atores externos acionem o impeachment por discordância interpretativa ameaça a independência do Judiciário e abre espaço para intimidação institucional. Na decisão, o ministro ressaltou que a responsabilização de juízes não pode ocorrer por divergências hermenêuticas.

A liminar responde a uma ação movida pelo Solidariedade e será submetida à análise do plenário virtual do STF. Caso seja confirmada, consolida a PGR como única legitimada a protocolar pedidos de impedimento contra ministros, fixando um filtro político e jurídico mais rigoroso para tais iniciativas.

A oposição reage e promete PEC para reverter a medida

A determinação provocou forte reação de parlamentares de direita. No Senado, Magno Malta (PL-ES) acusou o Supremo de “reescrever a Constituição” e comparou a medida a um “absurdo institucional”. Na Câmara, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), ironizou o cenário político, afirmando que o país se aproxima de uma distopia autoritária. Nas redes sociais, o líder do PL, questionou: ‘ cada dia que acompanho as notícias me sinto no BRASUELA!! Que país é esse?, perguntou Sóstenes. 

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que apresentará uma PEC para restaurar a legitimidade popular nos pedidos de impeachment, preservar a autonomia do Senado e impedir o que chamou de “interferência judicial” sobre o rito constitucional. Ele retomou críticas feitas durante o debate da chamada PEC da Blindagem – arquivada no Senado – ao afirmar que o Supremo busca “controle absoluto. “Por que será que a esquerda não está chamando isso aqui de blindagem?”, questionou Nikolas. 

“O Brasil já tem lei clara: qualquer cidadão pode denunciar Ministros do STF por crime de responsabilidade. Sempre foi assim. Mas ontem, numa decisão monocrática e sem base constitucional, o Min. Gilmar Mendes resolveu reescrever a lei, restringir direitos do povo e invadir a competência do Senado”, escreveu o deputado, nesta manhã, no X. 

“O próprio Senado, que é competente para julgar os Ministros, se manifesta pelo direito e legitimidade dos cidadãos. Diante do avanço do ativismo judicial, irei protocolar uma PEC para restabelecer expressamente a legitimidade do cidadão, garantir a autonomia do Senado e impedir a interferência judicial no impeachment. Em uma República, nenhum Poder está acima da Constituição, nem mesmo quem deveria guardá-la”, finalizou Nikolas, na postagem.

Fora do Parlamento, o ex-deputado e ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol (Novo), atacou a decisão sob o argumento de que ela fortalece ministros que, segundo ele, já tomariam decisões sem controle institucional. Para Dallagnol, a medida “encastela” o STF e enfraquece mecanismos de responsabilização. “A decisão de Gilmar tenta encastelar ainda mais os ministros para que tomem suas decisões sem serem incomodadas. Eles tomam decisões que desobedecem à lei e à Constituição e querem garantir que não serão punidos por isso. O que você acha dessa mudança na lei do impeachment?”, escreveu Dallagnol, em sua rede social. 

O Supremo no Tribunal Federal não perdeu poderes ao longo dos últimos anos, ele ganhou. Tornando-se um dos protagonistas, junto com o Congresso. E agora ele se protege, eliminando qualquer ideia de freio de contrapesos contra o que possa vir do Congresso. Nos últimos dias, tem se discutido muito a questão da autocontenção do Supremo. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso, acabando com toda a trama golpista. A votação em plenário dessa decisão, nos últimos dias, mostrará se a decisão é realista ou não.

O julgamento colegiado previsto para 12 a 19 de dezembro deve definir se a liminar de Mendes será mantida. A tendência é que o tema reacenda o embate entre Congresso e Judiciário, num momento em que disputas por prerrogativas e interpretações constitucionais voltam ao centro da arena política.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também

Gayer e Oséias Varão participam de encontro de candidatos ao Senado com Flávio Bolsonaro

eleições 2026

Gayer e Oséias Varão participam de encontro de candidatos ao Senado com Flávio Bolsonaro

Candidatos gravaram, ao lado do candidato a presidente, vídeos e pílulas eleitorais que serão uti...
Alego

Parlamento goiano

Alego aprova política de incentivo ao empreendedorismo para mães atípicas em Goiás

Proposta prevê capacitação gratuita, acesso facilitado a crédito e benefícios para negócios li...
“Grande articulador de Lula”, diz Flávio Bolsonaro sobre Moraes

POLÍTICA

“Grande articulador de Lula”, diz Flávio Bolsonaro sobre Moraes

Presidenciável do PL criticou encontro entre Lula e Davi Alcolumbre na casa do ministro do STF e vo...
Flávio Bolsonaro nega troca de vice e chama acusação contra Alfredo Gaspar de “farsa”

Flávio e Gaspar

Flávio Bolsonaro nega troca de vice e chama acusação contra Alfredo Gaspar de “farsa”

Candidato à Presidência afirma manter confiança no companheiro de chapa, alvo de investigação s...
Michelle Bolsonaro

Apoio

Michelle Bolsonaro diz que deixou divergências de lado e reforça apoio à candidatura de Flávio

Ex-primeira-dama participou de gravações para a campanha do senador nesta terça-feira (11), em Br...
Influenciadores podem declarar apoio político, mas contratação para propaganda eleitoral é proibida

POLÍTICA

Influenciadores podem declarar apoio político, mas contratação para propaganda eleitoral é proibida

Advogado especialista em Direito Eleitoral explica limites para atuação de criadores de conteúdo ...
Flávio e Michelle Bolsonaro gravam juntos para a campanha eleitoral

UNIDOS

Flávio e Michelle Bolsonaro gravam juntos para a campanha eleitoral

Registro marca a retomada da parceria pública entre os dois após o episódio de desentendimento qu...
“Festival de Cinema está confirmado”, diz Celina Leão após cancelamento no DF

POLÍTICA

“Festival de Cinema está confirmado”, diz Celina Leão após cancelamento no DF

Governadora afirmou que determinou liberação de recursos para a 59ª edição do evento, horas ap�...