O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Pesquisa nacional aponta Mabel entre os piores prefeitos do Brasil

Instituto AtlasIntel ouviu eleitores nos 26 estados e revela que apenas 19% avaliam positivamente a gestão do prefeito de Goiânia

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 26 de dezembro de 2025
Mabel
Foto: Wesley Menezes

AtlasIntel é um instituto que faz pesquisas em diversos países, considerado o nº 1 dos Estados Unidos, onde tem parceria com a rede de comunicação CNN. Durante dois meses, de 6 de outubro a 5 de dezembro, entrevistou 82.781 brasileiros das 26 capitais estaduais, inclusive 2.675 em Goiânia, o que lhe dá aqui a margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O resultado é o reflexo da cobertura que O HOJE publica todos os dias: somente 19% dos goianienses consideram ótima ou boa a gestão do prefeito Sandro Mabel (UB), um dos piores do Brasil. Abaixo de Mabel, apenas os gestores de Rio Branco (AC), Belo Horizonte (MG), Manaus (AM) e Campo Grande (MS). 

Os seis melhores prefeitos são do Norte/Nordeste, cuja situação financeira e social se assemelha mais a calamidade do que a votada na Assembleia Legislativa de Goiás para livrar Mabel das licitações. O prefeito de Porto Velho (RO), Léo Moraes, do Podemos, tem 1% de ruim/péssimo, 2.600% a menos que Mabel. O prefeito de São Luís (MA), Eduardo Braide (PSD), tem 72% de ótimo/bom, quase 400% a mais que a calamidade sentada na Prefeitura de Goiânia. O Centro-Oeste foi considerado a região de prefeitos mais lamentáveis do Brasil, pois tem a pior entre os piores, Adriane Lopes, do PP, míseros 6% de aprovação, que ainda assim é o dobro do recorde de Mabel: ele era um dos homens fortes do governo de Michel Temer, que terminou com 3%. 

Mabel aparece entre os últimos no ranking nacional

O HOJE buscou os índices dos diversos institutos que atuam em Goiás e não conseguiu encontrar qualquer prefeito pior que Mabel. Nenhum, por mais trágico que seja, tem menos de 19% de aprovação – aliás, todos têm acima de 40%. Os seguidos prefeitos ruins nos anos 1990 acabaram com municípios então em ascensão, como Goiatuba. As lastimáveis administrações nas últimas décadas fizeram Anápolis ser ultrapassada em habitantes por Aparecida e em Produto Interno Bruto por Rio Verde. 

Para dar ideia das consequências de um gestor incompetente, Mabel se tornou o maior gargalo do período Ronaldo Caiado (União Brasil), cuja aprovação está há sete anos na faixa dos 90%. Como pode a capital do Estado com o melhor governador do País ter um dos piores prefeitos do Brasil? É o resultado do alheamento às questões populares, como no caso do instituto de saúde dos servidores municipais, o Imas. Em vez de resolver as questões ligadas à entidade, que é uma mistura de desvios constantes com seguidos presidentes ineficazes, Mabel propôs o que faz sempre: fechar o instituto. Só aí já perde o apoio de milhares de trabalhadores com suas famílias, mais os amigos e demais pessoas que odeiam os fujões.

Também recaem sobre Mabel detalhes de convivência, porque ele simplesmente não aguenta gente pobre por perto. Em seus vídeos nas redes sociais, as pessoas simples são submetidas a constrangimentos como se elas fossem as mazelas de Goiânia. Transparece nas câmeras o que aparece nas pesquisas, com a sociedade louca para se livrar do encosto. Nestes quase cem anos, a cidade contou com administradores de bom trânsito em meio aos bolsões mais humildes. Foi o caso de Iris Rezende, prefeito por quatro mandatos, e de Joaquim Roriz, que serviu como vice, assumiu um tempo e depois foi governar o Distrito Federal também por quatro mandatos. Houve também os prefeitos com vocação para servir e inovar, como Nion Albernaz e Darci Accorsi, que ousaram ser criativos nas praças, no embelezamento, na zeladoria perfeita, dando a Goiânia a fama de cidade linda, limpa e cheirosa. Nada isso é o que se vê e se sente nos dias de hoje.

A comparação de Mabel com o saudoso Paulo Garcia é ofensiva a sua memória e ele não está mais aqui para se defender. Tanto Garcia quanto Rogério Cruz sucederam Iris Rezende, que tinha um estilo peculiar, de encher a cidade de canteiros de obras, mesmo sem se calcular de onde viriam os recursos para sua continuidade ou para que elas serviriam. Outro atrapalhado por efeitos externos foi Daniel Antônio, impedido pela Câmara de Vereadores de fazer qualquer trabalho. Então, em matéria de ruindade, é difícil colocar num mesmo plano Mabel, Paulo Garcia, Rogério Cruz e Daniel Antônio. 

Se ninguém de seus antecessores em quase 100 anos pode sequer ser equiparado ao tanto que Mabel é ruim, também no restante do Estado é inédita entre os demais 245 prefeitos tamanha ineficiência em uma só gestão. Leia o texto a seguir.

Ingratidão, defeito que anula um ser, aqui é mato

Há alguns meses, Ronaldo Caiado reuniu 242 prefeitos numa live, um deles era o de Goiânia, Sandro Mabel. Até àquela altura, o governador talvez ainda não tivesse certeza de que havia ressuscitado um mal, mas a partir dali passou a não ter a menor dúvida. Para o leitor rememorar, Mabel era um político aposentado pelas denúncias, que o acossaram quando era deputado federal e como ministro sem pasta do mais repudiado presidente da República em todos os tempos, Michel Temer, que saiu do cargo com 3% de aprovação.

Mabel escapou por pouco de ser cassado na época do mensalão, escapou fedendo da Operação Lava Jato, mas não escapou do ostracismo que esse tipo de denúncia proporciona. Sabendo das dificuldades de disputar nas urnas, ficou no seu canto. Até que as pesquisas mostraram um perfil de prefeito para 2020 muito parecido com o do empresário que havia feito a indústria de bolachas Mabel. Como o verdadeiro empreendedor que fundou a fábrica, Nestore Scodro, se estabeleceu em outro país e não sairia de lá, a ideia foi chamar seu filho, Sandro Scodro, o Mabel. 

Caiado foi de rua em rua, de palanque em palanque, nas caminhadas, nas carreatas, gravando vídeo, fazendo articulação, comprando brigas que nem eram suas, como amigos que eram seus, tudo para ressuscitar o morto-vivo, alavancá-lo e catapultá-lo ao Paço Municipal, como é chamado em Goiânia o prédio da prefeitura. E, com seus votos e seu carisma, Caiado conseguiu tirar o sujeito da aposentadoria e levá-lo ao cargo.

Voltemos à live em que o governador estava com 242 prefeitos discutindo saneamento, pois na maioria deles opera uma empresa estadual, a Saneago. O que fez Mabel? O maior gesto de ingratidão e até de falta de respeito e educação: comprou briga com seu padrinho político na frente de 241 gestores locais. Foi grosso, ignorante, estúpido. Ouviu de Caiado, que somente ali o estava conhecendo, o lamento de não ter ouvido aquelas palavras vis antes da campanha em Goiânia, antes de um homem de mais de 70 anos passar cento e tantos dias no sol e na chuva arrebanhando apoio e votos para outro que só queria curtir Miami.

Nesta semana, a ingratidão de Mabel voltou com carga máxima. Em entrevista a O Popular, o prefeito diz que o governador não conhece Goiânia. Além de ingrato e injusto, é burro e chama a comunidade de idiota: se Caiado, com aprovação superior a 90%, desconhece a Capital, como convenceu tanta gente a votar para prefeito em alguém só porque ele pediu? 

Da atual safra, O HOJE já entrevistou em seus estúdios cerca de 50 prefeitos de cidades dos mais diferentes portes. Existem agradáveis surpresas, como o leitor/internauta pode conferir nas edições do dia a dia e nos arquivos no ohoje.com. Até agora, não apareceu sequer um comparável ao nível de Sandro Mabel, tamanha a baixaria, a ingratidão e o nível raso de conhecimento.

Para não estragar o fim de ano de ninguém, os 19% são a resposta a essas demonstrações de que ele quer realmente é ser dono da cidade e fazer de cada goianiense seu empregado. Enfim, caiu da árvore o fruto dos esforços de Mabel para humilhar os goianienses. Recém-semeado e já impróprio para consumo.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também