Desemprego atinge menor nível desde 2012 e marca virada no mercado
Queda do desemprego vem acompanhada de recorde histórico de ocupação, aponta IBGE
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice é o mais baixo desde 2012 e reposiciona o país em um patamar anterior às crises que marcaram a última década, especialmente o choque provocado pela pandemia.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), entre setembro e novembro 5,6 milhões de pessoas estavam desempregadas, o menor contingente já registrado pela série histórica. O contraste com o auge da crise sanitária é expressivo: no trimestre encerrado em março de 2021, o desemprego atingiu 14,9 milhões de brasileiros.
O dado consolida uma trajetória de redução consistente ao longo de 2024 e indica um mercado de trabalho mais aquecido, mesmo diante de um ambiente econômico ainda marcado por juros elevados e crescimento moderado.
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Desemprego em queda acompanha recorde de ocupação
A diminuição do desemprego ocorreu em paralelo a um avanço expressivo da ocupação. Segundo o IBGE, o número de pessoas trabalhando chegou a 103,2 milhões, o maior já registrado pela Pnad Contínua. Com isso, o nível de ocupação — proporção da população com 14 anos ou mais que está empregada — alcançou 59,0%, também um recorde histórico.
O resultado sugere que a absorção de mão de obra se manteve firme, impulsionada sobretudo pelos setores de serviços, comércio e construção, que concentraram a maior parte das novas vagas. O movimento reforça a leitura de que o mercado de trabalho tem funcionado como um dos principais sustentáculos da atividade econômica recente.
Apesar do cenário positivo, analistas observam que a queda do desemprego não elimina desafios estruturais. A informalidade segue elevada em parte do país, e a renda média ainda não recuperou plenamente o poder de compra perdido nos últimos anos. Ainda assim, o patamar atual de desemprego sinaliza um ambiente mais favorável para consumo, arrecadação e planejamento econômico em 2026.
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Ao atingir o menor índice em mais de uma década, o desemprego deixa de ser apenas um indicador conjuntural e passa a refletir uma reorganização mais ampla do mercado de trabalho brasileiro, cujos efeitos devem se estender para além do curto prazo
