segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Executivo x Legislativo

Entre crises e reconstrução, Mabel fecha 2025 com base fortalecida na Câmara

Após um início com vitórias herdadas do fim da legislatura anterior, o Paço enfrentou desgastes políticos, perdas de apoio e derrotas pontuais ao longo de 2025, até conseguir recompor maioria no 2º semestre

Thiago Borgespor em
Entre crises e reconstrução, Mabel fecha 2025 com base fortalecida na Câmara
O primeiro ano da relação entre o prefeito Sandro Mabel e os vereadores de Goiânia foi marcado por altos e baixos | Foto: Alex Malheiros/Prefeitura de Goiânia

O primeiro ano da relação entre o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) e os vereadores da Câmara Municipal de Goiânia foi marcado por altos e baixos. As oscilações no relacionamento, sobretudo com os parlamentares que compõem a base governista, impuseram derrotas e vitórias ao Paço Municipal durante 2025. 

O prefeito começou o ano já com vitórias anunciadas no fim de 2024, quando ainda na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (Solidariedade) a Câmara aprovou a criação da Taxa de Limpeza Pública (TLP), conhecida como “Taxa do Lixo” e o orçamento municipal com remanejamento orçamentário de 50%. Porém, ainda no primeiro semestre de 2025, os primeiros sinais de desgastes entre vereadores e Mabel começaram, com o descontentamento de alguns parlamentares com o secretariado do prefeito.

O desgaste na relação entre Mabel e a base ficou evidente após a criação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigou o contrato da prefeitura com o consórcio Limpa Gyn. Contrário à investigação, o Paço não digeriu bem a informação de que vereadores aliados da gestão e o então líder do prefeito, Igor Franco (MDB), estavam entre os signatários para a criação da comissão. O desgaste levou à destituição de Franco do cargo de líder de governo.

A saída de Franco levou à exoneração de seu irmão, Diogo Franco, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços (Sedicas). O vereador Denício Trindade (União Brasil), membro da base que apoiou a criação da CEI, também teve indicações cortadas, como a de seu irmão, Eduardo Trindade, que foi exonerado do cargo de diretor administrativo da Secretaria de Engenharia e Trânsito (SET) por Mabel. 

Nesta mesma época, o vereador Luan Alves (MDB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), anunciou que colocou suas indicações no Paço à disposição e estava de saída da base governista.  

Leia mais: Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, volta à prisão após decisão de Alexandre de Moraes

Matérias contrárias ao Paço

Durante a tensão entre Câmara e Paço, matérias como a revogação da Taxa do Lixo começaram a tramitar na Casa. Quando o projeto do vereador Lucas Vergílio (MDB) que extingue a TLP passou em primeira votação, a base do prefeito vivia um momento de fragilidade. 

Com a nomeação do vereador Wellington Bessa (DC) para ser o novo líder de governo na Câmara em setembro, teve início a reestruturação da base governista. Mabel pediu para que Bessa reconstruísse uma base coesa e comprometida com as matérias de autoria do Paço Municipal. 

Passados quase quatro meses desde que Bessa assumiu a liderança da base governista, atualmente os aliados do Paço são maioria consolidada na Câmara. Após o acordo no valor das emendas impositivas na Lei Orçamentária Anual (LOA), que ficou em R$ 5 milhões para cada vereador, a base evitou todas as possíveis derrotas do Paço Municipal na Casa. 

Do jeito que Mabel queria

Em dezembro, a base foi responsável pela aprovação de todos os projetos considerados prioritários pelo Paço Municipal, após o prefeito solicitar uma “força-tarefa” para que as matérias avançassem ainda este ano. 

Nas sessões finais de 2025, a Câmara aprovou projetos que alteram as regras para parcerias público-privadas (PPPs); que ampliam o uso da Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (Cosip); a abertura de crédito adicional para PPPs; e a autorização para contratação de empréstimo de R$ 132 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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