Em apoio a Tarcísio, The Economist critica a idade de Lula e rejeita Flávio Bolsonaro
Para a revista britânica, nem Lula e nem Flávio Bolsonaro são bons nomes, pois o país “merece escolhas melhores”
Em meio às várias críticas relativas à tentativa de reeleição de Lula (PT), uma das que mais se destacam é sobre a idade do presidente como algo que possa impedi-lo de governar caso seja reeleito. Desta vez, a opinião foi da revista britânica The Economist, que, por meio de um editorial, afirmou que Lula não deveria disputar reeleição por ser “tão idoso”.
O editorial da revista britânica argumenta que o País possui outras alternativas para presidente da República que seriam melhores do que nomes como Lula ou Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O texto não faz menção ao restabelecimento da harmonia das instituições democráticas sob gestão do petista.

“Apesar de todo o seu talento político, é simplesmente arriscado demais para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos. Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, diz a publicação. Aliados do presidente da República não deixaram barato o posicionamento da revista e partiram para o contra-ataque por meio de mensagens direcionadas ao veículo através das redes sociais.
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A defesa feita pelos aliados de Lula destacou avanços feitos na atual gestão do Palácio do Planalto, como o crescimento do emprego, o aumento dos salários e da renda das famílias, e alegaram que a revista faz publicações, como esta sobre Lula, para atender interesses de mercado e de grupos ligados ao sistema financeiro global.

“A revista do sistema financeiro global, dos que fazem fortunas sem produzir nada, prefere que o Brasil volte a ser submetido aos mandamentos do ‘mercado’, abandonando as políticas públicas voltadas para o povo, o crescimento do emprego, dos salários e da renda das famílias”, alegou Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
Críticas à revista
Gleisi criticou a posição da revista de apoiar a possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto. Apesar de já ter se reunido com Jair Bolsonaro (PL), o que despertou grandes suspeitas sobre o apoio do ex-presidente à candidatura de Tarcísio para presidente, o chefe do Executivo paulista sinalizou interesse em disputar reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
“Não é para o ‘bem do Brasil’ que preferem Tarcísio; é por seus interesses, que não são os do País nem do povo brasileiro”, rebateu Gleisi. Em concordância com a ministra, o presidente do PT, Edinho Silva, também argumentou que o incômodo da mídia britânica não está relacionado com questões vinculadas à idade de Lula e sim pelo Brasil ter se tornado mais forte e soberano nos últimos anos.
“Quando falta argumento político, sobra preconceito. Quando falta dado, inventa-se narrativa. Eles tentam desqualificar o presidente Lula com base na idade e com falsas premissas e esquecem de dizer que o País está com o menor desemprego da história, a maior renda médica da história e com a menor média da inflação”, escreveu Edinho nas redes.

América latina e eleições
Em entrevista ao O HOJE, o cientista político Lehninger Mota faz uma análise sobre a conjuntura eleitoral da América Latina e sinaliza que o cenário não é positivo no sentido de gerar esperança para a eleição de governantes progressistas. “Ao analisarmos os fatos que vêm ocorrendo principalmente na América Latina como eleições de presidentes à direita, que aconteceu na Argentina e agora mais recentemente no Chile, nós temos uma leva de presidentes conservadores eleitos nos países do sul global.”

Mota avalia que o surgimento de uma candidatura forte de direita para disputar o Palácio do Planalto com Lula pode não necessariamente corresponder às expectativas da revista The Economist, que apoia candidaturas mais “moderadas”.
“A possível candidatura de Flávio com certeza vai ter o apoio de todos esses presidentes [de direita] e, também, do presidente norte-americano Donald Trump. Nesse sentido, é preciso considerar que isso diz respeito a votos ideológicos que, inclusive, respondem também ao apoio do Bolsonaro à candidatura de Flávio e, consequentemente, correspondem às vontades de governantes de direita como Trump”, explica o cientista político ao O HOJE. (Especial para O HOJE)