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sábado, 3 de janeiro de 2026
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NEGOCIOS

E-commerce acelera no Brasil e intensifica disputa entre marketplaces

A alta de 10,2% nas vendas on-line no Natal e a expansão do uso de aplicativos mostram um setor em crescimento

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 3 de janeiro de 2026
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Foto: Divulgação

O comércio eletrônico brasileiro, conhecido como E-commerce, atravessa um dos ciclos mais consistentes de crescimento desde 2018, impulsionado pela digitalização acelerada, pela mudança no comportamento do consumidor e pela consolidação dos marketplaces como principal canal de vendas online. Cada vez mais atentos a cupons, promoções recorrentes e datas estratégicas, os consumidores transformaram o ambiente digital em um espaço de disputa intensa por preço, conveniência e rapidez, pressionando empresas a operarem com margens mais apertadas e maior eficiência operacional.

Hoje, o e-commerce deixou de ser complementar para se tornar estrutural no varejo nacional. A lógica é simples: o consumidor busca facilidade, variedade e economia, enquanto as plataformas disputam atenção, recorrência e fidelização em um mercado altamente concentrado e competitivo.

Concentração de mercado e liderança dos grandes players

Apesar da expansão do setor, a maior parte das vendas online está concentrada em poucos grupos. Mercado Livre, Shopee, Magalu e Amazon lideram o mercado brasileiro, controlando grande fatia das transações e impondo o ritmo da concorrência. A Magalu, que nasceu como uma loja de presentes no interior de São Paulo nos anos 1950, registrou R$ 31 bilhões em vendas totais no primeiro semestre de 2025, sendo cerca de R$ 21 bilhões provenientes do e-commerce, o que reforça sua transformação em um ecossistema digital.

O Mercado Livre, de origem argentina, atua simultaneamente como marketplace e fintech e alcançou US$ 12 bilhões em receita no mesmo período, com US$ 7 bilhões vinculados às vendas online, incluindo serviços financeiros. Já a Amazon, que combina comércio eletrônico, tecnologia e streaming, registrou vendas líquidas globais superiores a US$ 320 bilhões no primeiro semestre, consolidando sua escala e poder logístico. A Shopee, apesar de não divulgar números financeiros detalhados, transformou o Brasil em um de seus mercados estratégicos desde 2019.

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Foto: Divulgação

Shopee aposta em preços agressivos e vendedores locais

A Shopee se destaca por uma estratégia de crescimento baseada em promoções constantes, datas duplas e forte estímulo à entrada de vendedores nacionais. Hoje, mais de um terço da população brasileira acessa o aplicativo mensalmente, atraída por preços competitivos e ampla variedade de produtos. A plataforma também se beneficia de um ambiente favorável ao empreendedorismo, que reúne mais de 47 milhões de pessoas envolvidas em negócios formais e informais no país.

Para sustentar esse avanço, a empresa investe de forma intensiva em logística, com mais de dez centros de distribuição, cerca de 150 galpões e aproximadamente 25 mil funcionários no Brasil. A estratégia Local to Local reduz a dependência de importações e fortalece pequenos e médios empreendedores, que encontram nos marketplaces uma porta de entrada para o varejo digital.

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Promoções permanentes e pressão sobre a operação

O crescimento do e-commerce também consolidou uma cultura de promoções contínuas. A Black Friday deixou de ser um evento isolado para se espalhar ao longo do ano, com campanhas frequentes de cupons, frete grátis e descontos. Essa dinâmica mantém o engajamento do consumidor, mas eleva os desafios operacionais, exigindo investimentos constantes em tecnologia, marketing e infraestrutura logística.

No Natal de 2025, por exemplo, as vendas online cresceram 10,2% entre os dias 19 e 25 de dezembro, mesmo sobre uma base elevada de comparação. No varejo físico, o avanço foi mais moderado, de 1,8%, indicando a migração definitiva de parte do consumo para o digital.

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Foto: Divulgação

Perfil do consumidor e mudanças no ticket médio

Durante o período natalino, o ticket médio das compras online foi de R$ 107,81. As mulheres responderam por 52,5% das transações no e-commerce, embora com menor gasto médio por compra. Já os homens, responsáveis por 53,6% das transações totais, apresentaram ticket médio mais elevado, especialmente no varejo físico. Esses dados reforçam a importância de estratégias segmentadas e baseadas em dados para ampliar conversão e rentabilidade.

Tendências para 2026: eficiência, IA e pagamentos

As tendências para 2026 indicam um mercado mais maduro, em que crescer não depende apenas de adquirir clientes, mas de operar com eficiência. A inteligência artificial deixa de ser diferencial e passa a estruturar toda a jornada de compra, com personalização em tempo real, otimização de ofertas e aumento do ticket médio.

Pagamentos também ganham protagonismo. Pix, carteiras digitais e meios flexíveis influenciam diretamente a decisão de compra, enquanto a ausência do método preferido segue entre as principais causas de abandono de carrinho. Ao mesmo tempo, antifraude e conversão passam a ser discutidos de forma integrada, buscando equilibrar segurança e aprovação de vendas.

O e-commerce brasileiro cresce de forma robusta, mas revela um mercado cada vez mais concentrado e exigente. Para empresas e empreendedores, a oportunidade existe, mas exige adaptação rápida, inteligência operacional e compreensão profunda de um consumidor menos tolerante à fricção. Em um setor onde escala importa, eficiência e experiência são os fatores que definem quem lidera e quem fica para trás.

 

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