Assim como o Entorno, interior é alvo competitivo de Daniel e Marconi
Influência de Daniel é forte nos municípios, mas Perillo não recua ao adotar estratégia de aproximação de vereadores
O interior goiano e o Entorno do Distrito Federal (DF) são parte dos principais focos dos pré-candidatos ao Governo de Goiás, o que faz com que nomes como o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) disputem espaço nessas regiões, ambos de forma estratégica.
Daniel aproveita eventos relativos ao Goiás Social, programa do Estado que auxilia a população vulnerável, para fortalecer vínculos com os municípios. A agenda do vice de Ronaldo Caiado (UB) priorizou a participação de Vilela em atividades vinculadas ao programa social, o que faz com que as atenções se voltem para o emedebista e favoreça o ganho de popularidade para sua pré-candidatura.
Uma das atividades do Goiás Social e que tem um peso considerável para a melhoria da imagem tanto de Daniel quanto a de Caiado é a entrega de casas a custo zero por meio do programa “Pra Ter Onde Morar”. A ação prioriza investimentos em cidades do interior. Inclusive, as últimas entregas foram feitas no final de 2025, algo que reforça o uso estratégico do programa que beneficiou famílias justamente em um dos períodos considerados mais solidários do ano.

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Cabe destacar que a parceria entre o governo estadual com prefeitos, sobretudo os do interior, foi algo essencial para a efetivação da política habitacional, pois as prefeituras tinham autonomia para autorizar o uso do espaço para a construção das residências relativas ao programa social.
Passagem de Daniel pelo interior
O prefeito de Diorama, Altamiro José de Lima (UB), agradeceu a parceria e ressaltou o alcance social da iniciativa. “Essas casas mudam a vida dessas famílias. A construção é bem feita, todo mundo vê e elogia. Agora, vocês terão um lar para cuidar dos filhos, sem aluguel e sem depender de favor”, declarou o gestor municipal durante a entrega das residências, que contou com a presença de Daniel Vilela.

Enquanto muitos grupos veem negativamente a estratégia de aproximação do interior goiano adotada pelos pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas, há quem avalie esse tipo de comportamento como algo natural e que já ocorreu em gestões anteriores, inclusive na do ex-governador Marconi Perillo.
Ao final de seu primeiro mandato, na busca pela reeleição em 2002, o tucano procurou seguir o mesmo caminho que percorre atualmente: o de se aproximar das lideranças do interior do Estado.
Observa-se que o discurso de Marconi gira em torno do fortalecimento da aliança com os vereadores. Para o tucano, são esses os políticos que estão mais próximos do cidadão nas cidades.
Movimentações estratégicas
No Entorno, no interior e na Região Metropolitana de Goiânia, Marconi buscou comparecer, respectivamente, em atividades realizadas nas Câmaras de Planaltina, de Uruana e de Goianira. Especificamente na região do Entorno do DF, o tucano priorizou encontros com lideranças locais e religiosos.

Já na Câmara Municipal de Goianira, o objetivo foi reforçar movimentos de articulação política que abriram espaço para a discussão de temas relacionados ao desenvolvimento regional, infraestrutura e políticas públicas.
Com vereadores de Uruana, o ex-governador participou da inauguração da Câmara do município e ressaltou a importância do estabelecimento de vínculos com os vereadores. “É assim que se constrói uma cidade mais organizada, participativa e preparada para o futuro. Defendo, acredito e valorizo o trabalho dos vereadores. Vocês são os entes públicos mais próximos do cidadão”, discursou o pré-candidato e adversário de Daniel.
Efeitos da estratégia eleitoral
O mestre em História pela UFG e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, pontua a viabilidade de um pré-candidato se aproximar da totalidade de municípios que compõem o Estado. “Nós temos que lembrar que Goiás é um Estado que possui muitas cidades. Nós temos 246 municípios. Então, muitas vezes um candidato não consegue percorrer todas as cidades goianas.”

Zancopé destaca possíveis limitações que podem interferir no processo de fortalecimento de vínculos entre os pré-candidatos com municípios, inclusive os do interior. “Ainda que isso seja o ideal, temos que levar em consideração que, muitas vezes, a tentativa de percorrer todos esses municípios custa tempo, custa dinheiro e não é algo fácil”, pontua Zancopé. (Especial para O HOJE)
