“Lei do Mais Forte”: estrategista político vê arbitrariedade em ofensiva dos EUA contra a Venezuela e alerta para risco global
Analise sob captura de Nicolás Maduro sem respaldo jurídico internacional inaugura um precedente perigoso nas relações internacionais dos EUA
A ofensiva militar de larga escala realizada pelos EUA contra a Venezuela na madrugada de 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, foi classificada pelo estrategista político Marcos Marinho como uma ação “extremamente complexa” e “completamente arbitrária”. Para o especialista, o evento marca o retorno das relações internacionais ao patamar da “lei do mais forte”, onde normas jurídicas e soberanias nacionais são ignoradas pelo poderio bélico.
Abaixo, os principais pontos da análise de Marinho sobre o impacto global e regional da operação dos EUA:
Marcos Marinho define o episódio não como uma missão de libertação, mas como uma situação em que dois autocratas se enfrentam, com um sobrepujando o outro pela força. Ele argumenta que a justificativa de combate ao narcoterrorismo usada por Donald Trump foi uma construção para validar o que ele descreve como o sequestro de um presidente, uma vez que a ação não possui amparo em cortes internacionais ou no Direito Internacional. “Não dá para acreditar que essa atuação de Trump de fato tem embasamento e uma preocupação com relação à democracia da Venezuela e ao povo venezuelano. Isso não faz nem sentido”, afirma o estrategista.
Uma das maiores preocupações levantadas pelo analista é a falta de planejamento para o pós-operação. Marinho ressalta que intervenções abruptas como essa não preparam o terreno para a reorganização democrática e podem mergulhar a região no caos.
- Crise Humanitária: O especialista alerta para uma possível debandada massiva de venezuelanos, agravando a crise migratória já existente na América Latina.
- Insegurança Interna: Questiona-se como funcionarão as instituições venezuelanas e qual segurança o povo terá após o bombardeio e a retirada forçada de sua liderança.
Comparando a incursão à Guerra do Iraque, Marinho sugere que as motivações declaradas são falaciosas e escondem interesses pessoais e estratégicos dos EUA, especificamente o controle das reservas de petróleo venezuelanas. Ele destaca que, embora Trump se apresente como um “guerreiro da liberdade”, a ação visa garantir benefícios para os Estados Unidos em solo vizinho. O próprio Trump confirmou que os EUA manterão um “forte envolvimento” com a indústria petrolífera da Venezuela após a operação.
Sobre a reação brasileira, Marinho prevê que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não adotará uma postura agressiva contra Washington, mantendo a tradição de diálogo e consertação da diplomacia brasileira.
- Limitações Reais: O analista pontua que o Brasil não possui competência ou condição de enfrentar os EUA de forma contundente, especialmente após tensões comerciais recentes que foram contornadas com dificuldade.
- Cautela Estratégica: A análise coincide com as ações do Planalto, que convocou reuniões de emergência para avaliar a base legal da captura antes de emitir um posicionamento definitivo, embora Lula já tenha classificado o ataque como uma “afronta gravíssima”.
Para o estrategista, a mensagem enviada por Trump é clara: tratados e pactos internacionais não serão respeitados se obstaculizarem a vontade americana. Marinho alerta que outros países devem acender o sinal de alerta, pois a justificativa usada hoje contra a Venezuela pode ser adaptada para qualquer outra nação amanhã. “Acreditar que eles vão salvar a humanidade, isso é balela para filme da Sessão da Tarde”, conclui.
A operação, acompanhada por Trump como se fosse um “programa de TV”, agora coloca a comunidade internacional diante do desafio de repensar como se defender e como reagir a um cenário onde a força militar substitui permanentemente a diplomacia.
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