sexta-feira, 25 de setembro de 2026
ALEGO 2026

Alego inicia 2026 sob clima de transição e embate político

Entre balanços de governo, discursos duros da oposição e defesa de legado, a Assembleia retoma os trabalhos em meio a transição e disputa aberta pelo comando de Goiás

Luma Silveirapor em
Alego inicia 2026 sob clima de transição e embate político
Abertura do ano legislativo marca último discurso de Caiado como governador na Alego | Foto: Hellenn Reis/Alego

O Carnaval terminou e, nesta quarta-feira de cinzas (18), o ano legislativo em Goiás começou oficialmente. A instalação da 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 20ª Legislatura marcou o retorno dos deputados ao plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) e deu início, na prática, ao último ano legislativo antes da eleição estadual. A sessão reuniu representantes dos três Poderes e funcionou como termômetro político para 2026.

A cerimônia teve início com a leitura de um trecho bíblico e seguiu com discursos que, mais do que inaugurar o calendário institucional, deixaram claras as disputas de narrativa que devem dominar o ano. O governador Ronaldo Caiado (PSD) acompanhou a sessão e fez seu último pronunciamento na tribuna da Alego antes de deixar o cargo no fim de março. O discurso teve tom de balanço e de defesa do legado.

Caiado afirmou que os avanços registrados pelo Estado desde 2019 não são resultado de ações individuais, mas da relação institucional construída com o Parlamento. Sustentou que governou com base em autoridade moral, responsabilidade fiscal, preservação do dinheiro público e fez críticas diretas ao ambiente político nacional. O governador disse que Goiás se tornou uma exceção no cenário brasileiro ao manter estabilidade administrativa e resultados mensuráveis e reforçou que sua gestão deve ser analisada a partir de dados concretos, e não de avaliações subjetivas.

Pela base governista, o deputado estadual Issy Quinan (MDB) fez um discurso de confronto político. Logo no início, afirmou que há visões de mundo distintas em disputa no plenário e direcionou críticas à oposição petista, ao vincular os discursos contrários ao governo estadual ao histórico do PT no plano federal. Em seguida, adotou um tom institucional ao defender o papel da Assembleia como espaço de debate democrático e sustentou que Goiás vive um momento de crescimento econômico acima da média nacional, com citação aos indicadores da atividade econômica e do setor agropecuário.

Na oposição, o deputado estadual Gugu Nader (Avante) fez uma fala centrada na defesa das prerrogativas do Legislativo. Destacou que exercer oposição não significa agir contra Goiás, mas cumprir um dever constitucional de fiscalizar, propor e questionar políticas públicas. Reconheceu avanços do governo, mas alertou para o risco de divergências políticas serem tratadas como afronta, especialmente em um ano eleitoral. Para Nader, a Assembleia não pode ser confundida com extensão do Executivo.

Já o deputado estadual Antônio Gomide (PT) apresentou o discurso mais crítico da sessão. Gomide fez um contraponto direto à narrativa do governo estadual, elogiou ações do governo federal e questionou os resultados do Regime de Recuperação Fiscal adotado em Goiás. Apontou crescimento da dívida, déficit orçamentário e travamento de investimentos ao longo dos últimos sete anos. Também atacou as privatizações no setor energético, relacionando-as ao aumento de tarifas, dificuldades para atração de indústrias e prejuízos ao desenvolvimento econômico do Estado.

O parlamentar ainda concentrou críticas na política adotada em relação aos servidores públicos. Citou perda de direitos, ausência de concursos, achatamento salarial e falta de diálogo com o Executivo. Segundo Gomide, não há Estado forte com funcionalismo desvalorizado. E que os impactos dessas decisões recaem diretamente sobre a população, sobretudo nas áreas de saúde, educação e segurança.

A abertura do ano legislativo deixou evidente que 2026 começa com o plenário dividido e em clima de antecipação eleitoral. Entre balanço de governo, defesa de legado e críticas estruturais, a sessão expôs as linhas de confronto que devem se aprofundar ao longo do ano.

Ao lado de Daniel, Caiado fecha ciclo na Alego com promessa de fim do Fundeinfra

Alego inicia 2026 sob clima de transição e embate político
Antes de passar o bastão para Daniel, Caiado promete acabar com a cobrança do Fundeinfra | Hellenn Reis/Alego

Faltando 41 dias para assumir o comando do Estado, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) subiu ao plenário ao lado do governador Ronaldo Caiado (PSD) no momento final da sessão solene. O gesto marcou o encerramento do último discurso de Caiado na Assembleia Legislativa e deu contorno político à reta final do governo, em um ambiente já dominado pela transição administrativa.

Sem fazer pronunciamento próprio, Daniel permaneceu ao lado do governador enquanto Caiado fez as considerações finais do mandato. Ao afirmar que o vice esteve “o tempo todo governando ao meu lado”, Caiado enquadrou a cena como parte do processo institucional de continuidade e indicou que as decisões tomadas neste início de ano legislativo dialogam diretamente com o próximo comando do Executivo estadual.

Nesse contexto de transição, o governo estadual prepara o envio de um projeto de lei que deve propor o fim da cobrança do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), criado para financiar obras de infraestrutura em Goiás e que ficou conhecido como “Taxa do Agro”. A proposta, segundo o Executivo, deve beneficiar mais de 10 mil produtores rurais atingidos por cobranças que se tornaram alvo de críticas do setor produtivo nos últimos anos.

A avaliação do governo é que, durante o período em que Goiás esteve submetido ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), não havia margem legal para revisar ou negociar as regras do fundo. Com o fim dessas restrições, a proposta passa a integrar a agenda legislativa como uma das primeiras pautas de impacto econômico do novo ciclo administrativo.

O tema deve voltar ao centro do debate na Assembleia nas próximas sessões e tende a ser um dos principais testes da relação entre o governo, a base parlamentar e o agronegócio neste início de transição, ao mesmo tempo em que sinaliza quais prioridades devem orientar a continuidade da gestão estadual. (Especial para O HOJE)

Leia também: UB-PP e PSD priorizam chapa para Câmara dos Deputados em Goiás

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Alego Caiado fundeinfra Goiás Política Taxa do Agro

Veja também

Daniel, Marconi, Wilder e Luis

Eleições 2026

Com peso eleitoral, Entorno do DF vira prioridade na campanha ao governo de Goiás

Região reúne cinco dos maiores colégios eleitorais de Goiás e recebe agendas de Daniel Vilela, M...
Candidatos em Goiás com mais de R$ 10 mi declarados somam mais de R$ 1 bi em patrimônio

eleições 2026

Candidatos em Goiás com mais de R$ 10 mi declarados somam mais de R$ 1 bi em patrimônio

Levantamento reúne 29 candidatos e suplentes que declararam mais de R$ 10 milhões em bens à Justi...
Governo Lula anuncia fim de bets e cassinos online

Medida Provisória

Governo Lula anuncia fim de bets e cassinos online

MP prevê retirada de aplicativos e sites a partir de 6 de outubro; apostadores terão prazo para re...
Conselho rejeita investigação e mantém Gonet no caso Master

CASO MASTER

Conselho rejeita investigação e mantém Gonet no caso Master

Decisão foi tomada nesta sexta-feira (25), por 5 votos a 4; Conselho também rejeitou pedido de sus...
Caiado defende renegociação de dívidas rurais e seguro agrícola

ELEIÇÕES 2026

Caiado defende renegociação de dívidas rurais e seguro agrícola

Em agenda pelo interior de Goiás, candidato do PSD apresentou propostas para produtores diante dos ...
Luis Cesar Bueno

Eleições 2026

Luis Cesar Bueno promete quitar precatórios e dívidas com advogados dativos

Candidato do PT participou de sabatina na OAB-GO e defendeu parceria com a entidade para discutir re...
“Receber esse apoio nos honraria”, diz Celina Leão sobre possível adesão do PSD

POLÍTICA

“Receber esse apoio nos honraria”, diz Celina Leão sobre possível adesão do PSD

Governadora também destaca programas de transferência de renda e afirma que pretende ampliar açõ...
“Tem que ter metrô ou BRT”, diz Cappelli ao defender melhorias no transporte do DF

POLÍTICA

“Tem que ter metrô ou BRT”, diz Cappelli ao defender melhorias no transporte do DF

Candidato ao GDF também cobra conclusão do hospital do Recanto das Emas e promete reduzir filas de...