Situação da Venezuela divide a política brasileira após captura de Maduro
Venezuela se torna eixo de embate ideológico no Brasil, com direita celebrando a ofensiva dos EUA e esquerda denunciando violação da soberania e interesses econômicos
A confirmação da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos, ocorrida na madrugada deste sábado (3), provocou uma imediata e intensa divisão no cenário político brasileiro. Enquanto parlamentares de direita celebram o que chamam de “libertação” da Venezuela, políticos de esquerda classificam a ofensiva militar em Caracas como uma agressão inaceitável à soberania sul-americana.

A Reação da Direita: “Tchau, Querido”
Políticos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro rapidamente impulsionaram a trend “tchau, querido” nas redes sociais, em tom de comemoração pela prisão de Maduro. Fábio Wajngarten, assessor de Bolsonaro, rotulou o venezuelano como um “patrocinador do terrorismo mundial” e afirmou que o evento terá reflexos diretos na sucessão eleitoral brasileira, prometendo utilizar o episódio em futuras campanhas.
Outros expoentes da direita também se manifestaram:
- Osmar Terra (PL-RS): Previu que a captura causará pânico entre outros ditadores latino-americanos e mudará o debate sobre democracia na região.
- Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP): Criticou a relação de proximidade entre Maduro e o governo Lula, afirmando que o líder venezuelano terminou “isolado e preso”.
- Bia Kicis (PL-DF) e General Girão (PL-RN): Celebraram a “liberdade para o povo venezuelano”.
A reação da esquerda: Petróleo e soberania
Por outro lado, parlamentares da base governista e da esquerda brasileira condenaram duramente a ação militar comandada por Donald Trump. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) argumentou que o real interesse dos EUA não é a democracia, mas sim o controle das maiores reservas de petróleo do mundo localizadas na Venezuela. Segundo Zarattini, Trump busca um “governo dócil” que se submeta aos interesses econômicos americanos.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) classificou a escalada de guerra como “gravíssima”, lembrando que a Venezuela detém cerca de 17% das reservas globais de petróleo. Ela defendeu que o Brasil deve se guiar pelo princípio constitucional da autodeterminação dos povos e da não intervenção. O deputado José Guimarães (PT-CE) reforçou o coro, chamando a ação de “agressão criminosa” que fere o direito internacional.
Governo Lula em Estado de Alerta
O Palácio do Planalto mantém uma operação de monitoramento desde as 5h da manhã. O presidente Lula convocou uma reunião de emergência para o fim da manhã deste sábado para analisar o panorama diplomático e militar antes de emitir uma nota oficial. O governo brasileiro busca entender as circunstâncias exatas da captura e os fundamentos jurídicos da intervenção americana antes de consolidar sua posição.
Para entender o impacto desse evento no Brasil, imagine a política nacional como uma balança sensível: de um lado, o peso da comemoração pela queda de um regime autoritário; do outro, o peso do temor por uma intervenção militar estrangeira em solo vizinho. O equilíbrio dessa balança definirá o tom das relações diplomáticas brasileiras nos próximos meses.
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