Celac termina reunião sem consenso após ação dos EUA na Venezuela
Países se reúnem para discutir a crise na Venezuela e tentar articular uma resposta regional após o ataque dos EUA
A tentativa de articular uma resposta regional à crise venezuelana esbarrou nas divisões políticas da América Latina. Reunidos em caráter extraordinário no domingo (4), os países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) encerraram o encontro sem consenso e sem a divulgação de uma nota conjunta após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Convocada pela Colômbia, a reunião da Celac ocorreu de forma virtual e a portas fechadas. A maior parte das delegações manifestou preocupação com a situação na Venezuela, mas posições divergentes impediram uma manifestação unificada.

Argentina reforça na Celac apoio aos EUA
A Argentina, governada por Javier Milei, posicionou-se favoravelmente à prisão de Maduro e participou do encontro por meio de um representante, sem o envio do chanceler. Bolívia, Suriname e Trindade e Tobago também integraram a reunião. O Brasil defendeu a soberania venezuelana e reafirmou o reconhecimento da vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país.
A delegação venezuelana adotou tom duro contra Washington. O chanceler Yván Gil classificou a ação dos Estados Unidos como “covarde e criminosa” e afirmou que Maduro é o “presidente constitucional” da Venezuela. “Se é contra um presidente, é contra a soberania de seu povo”, declarou. Gil também acusou os EUA de violarem direitos humanos ao atingir civis e alertou para o risco de escalada militar no Caribe.
Países divulgam carta conjunta antes da reunião
Horas antes do encontro da Celac, Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram carta conjunta na qual expressam preocupação com a ofensiva e afirmam que tentativas de controle governamental externo são incompatíveis com o direito internacional e ameaçam a estabilidade política, econômica e social da região.