O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
CRISE INTERNACIONAL

Maduro se declara inocente nos EUA e diz ser “prisioneiro de guerra” do governo Trump

Líder venezuelano compareceu algemado à primeira audiência em Nova York e negou todas as acusações apresentadas pela Justiça americana

Micael Silvapor Micael Silva em 5 de janeiro de 2026
Maduro
Foto: Reprodução/CNN Internacional

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) diante da Justiça dos Estados Unidos e afirmou ser um “prisioneiro de guerra” do governo do presidente Donald Trump.

“Eu sou inocente. Eu sou um homem decente. Eu sou um presidente”, disse Maduro, reiterando que continua sendo o chefe de Estado venezuelano. Capturado no sábado (3), em Caracas, o líder declarou inocência em todas as acusações que enfrenta na Justiça americana.

Maduro responde por quatro crimes:

  • narcoterrorismo;

  • conspiração para o tráfico de cocaína;

  • posse de armas e explosivos;

  • conspiração para posse de armas e explosivos.

Primeira audiência

O venezuelano compareceu a um tribunal federal em Nova York para sua primeira audiência, quando ouviu formalmente as acusações. Ele estava com algemas nos tornozelos e utilizava fone de ouvido durante a sessão. O ato teve caráter burocrático, como previsto no sistema judicial americano.

O juiz responsável marcou uma nova audiência para o dia 17 de março, quando Maduro e sua esposa deverão prestar depoimento.

Maduro e Cilia Flores foram levados ao Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, após a operação militar realizada na madrugada de sábado. A audiência está marcada para começar às 14h (horário de Brasília).

Acusações do Departamento de Justiça

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o casal será formalmente acusado por:

  • conspiração para narcoterrorismo;

  • conspiração para o tráfico de cocaína;

  • posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;

  • conspiração para fornecimento de armas ao narcotráfico.

Imagens divulgadas pela Reuters mostram Maduro sendo transferido do presídio para o tribunal federal em Manhattan, a cerca de oito quilômetros de distância.

As autoridades americanas acusam Maduro de chefiar o chamado Cartel de los Soles, grupo que atuaria no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA. A acusação também envolve Cilia Flores, segundo o jornal The New York Times.

Pesquisadores, no entanto, contestam a tese de que Maduro seja o líder do grupo, apontando que o cartel funcionaria como uma “rede de redes”, reunindo integrantes de diferentes patentes militares e setores políticos. Ainda assim, há indícios de que ele seja um dos beneficiários do que especialistas chamam de “governança criminal híbrida”.

Situação política na Venezuela

Após a retirada de Maduro do poder, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina. A decisão foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, com o argumento de garantir a “continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.

As Forças Armadas da Venezuela reconheceram Rodríguez como presidente interina, com apoio público do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que afirmou que ela permanecerá no cargo por 90 dias.

No domingo, Trump declarou que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a captura de Maduro. Questionado se havia conversado com Delcy Rodríguez, o presidente americano respondeu: “Estamos lidando com as pessoas que acabaram de tomar posse. Não me perguntem quem está no comando, porque eu daria uma resposta e isso seria muito controverso”. Em seguida, completou: “Isso significa que nós estamos no comando”.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também