Consumo interno e exportações impulsionam mercado de ovos em Goiás em 2026
Após recordes de produção e embarques em 2025, setor inicia novo ano com expectativa de estabilidade
Impulsionado pelo avanço do consumo interno, pela reorganização do comércio internacional e pela consolidação de sistemas produtivos mais tecnificados, o mercado de ovos inicia 2026 em expansão em Goiás, estado que se consolida como um dos principais polos da avicultura de postura do país. Após um 2025 marcado por recordes de produção, forte desempenho das exportações e volatilidade nos preços, o setor entra no novo ano com expectativas positivas, embora ainda atento a riscos sanitários e ajustes de oferta.
Dados do Cepea indicam que o crescimento da produção brasileira de ovos para consumo em 2026 deverá ser mais moderado, estimado em 1%, com volume total podendo alcançar 4,11 bilhões de dúzias. A desaceleração na oferta, no entanto, tende a ser compensada por uma demanda interna mais robusta, sustentada pelo aumento do consumo per capita e pela substituição de proteínas mais caras pelo ovo, que segue como uma das opções mais acessíveis da cesta alimentar.
Preços voláteis em 2025 moldam cenário de 2026
O comportamento dos preços ao longo de 2025 ajuda a explicar o cenário atual. Segundo levantamentos do Cepea, as cotações iniciaram o ano em patamares mais baixos, refletindo a demanda tradicionalmente retraída do início do calendário. A partir de fevereiro, com o retorno das aulas e a oferta mais ajustada, os preços subiram de forma consistente, atingindo recordes reais históricos em março, período impulsionado pela Quaresma.
A partir de abril, com o aumento da produção e maior disponibilidade no mercado interno, os valores passaram a recuar na maioria das regiões monitoradas, movimento interrompido apenas pontualmente em agosto. Mesmo com a queda, o bom desempenho das exportações ajudou a evitar desvalorizações mais acentuadas, criando uma base de preços mais equilibrada para a entrada de 2026.
Produção nacional recorde sustenta cadeia produtiva
A produção nacional de ovos para consumo somou 3,04 bilhões de dúzias entre janeiro e setembro de 2025, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o IBGE, configurando um novo recorde. Esse avanço foi decisivo para garantir abastecimento interno e ampliar a presença brasileira no mercado internacional, mesmo diante de desafios sanitários.
Em Goiás, a avicultura de postura vem registrando crescimento consistente há uma década. A produção estadual saltou de 152,3 milhões de dúzias em 2015 para 252,2 milhões em 2024, avanço de 65,7%. O Valor Bruto de Produção (VBP) do setor cresceu 49,2% em relação a 2020, com estimativa do Mapa de alcançar R$ 1,6 bilhão em 2025, patamar que serve de base para o desempenho esperado em 2026.

Goiás amplia presença no comércio exterior
No mercado externo, a disseminação da gripe aviária em diversos países reduziu a oferta global e abriu espaço para o produto brasileiro. Nos Estados Unidos, um surto significativo levou o país a intensificar as compras de ovos do Brasil, fazendo com que o volume importado entre janeiro e novembro de 2025 fosse 825% superior ao registrado em todo o ano anterior.
Segundo dados da Secex, os embarques brasileiros de ovos in natura e processados somaram 38,64 mil toneladas nos 11 primeiros meses de 2025, alta de 109% em relação a 2024, atingindo um novo recorde. Apesar do impacto temporário do tarifaço imposto pelo governo norte-americano em agosto, o setor compensou a perda com a abertura de novos mercados, como o México, e com a retomada da confiança sanitária internacional.
Goiás se destaca nesse cenário, especialmente na exportação de ovos férteis, produto de alto valor tecnológico. Em 2024, o estado exportou 902,9 toneladas, com receita de US$ 4,5 milhões, ocupando a quarta posição no ranking nacional. Entre janeiro e agosto de 2025, essa categoria respondeu por 45,3% do faturamento do setor, tendência que deve se manter ao longo de 2026.

Sistemas produtivos e valor agregado ganham espaço
Outro vetor de crescimento da avicultura goiana está na diversificação dos sistemas de criação, com expansão de modelos como cage-free, caipira e orgânico, que atendem às exigências de bem-estar animal e a nichos de mercado mais exigentes. Embora esses sistemas demandem maior investimento, eles elevam o valor agregado do produto e ampliam a competitividade do estado.
“A expansão da atividade fortalece a economia local e amplia a participação do estado no mercado nacional e internacional”, destaca o secretário de Agricultura de Goiás, Pedro Leonardo Rezende. Segundo ele, políticas públicas como o FCO Rural já aprovaram mais de R$ 260 milhões em crédito para a avicultura de postura nos últimos seis anos, contribuindo para modernização das granjas e aumento da produtividade.
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Consumo em alta sustenta perspectivas para 2026
Pelo lado da demanda, o cenário é ainda mais favorável. De acordo com a ABPA, o Brasil deve encerrar 2025 com consumo médio de 287 ovos por habitante, entrando pela primeira vez no grupo dos dez maiores consumidores per capita do mundo. Para 2026, a projeção é de 307 ovos por habitante, o que colocaria o país na 7ª posição do ranking global.
Apesar das perspectivas positivas, a gripe aviária segue como principal fator de risco. Pesquisadores do Cepea alertam que o vírus continua circulando globalmente, inclusive em grandes produtores. Ainda assim, a retomada do sistema de pre-listing pela União Europeia, anunciada em novembro de 2025, reforça a confiança internacional no Brasil e sinaliza potencial de avanço das exportações em 2026.
Com produção consolidada, consumo interno crescente, presença no comércio exterior e diversificação produtiva, Goiás inicia 2026 como um dos protagonistas do mercado brasileiro de ovos, combinando escala, tecnologia e capacidade de resposta às novas demandas do agronegócio.
