quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Quebra de expectativas

Prisão de Maduro pode acabar com lua de mel entre Lula e Trump

Direita procura comparar brasileiro, venezuelano preso e Hugo Chávez para encobrir êxito do petista sobre o tarifaço dos EUA

Marina Moreirapor em
Trump
Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante Assembleia Geral da ONU em 2025 - Créditos: Ricardo Stuckert

Em ano eleitoral, a direita no Brasil aproveita a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de forma com que isso favoreça o tensionamento da relação entre o brasileiro Lula da Silva (PT) e o norte-americano Donald Trump, ainda mais em um cenário onde o petista adotava, como um dos principais pilares de seu discurso, a recuperação do contato harmônico com o chefe da Casa Branca.

Membros da oposição não pouparam esforços para expressar a satisfação com o ataque feito na madrugada deste sábado (3) pelos Estados Unidos contra Venezuela que resultou na captura de Maduro. Em edições anteriores, O HOJE mostrou a relevância para Lula de sua aproximação com Trump após resolver, em partes, os problemas derivados do tarifaço aplicado pelos EUA sobre produtos brasileiros.

Lula
Créditos: Marcelo Camargo/ABr – Joyce N. Boghosian/Official White House Photo

Desde sábado, a direita tenta explorar potenciais similaridades entre Lula, Maduro e o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez para desfazer a melhora da avaliação do governo Lula a partir da queda de parte das tarifas impostas pelo governo Trump EUA, inclusive com o fim de sanções aplicadas contra autoridades brasileiras.

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Recado do bolsonarismo

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que perdeu o mandato em 2025 por não comparecer às sessões deliberativas, fez ataques a Lula e ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e alegou que a Venezuela é essencial para o Foro de São Paulo. “O regime venezuelano é o pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo. Com a captura de Maduro vivo, agora Lula, Petro e os demais do Foro de São Paulo terão dias terríveis. Anotem! Viva a liberdade!”, publicou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais.

Algo que deve potencializar a crise com governos progressistas na América do Sul, além do sequestro do presidente Nicolás Maduro, é a promessa de Washington de permanecer por longo período de tempo em Caracas, capital venezuelana. A medida adotada pela Casa Branca pode prolongar a crise diplomática com governos de países sul-americanos.

Lula
No último sábado (3), os EUA sob o comando de Donald Trump realizou um ataque na Venezuela que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro – Foto: Divulgação/ Kremlin – Casa Branca

Tal ponto de vista é compartilhado por apoiadores do pré-candidato à Presidência da República e hoje o principal adversário de Lula, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com interlocutores do parlamentar, o petista não poderá apostar seu discurso eleitoral na “boa relação” com Trump enquanto o condena pela intervenção militar na Venezuela.

Posição de Lula

Nas palavras do presidente brasileiro, “os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”. “Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou o petista.

Líderes da oposição no Congresso consideram que a prisão de Maduro permitirá que o governo Trump avance na investigação de ligações internacionais do ditador venezuelano e do antecessor, Hugo Chávez. Uma delação do presidente sequestrado, de acordo com a oposição, poderia atingir aliados na América Latina.

Lula
Ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez ataques a Lula e ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e alegou que a Venezuela é essencial para o Foro de São Paulo. – Créditos: Mário Agra/Câmara dos Deputados

Ao O HOJE, o sociólogo Jones Matos comentou a reação da direita em relação à prisão de Maduro em detrimento dos interesses econômicos dos EUA. “Considero uma estupidez a celebração da possibilidade de intervenção americana no comando da Venezuela. Quem tem que resolver isso agora é a própria população através de uma eleição.”

Caminho ideal

Matos avalia que, caso a direita insista em defender a posição de Trump de exercer poder sobre a Venezuela, o grupo pode se surpreender, da mesma forma que ocorreu com a reconciliação entre Lula e Trump após o tarifaço. “Se a extrema direita brasileira persistir nesse debate, vai cair no mesmo erro do ano passado, quando foram defender a taxação imposta pelo governo Trump”.

O sociólogo alerta para o que diz acreditar ser o certo a ser fazer diante do interesse de Trump em exercer domínio sobre o país sul-americano. “É preciso, neste momento, de certa ponderação, pois uma coisa é a deposição de Maduro, outra coisa são os EUA quererem dizer quem vai conduzir o governo. Esse é o ponto central agora”, pontua Jones em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)

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Tags:
congresso Lula Maduro Oposição reconciliação Trump

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