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terça-feira, 6 de janeiro de 2026
PRESSÃO NORTE-AMERICANA

Presidente interina assume Venezuela sob sombra dos EUA

Posse de Delcy Rodríguez ocorre após captura de Maduro, enquanto Trump afirma que Washington controla a Venezuela

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 6 de janeiro de 2026
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Foto: Reprodução/ presidencialve

Delcy Rodríguez tomou posse nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela em uma cerimônia que marcou a continuidade formal do poder em Caracas após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A posse, no entanto, ocorreu sob a sombra direta das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que quem comanda o país sul-americano são os próprios EUA.

Rodríguez, então vice-presidente e primeira na linha de sucessão, assumiu o cargo por determinação do Tribunal Supremo de Justiça, que estabeleceu um mandato inicial de 90 dias, passível de prorrogação. Durante o juramento, ela mencionou a prisão de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, ambos sob custódia norte-americana. “Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos”, disse. Em seguida, afirmou: “Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos”.

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Foto: Reprodução/ presidencialve

Em carta aberta Rodríguez apela por diálogo

A cerimônia foi conduzida pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da nova presidente interina. Também foram empossados 283 parlamentares eleitos em maio do ano passado, em um pleito boicotado pela maior parte da oposição, incluindo o grupo liderado pelo ganhador do Prêmio Nobel Machado. A única ausência registrada foi a de Cilia Flores, detida nos Estados Unidos.

No domingo (4), um dia antes da posse, as Forças Armadas da Venezuela já haviam reconhecido Rodríguez como presidente interina. No mesmo dia, Rodríguez divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos pedindo diálogo, o fim das hostilidades e a construção de uma “agenda de colaboração”.

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Foto: Reprodução

No documento, afirmou que a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e escreveu: “Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”. A dirigente defendeu uma relação baseada na “não ingerência” e citou Nicolás Maduro ao afirmar que essa sempre foi a postura do governo venezuelano.

Trump afirma que EUA está no comando da Venezuela

Enquanto Caracas formalizava a sucessão, Washington tratava o novo governo como subordinado. Em entrevista à NBC News na segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos não estão em guerra com a Venezuela e descartou a realização de eleições no país nos próximos 30 dias. Segundo ele, o país precisa ser “consertado” antes de qualquer processo eleitoral. “Vai levar um tempo. Precisamos cuidar para que o país se recupere”, declarou.

Trump disse que um grupo de autoridades norte-americanas irá supervisionar o governo venezuelano, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete Stephen Miller e o vice-presidente JD Vance, mas ressaltou que terá a palavra final. Segundo o presidente, Rodríguez está colaborando com as autoridades dos EUA por meio de Rubio. “A relação entre eles tem sido muito forte”, afirmou, acrescentando que uma nova ação militar não está descartada caso ela deixe de cooperar.

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Foto: Divulgação/ Casa Branca

No domingo (4), a bordo do Air Force One, Trump foi ainda mais direto. “Não me perguntem quem está no comando, porque darei uma resposta muito controversa”, disse a repórteres. Em seguida, completou: “Significa que nós estamos no comando”. Em outras ocasiões, afirmou que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela até que haja uma transição considerada adequada.

O governo norte-americano também declarou disposição para trabalhar com remanescentes da estrutura chavista, desde que sejam atendidos objetivos de Washington, como o acesso de investimentos norte-americanos às reservas de petróleo venezuelanas.

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