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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
ACIDENTE NA PF

O que é traumatismo cranioencefálico e qual é o quadro de Bolsonaro após queda

Ex-presidente sofreu batida na cabeça durante a madrugada e permanece em observação médica

Thais Munizpor Thais Muniz em 6 de janeiro de 2026
bolsonaro
Foto: HUGO BARRETO/METRÓPOLES

O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, apresentou um quadro de traumatismo cranioencefálico leve após cair e bater a cabeça em um móvel dentro da cela onde cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O episódio ocorreu na madrugada desta terça-feira (6) e foi relatado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais.

O cirurgião Cláudio Birolini, médico responsável por acompanhar Bolsonaro, informou que a avaliação inicial classificou o caso como traumatismo craniano leve. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o ex-presidente não solicitou ajuda logo após a queda. Na manhã seguinte, um agente identificou um corte no rosto e acionou atendimento médico.

O episódio aconteceu seis dias após a alta hospitalar do ex-presidente, período em que ele passou por procedimentos médicos relacionados a uma hérnia e a um quadro de soluços. Após a nova avaliação, a orientação foi de permanência em observação.

Nesta terça-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de transferência imediata de Bolsonaro para um hospital. A solicitação havia sido apresentada pela defesa para realização de exames adicionais.

Na decisão, o ministro entendeu que não havia necessidade de remoção imediata do ex-presidente da unidade da PF. Ele determinou que a defesa encaminhe ao STF o laudo médico elaborado pela Polícia Federal após o atendimento e indique quais exames são necessários, informando também a possibilidade de realização dentro da própria superintendência.

Para esclarecer o que caracteriza o traumatismo cranioencefálico leve (TCE leve) e quais cuidados costumam ser adotados nas primeiras horas após a queda, a reportagem do O Hoje ouviu o neurologista Marcos Alexandre, do Hospital Mater Dei Goiânia. Segundo ele, “os principais riscos nas primeiras 24 a 48 horas incluem a possibilidade de evolução de hemorragias intracranianas, como hematomas subdurais, e o agravamento da lesão de forma insidiosa”.

O especialista afirmou que alguns sinais exigem atenção imediata. Entre eles, citou “alterações no nível de consciência, dor de cabeça mais intensa, náuseas e vômitos persistentes, dificuldades motoras ou de fala e desorientação progressiva”.

Como é a avaliação médica em casos de TCE leve

De acordo com Marcos Alexandre, quando a queda não recebe atendimento imediato, o paciente costuma ser encaminhado para exames de imagem. “A tomografia computadorizada do crânio é geralmente o primeiro exame solicitado, porque permite identificar sangramentos ou lesões internas que podem não se manifestar clinicamente no início”, explicou.

Segundo ele, os protocolos incluem monitoramento neurológico periódico e acompanhamento dos sinais vitais. Em alguns casos, há recomendação de observação hospitalar temporária. “A hospitalização por pelo menos 24 horas possibilita identificar precocemente qualquer deterioração clínica”, afirmou.

O neurologista destacou que alterações podem surgir horas após o impacto, principalmente em idosos. “A deterioração neurológica pode ocorrer mesmo depois de um período inicial de aparente estabilidade, motivo pelo qual as primeiras horas de observação são decisivas”, disse.

O episódio registrado na Superintendência da Polícia Federal ocorre em um contexto de histórico clínico recente e permanece sob acompanhamento médico.

Histórico cirúrgico recente de Bolsonaro e uso de medicamentos podem aumentar riscos

O neurologista explicou que alguns fatores aumentam a atenção em casos de traumatismo craniano leve. De acordo com ele, “pacientes com histórico recente de procedimentos cirúrgicos ou que utilizam anticoagulantes ou antiplaquetários apresentam risco maior de sangramento, mesmo em impactos aparentemente leves”.

Nessas situações, a avaliação tende a ser mais criteriosa. “A realização de exames de imagem é indicada mesmo sem sintomas alarmantes, associada a monitoramento neurológico frequente e, em muitos casos, observação prolongada em ambiente hospitalar”, afirmou.

Segundo Marcos Alexandre, a vigilância contínua auxilia na identificação de mudanças sutis no estado neurológico. “Qualquer alteração pode indicar sangramento interno, e a detecção precoce possibilita intervenção rápida”, pontuou.

Leia também: Nikolas e filhos de Bolsonaro entram na mira da PF após pedido do PT

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