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terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Saúde no outro continente

EUA alteram calendário infantil e deixam de recomendar seis vacinas de forma universal

Mudança anunciada pelo governo norte-americano transfere a decisão sobre imunização para famílias e médicos e provoca forte reação de especialistas em saúde pública

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 6 de janeiro de 2026
Vacinas
Freepik

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (5), uma alteração sem precedentes no calendário de vacinação infantil. A partir de agora, seis vacinas deixam de ser recomendados de forma rotineira para todas as crianças no país. A medida foi divulgada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), atualmente sob comando de Robert Kennedy Jr., e integra uma revisão mais ampla da política de imunização incentivada pelo presidente Donald Trump.

Com a nova diretriz, deixam de constar como recomendações universais as vacinas contra a gripe, hepatites A e B, meningococo, bactéria responsável por casos graves de meningite, vírus sincicial respiratório (VSR), associado à bronquiolite em bebês, e rotavírus, causador de gastroenterites severas. Meses antes, a vacina contra a Covid-19 já havia sido retirada do calendário infantil de recomendação geral.

Decisão compartilhada de imunização com as vacinas e críticas da comunidade médica

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Marcelo Camargo/Agência Brasil

A mudança passa a valer imediatamente e altera a lógica da política de prevenção. Os imunizantes agora serão indicados apenas para crianças consideradas de alto risco ou em situações específicas, mediante avaliação médica individual. O modelo adotado pelo governo é o da chamada “decisão compartilhada”, em que profissionais de saúde e responsáveis avaliam conjuntamente a necessidade da vacinação.

A decisão, no entanto, gerou reação imediata entre especialistas. Infectologistas e pediatras alertam que a retirada das vacinas do calendário universal pode resultar em queda da cobertura vacinal e no aumento da circulação de doenças preveníveis, sobretudo em populações mais vulneráveis.

Segundo esses profissionais, comparações com políticas adotadas por outros países desconsideram diferenças significativas entre sistemas de saúde, condições socioeconômicas, acesso a serviços médicos e padrões de circulação de vírus e bactérias. Para eles, o histórico norte-americano de controle de doenças infecciosas está diretamente ligado à ampla adesão às campanhas de vacinação.

“O calendário vacinal infantil dos Estados Unidos é uma das ferramentas mais estudadas e eficazes para prevenir doenças graves e potencialmente fatais”, afirmou o pediatra Sean O’Leary, especialista em doenças infecciosas. De acordo com ele, qualquer revisão nesse sistema deveria se apoiar exclusivamente em evidências científicas sólidas e amplamente consensuais.

A mudança reacende o debate sobre o papel do Estado na promoção da saúde pública e levanta preocupações sobre possíveis impactos a médio e longo prazo na proteção de crianças contra doenças já controladas nas últimas décadas.

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