sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Política

O que ganham base e oposição no Congresso com a prisão de Maduro pelos EUA

Especialistas avaliam os reflexos do ataque à Venezuela na política brasileira em ano eleitoral

Marina Moreirapor em
Deputados
Câmara dos Deputados - Créditos: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados

Tanto a direita quanto a esquerda expressou muito bem seu ponto de vista em relação ao último ataque dos Estados Unidos (EUA) à Venezuela. A intervenção militar desmoralizou a Organização das Nações Unidas (ONU) que se posicionou à favor da independência política dos países e explicitou o discurso de organizações ideológicas sobre o ataque à Caracas.

A direita no Congresso defende a dominação de Trump sobre o país sulamericano, enquanto a esquerda repudia veemente a intervenção norte-americana realizada, sobretudo, com o intuito de explorar os recursos naturais venezuelanos.

EUA
Créditos: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Para além da reação dos políticos sobre a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, alguns pontos são essenciais para compreender a atual conjuntura que o país se encontra.

Há o entendimento de que uma das principais motivações do ataque é relativo ao objetivo dos EUA em frear a aliança intergovernamental promovida pelo BRICS, afetar a ascensão econômica da China e salvaguardar o empobrecimento que tem ocorrido nos próprios EUA.

Já o segundo aspecto é relativo à política interna da Venezuela, a considerar problemas relacionados à fragilidade econômica do país que advém da decadência de suas forças produtivas, além do boicote feito por outros países a fim de prejudicar a gestão de Maduro.

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No último sábado (3), os EUA interviu militarmente em Caracas e prenderam o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro – Créditos: Marcelo Camargo/ ABr

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O terceiro ponto é sobre o interesse dos EUA em explorar as reservas de petróleo venezuelanas por meio da privatização das estatais petrolíferas criadas no governo de Hugo Chávez e que foram mantidas na gestão de Maduro.

Com base nisso, é necessário observar quais grupos vão se beneficiar das consequências do ataque dos EUA à Venezuela que, no caso da exploração do petróleo, o que se sabe é que o que está em jogo é o enriquecimento de grandes conglomerados de petróleo estadunidenses.

Posicionamento contra os EUA

No que diz respeito à situação do Brasil frente ao contexto socioeconômico da Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é contra a intervenção dos EUA. Também há alas no Congresso Nacional que consideram a ação uma política imperialista, de desrespeito à soberania nacional venezuelana e de violação do direito internacional.

Ao aproveitar o atual cenário em que a América Latina se encontra, a direita brasileira age de forma a apoiar o ataque dos EUA com foco na reflexão disso no panorama eleitoral deste ano, além de recuperar forças perdidas com o desdobramento do julgamento dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023, data que ocorreu invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília.

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(Créditos: Joedson Alves/ABr)

Em entrevista ao O HOJE, o doutor em em Geografia Humana pela USP e professor de Geopolítica da UFG, Eguimar Felício, explica como a intervenção militar dos EUA na Venezuela corresponde às expectativas de grupos conservadores no Brasil. “A direita brasileira tem manifestado apoio ao acreditar que a política intervencionista dos EUA vai favorecê-la no processo eleitoral e no desgaste que a mesma sofreu com o aprisionamento em decorrência do 8 de janeiro”.

O professor também comenta sobre táticas geopolíticas dos EUA que resultaram no último ataque feito em território venezuelano. “Os EUA aciona o departamento de guerra e intensifica o processo de intervenção. Isso já aconteceu na Nigéria, em Honduras e na Venezuela. É uma estratégica geopolítica dos EUA”.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, não poupou palavras ao afirmar que uma das principais motivações do ataque é a exploração de petróleo venezuelano pelos EUA – (Créditos: Joyce N. Boghosian)

De olho nas eleições

A cientista política Rejaine Pessoa ressalta o que a direita e esquerda brasileira tem a ganhar, no campo das narrativas, com o domínio de Trump sobre o país antes governado por Maduro.

“Para a oposição brasileira, isso é um combustível eleitoral porque ela pode associar o atual governo ao regime deposto. Já a esquerda ganha no campo da narrativa, porque ao ocorrer a intervenção militar sem o aval da ONU, líderes como Lula ganham o argumento em relação à defesa da soberania, eles passam a usar o episódio para alertar contra a influência estrangeira”, pontua Rejaine em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)

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Tags:
Base congresso EUA Maduro Oposição Trump Venezuela

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